Cúmplices da crise

Luiz Affonso Romano *

O Brasil continua vivendo a síndrome da crise, para a qual foi arrastado pela recessão econômica, manutenção de privilégios, adiamento da discussão das reformas e transtornos na área política. Em nome delas, o desenvolvimento é sucessivamente adiado. Enquanto não ocorre, os braços continuam cruzados. Agora, por exemplo, a desculpa está na definição das reformas. Os negócios, antes devagar e muitas oportunidades perdidas, com a chegada da Covid-19, pararam de vez.

Cabe aos consultores, além de apontar caminhos próprios e independentes para alcançar o desenvolvimento, encaminhar saídas para debate. Nesse terreno, graças às múltiplas experiências, o olhar enviesado e crítico e à própria natureza do nosso trabalho, os consultores sabem caminhar. Essa tarefa pode e deve envolver os clientes, a mídia e as autoridades, apresentando propostas concretas para a retomada do crescimento econômico e social. Caso nada seja feito, seremos cúmplices da crise e responsáveis por mais uma década perdida.

Agora que o pico do coronavírus se aproxima, nosso cotidiano mudou e não temos qualquer referência que nos sirva de bússola. Daqui para frente, os choques socioeconômicos serão devastadores e transformações mais aceleradas no emprego e no trabalho.

Assim, os consultores precisam estar conscientes e persistir na tecla da redução das desigualdades e na busca de parcerias na América do Sul; aqui somos grandes em território, PIB e população e contemporâneos.

A democracia permite e exige a participação de todos, o exercício da cidadania na sua plenitude; mormente porque o peixe não entende lá muito bem o que é o mar… Ademais, o passado já está feito, mas o presente pode servir de base para construir o futuro.

* Consultor organizacional e de pessoas, CEO do Laboratório da Consultoria, presidente da ABCO e coordenador da pesquisa anual Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil
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