Retrato do clube

Fernando Rocha

Divulgação


Fernando Rocha
As eleições realizadas quinta-feira passada no Cruzeiro foram um retrato da situação vivida pelo clube no momento atual, marcadas por muita confusão, sobretudo do lado de fora do local de votação, com aglomeração de integrantes de torcidas organizadas que vaiavam ou aplaudiam quem chegava para votar.

O tumulto maior foi registrado na chegada e saída do ex-diretor Sérgio Nonato e do ex-presidente Zezé Perrela, que até ganhou uma cusparada no rosto, sendo salvo pela máscara que estava usando, fato que por qualquer lado que se veja é algo abjeto e passível de condenação.

Ao fim de tudo, o resultado confirmou o favoritismo do advogado Sergio Rodrigues, que derrotou o seu adversário Ronaldo Granata (269 x 74) por larga margem de votos.

O Conselho Deliberativo também elegeu uma nova composição, saindo vitorioso Paulo César Pedrosa, por apenas dez votos de vantagem, ele que teve o apoio da ala chamada “Família União”, responsável pela eleição de Wagner Pires de Sá, em 2017.

Em outubro ou novembro próximo haverá uma nova eleição, esta sim, válida para o triênio 2021-2023, onde Sérgio Santos Rodrigues, dependendo do desempenho neste mandato-tampão, poderá ou não vir a ser reeleito.

Desafio gigante
O que se diz nos bastidores é que pouco ou nada vai mudar, e nós vamos esperar e conferir. Mas é fato que, para se eleger, Sérgio Santos Rodrigues contou com o apoio dos ex-presidentes Gilvan de Pinho Tavares, Zezé Perrella e Alvimar Perrella, que comandaram politicamente o clube nas últimas três décadas e que são corresponsáveis diretos por todo o atual caos administrativo.

Outra peça fundamental para a vitória de “SS” nesta eleição foi o apoio do empresário Pedro Rodrigues, que vem a ser dono de uma das maiores redes de supermercados do país e tem sido o maior “mecenas” da agremiação nos últimos anos.

O novo presidente assume o clube oficialmente no dia 1º de junho, mas já dá os seus pulos na busca de recursos, a fim de solucionar casos mais urgentes relacionados às dívidas na Fifa, que já puniu o clube com a perda de seis pontos na disputa da Série B nacional, por não ter pago uma dívida de R$ 5,5 milhões ao Al Wahda, dos Emirados Árabes, referente à contratação do jogador Denílson, há quase uma década.

FIM DE PAPO
• Além de buscar recursos para quitar a dívida com os árabes e evitar punições ainda mais pesadas, Sérgio Rodrigues terá que arranjar dinheiro até o dia 29 deste mês, prazo final para pagar outra dívida de R$ 11,2 milhões, agora com o Zorya, da Ucrânia, que diz respeito à contratação de Willian Bigode e espetada desde 2014 no prego da Fifa, herança da administração de Gilvan de Pinho Tavares.

• Caso contrário, serão menos seis pontos na Série B de 2020, totalizando 12. Aí, nem os times do Real Madrid ou do Barcelona conseguiriam subir ainda este ano à Série A nacional. O total da dívida da Raposa em andamento na Fifa é de aproximadamente R$ 110 milhões. O mais assustador é que mais da metade deste total, cerca de R$ 56 milhões, vencem até o fim deste ano.

• Como se não bastasse, os salários de jogadores e funcionários já estão com dois meses de atraso. Para piorar, o momento é o pior possível, pois estamos no olho do furacão de uma pandemia mundial, a do Covid-19. Não o conheço pessoalmente, mas Sergio Santos Rodrigues demonstra ser corajoso e bem articulado. Ele não pode dizer “a cigana me enganou”, pois foi colocado à par de todos os problemas vividos pelo clube antes da eleição.

• Além de competência, ele vai precisar de muita sorte. Como escreveu o grande Nelson Rodrigues, “sem sorte o sujeito não consegue atravessar a rua, morre atropelado pelo carrinho de picolé”. Também há controvérsias. Na peça teatral “O Preço”, obra prima do genial autor norte-americano Arthur Miller, escrita em 1968, há o relato de um velho judeu, protagonista da trama, que acaba de fechar um de seus últimos negócios. No ato, um jovem gentil diz a ele: “Boa Sorte!”. O velho judeu, do alto da sua sabedoria, lhe responde: - “Ah! Boa sorte? Boa sorte a gente só sabe muito tempo depois”. (Fecha o pano!)
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Comentários

Tião Aranha 23 de maio, 2020 | 13:31
Com tanta brigalhada, só não pode é virar o coxo. Brincadeira.

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