Veterinária chama atenção para mortes por chumbinho

Profissional tem propagado conteúdos nas mídias sociais em busca de conscientização

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABR


Bichos ainda são alvo de envenenamento, apesar da legislação e punições

O envenenamento de animas por chumbinho ainda tem ocorrido. Em busca do fim desse cenário, a veterinária Cibele Assis Neves, que é de Ipatinga, mas atende também em Santana do Paraíso, tem chamado a atenção para esse fato por meio da divulgação de materiais e conteúdos contra a prática criminosa. Campanhas como essa têm sido veiculadas pela Sociedade de Medicina Veterinária do Vale do Aço (Açovet) e profissionais vinculados, já há algum tempo. O chumbinho, como explica Cibele, é uma substância granulada, de cor escura, que contém aldicarb e outros inseticidas. Quem for pego utilizando esse composto em bichos será enquadrado nos rigores da lei por maus tratos.

Cibele Neves pontua que o chumbinho é um veneno agrícola para uso como inseticida, mas que teve seu fim desviado e passou a ser vendido também como raticida. “Não possui cheiro, nem sabor, por isso existe o hábito cultural de algumas pessoas, inclusive em nossa região, de usarem esse produto para matar ratos. Embora seu comércio seja ilegal, e seu uso proibido no Brasil, algumas lojas agropecuárias, de forma irresponsável, mantém esse crime, comercializando às escondidas, de forma clandestina e ilegal. O comércio, embalagem, fracionamento e/ ou fabricação de chumbinho, caracteriza-se infração sanitária penal, por violação da Lei Federal n°6360/1976”, alerta.

Para a médica veterinária, ainda existe uma vertente cultural, passada de geração a geração, em relação ao envenenamento de animais. “Ainda nos dias de hoje vemos gatos que rodam casas de criadores de passarinhos e cães errantes abandonados nas ruas, e que são as maiores vítimas desse crime, covarde, de envenenamento. Ainda sobre cães errantes, abandonados nas ruas por mais diversas causas, é outra situação cruel e criminosa prevista em lei. No Vale do Aço existem ONGs, Centro de Zoonoses e principalmente canais e grupos de adoção e doação de animais, onde, em caso de impossibilidade de um tutor manter seu animalzinho, pode encaminhá-lo aos cuidados de outra pessoa, mas nunca, abandoná-lo”, pondera.

Crime

O tenente da Polícia Militar de Meio Ambiente, Wilson Ferreira de Moura, salienta que existe o crime de maus tratos para aquele que ferir, mutilar ou provocar a morte, como é o caso do chumbinho, sendo aplicada detenção de três meses a um ano, além de responder processo criminal por essa prática.

“Em relação a envenenamento não temos recebido denúncias, mas de maus tratos sim, seja por privação de alimentação, água, manter em local insalubre ou inadequado. Por envenenamento é muito raro. Em alguns casos pode acontecer de a pessoa utilizar veneno para matar rato e o cachorro comer, por exemplo. De um modo geral, percebemos que a classe social interfere um pouco mais nessa prática. Quem tem poder aquisitivo menor, a incidência de maus tratos é maior. Por não ter condições de cuidar, o animal vive com a pessoa num ambiente insalubre. Mas culturalmente nós vemos uma redução do uso de chumbinho e situações do tipo, até mesmo pela legislação, não se acha em qualquer lugar”, aponta.

Telefone

Maus tratos a animais podem ser denunciados, se estiverem ocorrendo naquele momento, por meio do 190. Em caso de outras denúncias nesse sentido, a ligação pode ser feita pelo número 181.
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