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Fernando Rocha
Mais um fim de semana sem futebol no país, que vê a curva de novos casos do Covid-19 crescer a cada dia, assustando agora principalmente as cidades do interior, onde a ocupação dos leitos de UTI está chegando ao limite, o que significa um número de óbitos cada vez maior.
Lamentável! E não foi por falta de aviso, pois o mau exemplo de outros países, aqueles que passaram primeiro pela pandemia, deveria nos ter servido de lição. Mas a ignorância, o despreparo, o desrespeito à ciência é tanta que não chega a ser surpresa o ponto a que chegamos agora.
E como falar de futebol em meio a uma crise dessas? Como pensar em futebol, se nós estamos agora no centro da maior pandemia da história mundial e com mais de mil mortes de brasileiros registradas diariamente?
Só mesmo esses dirigentes irresponsáveis e malucos, sobretudo no Rio de Janeiro, onde, exceto os do Botafogo e Fluminense, todos querem a volta do futebol a qualquer custo, sem se importar com milhares de vidas humanas perdidas e que ainda podem se perder para o novo coronavírus.
Um consolo
Eu, você, todos nós, estamos loucos para ver de novo o Cruzeiro, Atlético, Ipatinga, América, enfim, os nossos times do coração disputando torneios e competições do calendário oficial, paralisado desde meados de março. Mas não podemos ser loucos a ponto de querer expor a vida de ninguém em troca de uma partida ou de um jogo de futebol.
Por enquanto, se serve de consolo, vamos nos contentar com o Campeonato Alemão, que terá mais uma rodada neste fim de semana, com dois bons jogos hoje, Borussia Mönchengladbach x Union Berlin (10h30) e Colônia x Leipzig (13h), sem abraços nas comemorações de gol, cinco substituições para cada lado e outras particularidades do “novo normal” no futebol.
Dentro de poucos dias voltarão também os campeonatos da Inglaterra, Itália e Espanha. Portanto, sem ver um jogo “ao vivo” nós não vamos ficar, até porque, a bem da verdade, o nível técnico do futebol deles é muito superior ao nosso.
FIM DE PAPO
• Durante uma live nas redes sociais do Cruzeiro, o presidente eleito, Sérgio Santos Rodrigues, deu a boa notícia que a torcida aguardava com ansiedade: o clube pagou na última quinta-feira ao clube Zorya, da Ucrânia, cerca de R$4 milhões vencidos pela aquisição do atacante Willian Bigode, em 2014, que poderia resultar em nova punição da Fifa com perda de pontos na disputa da Série B nacional.
• O dirigente explicou que existem dois processos do Cruzeiro com o Zorya. O que venceu foi pago e o que vai vencer mais adiante, que eleva a dívida para quase R$ 11 milhões, ainda está em fase de julgamento. Ele também revelou que pagaria os salários atrasados de jogadores e funcionários, graças à ajuda do empresário Pedro Lourenço, dono de uma rede de supermercados e mecenas do clube. Agora é aproveitar este momento de paz, coisa rara no Cruzeiro ultimamente, para cuidar da montagem do time que terá a árdua tarefa de buscar o retorno, ainda este ano, à elite do futebol nacional, onde é o seu lugar.
• Rodrigo Capelo, jornalista do globoesporte.com, especialista em negócios do esporte e um dos autores da matéria do “Fantástico” que denunciou a má gestão no Cruzeiro e resultou na queda de toda a diretoria celeste, deixou a torcida do Galo apreensiva na última quinta-feira. Capelo disse, em sua conta no Twitter, que a “coisa tá feia”, citando números do balanço oficial do Atlético na gestão do presidente Sérgio Sette Câmara.
• Capelo é um jornalista especializado em investigar negócios e transações financeiras de clubes, e diz que em dois anos o presidente Sette Câmara aumentou as dívidas do Galo de R$ 652 para R$ 745 milhões. Eu acho bem pouco provável que se repita no alvinegro o mesmo caos administrativo e financeiro visto no seu maior rival, mas como diz um velho ditado popular aqui dos nossos grotões, “cachorro mordido de cobra tem medo até de linguiça”. (Fecha o pano!)