Manifestação de antifascistas termina com bombas de gás em SP e RJ

Na iminência de confronto entre apoiadores de Bolsonaro e antifascistas, polícia usa bomba e coloca todos para correr na avenida Paulista

31/05/2020 às 15:51
Reprodução mídias sociais
Polícia usou bombas de gás para dispersar manifestantes na avenida Paulista

O encontro de dois grupos antagônicos na tarde desse domingo, na avenida Paulista, em São Paulo, terminou em confronto com a polícia. As proximidades do Museu de Arte Moderna (Masp), viraram, há algum tempo, ponto de encontro de apoiadores do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Ocorre que há aproximadamente um mês a avenida Paulista também tem sido palco de uma “marcha contra o fascismo e a favor da democracia”. Aos poucos, a temperatura entre os manifestantes tem aumentado.

A marcha tem sido fomentada pelas torcidas do Corinthians (Gaviões da Fiel) e do Palmeiras, que se uniram na manifestação. Atos contrários também foram registrados, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte nesse domingo.

Em São Paulo, entretanto, o protesto dos dois grupos terminou em confronto. A Polícia Militar jogou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes dos dois grupos que se encontraram nas proximidades do Masp. No fim, os manifestantes lançaram pedras e fogos de artifício conta a Tropa de Choque, que revidou com tiros de armas não letais e bombas de efeito moral.

Enquanto os bolsonaristas bateram em retirada reclamando que estavam em uma manifestação pacífica, as torcidas antifascistas foram o alvo da polícia e acabaram acuadas. Em maior número, os anti Bolsonaro cercaram o Masp, local que tinha se tornado o “point” de protestos pró-Bolsonaro nas últimas semanas.

Inicialmente a PM fez cordões de isolamento entre os dois protestos, contra e pró-Bolsonaro, para evitar um conflito, que era iminente. Os antifascistas, entretanto, estavam em maior número e reagiram ao bloqueio da PM.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que mais de 200 policiais militares do choque foram mobilizados para o local do protesto, já prevendo um confronto entre os dois grupos.

Enquanto os bolsonaristas foram vestidos de verde e amarelo, os que se denominavam "Antifas" estavam vestidos, em sua maioria, de preto ou carregava adereços do Corinthians. Outros estavam em um grupo autodenominado "Palestra Antifacista.


Mineiros

Em Belo Horizonte, um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro saiu em carreata na manhã deste domingo (31) e se encontrou com manifestantes contrários ao governo que gritavam “fora Bolsonaro”.
A exemplo do que ocorreu nos outros lugares os apoiadores de Bolsonaro protestam contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Na capital mineira outro alvo foi o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que defende as medidas de isolamento social para enfrentar a pandemia de covid-19.

Em um vídeo publicado no Twitter, um dos bolsonaristas alega que na avenida Afonso Pena, no Centro, eles foram pressionados por militantes “Fora Bolsonaro” e tiveram que mudar o trajeto. Manifestantes vestidos de preto gritavam mensagens contra o presidente.

“Hoje fizemos aqui um ato republicano, patriótico, civil, protegido pela Constituição, porém, infelizmente, devido a alguns bandidos cercarem vários pontos, eles já sabiam onde nós íamos passar, tivemos que desviar nossa carreata. Querem cercear nossa liberdade”, afirmou o engenheiro civil aposentado Cipriano Oliveira, de 65 anos

PM afirma que grupo neonazista deflagrou o conflito em São Paulo



O secretário-executivo da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, disse em entrevista à CNN Brasil, na tarde de hoje, que o início do embate entre grupos pró e contra o presidente Jair Bolsonaro na Paulista teve início devido à presença de uma grupo de neonazistas no local.

Camilo não confirmou de qual lado estava o símbolo que provocou revolta de manifestantes que protestavam contra fascismo e a favor da democracia, mas nas redes sociais, divulga-se uma bandeira com o brasão da Ucrânia como sendo esta a bandeira neonazista. "O conflito começou por causa disso", disse o secretário-executivo, pontuando que a presença do grupo de neonazistas foi o estopim da manifestação.

O secretário afirmou que a polícia irá apurar o fato ao longo da semana. Antes, um grupo composto por torcidas organizadas de times como o Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos protestava a favor da democracia. Na mesma avenida, um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro também protestava. Eles seguravam uma grande faixa
que dizia: "SOS Forças Armadas".

Houve crítica nas redes sociais em relação à postura da Polícia Militar, que agiu de forma mais enérgica contra o grupo contrário ao presidente Jair Bolsonaro. O secretário-executivo da PM afirmou que "a polícia vai garantir a liberdade de expressão de todos". "Onde houver quebra da ordem, haverá intervenção policial", disse.

Bombas também no Rio de Janeiro

Também no Rio de Janeiro uma manifestação que de um lado reunia apoiadores de Jair Bolsonaro e, do outro, um grupo denominado antifascista, acabou dispersada pela polícia.

Primeiro, os manifestantes a favor e contra o presidente se reuniu nas proximidades do Posto 5, mesmo local onde já tinham se reunido antes. Como sempre, faziam críticas ao Supremo Tribunal Federal e gritavam a favor de Bolsonaro.

Depois chegou um grupo de torcedores que se autodenomina antifascista e passou a gritar palavras de ordem contra Bolsonaro. Diante da possibilidade do confronto, a polícia reprimiu os antifascistas e, para isso, usou bombas de gás. Um homem foi detido pela Polícia Militar e a manifestação antifascista se dispersou.

A concentração no Posto 5, em Copacabana, começou por volta de 10 horas, com o grupo de manifestantes bolsonaristas vestidos de verde e amarelo ocupando o calçadão em frente à praia. Gritavam slogans já conhecidos, como "a nossa bandeira jamais será vermelha". Entre os manifestantes havia também alguns cartazes onde estava escrito "Trump 2020".
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