Guedes pede contribuição de servidores públicos para superar crise

Ministro da Economia pede que Congresso não derrube veto a reajustes

© Marcello Casal JrAgência Brasil

(Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil)
Os servidores públicos e o Congresso Nacional precisam contribuir para a manutenção do eventual veto do presidente Jair Bolsonaro ao reajuste para determinadas categorias do funcionalismo estadual e municipal, disse hoje (15) o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele discursou por cerca de uma hora em evento de balanço dos 500 dias de governo e ressaltou que o governo não quer retirar direitos de nenhum servidor, apenas pedir um esforço conjunto para impedir o descontrole das contas públicas.

“Na hora em que estamos fazendo esse sacrifício, que o Brasil está no chão, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão, que usem a desculpa da crise da saúde para saquear o Brasil na hora em que ele cai. Nós queremos saber o que podemos fazer de sacrifício para o Brasil nesta hora. E não o que o Brasil pode fazer por nós”, declarou o ministro, referindo-se às tentativas de manter os reajustes para as categorias do funcionalismo que trabalham diretamente no enfrentamento à pandemia de coronavírus.

Segundo o ministro, o servidor público que eventualmente superar a carga horária pode receber horas extras, sem necessidade de pedir aumento. Ele classificou como um esforço de guerra contra o vírus o congelamento de salário por 18 meses, que valerá para a maioria dos servidores estaduais e municipais conforme o projeto de lei aprovado pelo Congresso.

“Nossos heróis não são mercenários. Que história é essa de pedir aumento de salário porque um policial vai exercer sua função? Ou porque um médico vai à rua exercer a sua função. Se ele trabalhar mais por causa do coronavírus, ótimo. Ele recebe hora extra. Mas dar medalhas antes da batalha? As medalhas vêm depois da guerra”, afirmou.

De acordo com o ministro da Economia, o congelamento é essencial para que as despesas com o funcionalismo não subam nos próximos anos e para que o país tenha condições de investir mais nos próximos anos. “São centenas de bilhões que seriam transferidos para rentistas. O dinheiro continua tranquilo, mas pode ser empregado para investimentos em saneamento, por exemplo. O Brasil virará uma força movida pelo empreendedorismo”, disse.

O ministro criticou ainda parlamentares e oposicionistas que têm pressionado para derrubar no Congresso o eventual veto do presidente Bolsonaro a reajustes para o funcionalismo local. “A reconstrução de um país leva anos. Passamos um ano e meio tentando reconstruir. Quando estamos começando a decolar, somos atingidos por uma pandemia. Vamos nos aproveitar de um momento deste, da maior gravidade de uma crise de saúde, e vamos subir em cadáveres para fazer palanque? Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do governo?”, questionou.

Atividades essenciais

Guedes defendeu ainda que algumas atividades, como a construção civil, sejam consideradas serviços essenciais. Segundo o ministro, a manutenção de protocolos de saúde, com exames constantes nos trabalhadores e distanciamento físico, permitirá manter a economia girando em meio à pandemia.

“Na construção civil há 55 mil pessoas trabalhando, recebendo protocolos de como trabalhar, máscara, distanciamento durante o período de trabalho, informação. E o resultado são menos de 100 mortes [no setor]. São 100 em estado grave e 10 mortes, com 55 mil pessoas trabalhando”, destacou o ministro, que não mencionou a fonte dos números.

Na avaliação do ministro, o tratamento no trabalho é essencial para a retomada da economia. “O que significa que, se houver um protocolo eficiente, vivendo cinco, seis ou sete pessoas em um pequeno espaço confinado, a probabilidade da infecção ali é maior do que se ele estiver no trabalho, bem cuidado, bem informado e sendo testado. Porque é teste e tratamento. Testou, está bom? Segue trabalhando. Está ruim? Tratamento”, acrescentou.

Balanço

O ministro fez um balanço das medidas emergenciais tomadas pelo governo para transferir renda à população vulnerável e manter o emprego. Para Guedes, o Brasil está agindo melhor que os Estados Unidos nesses requisitos. “Os americanos, nas últimas cinco semanas, demitiram 26 milhões de pessoas, e o Brasil perdeu menos de 1 milhão de empregos e preservou, registrados, 7,5 milhões de empregos com esse programa nosso”, disse.

Sobre o auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras), o ministro declarou que o Brasil está conseguindo ajudar mais pessoas que os Estados Unidos e de forma mais eficiente. “Foram 40 milhões de brasileiros digitalizados em duas ou três semanas, o dinheiro chegando. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o cheque não chegou ainda para a maior parte da população, no país mais avançado e mais rico do mundo. E nós, aqui, sendo apedrejados enquanto lutamos em defesa do país”, acrescentou. O ministro também não citou a fonte dos números nos Estados Unidos.

Guedes destacou ainda que as exportações de commodities (bens primários com cotação internacional) subiram nos últimos meses, contrariando as previsões. “O Brasil é a única economia do mundo que está aumentando as exportações. Curiosamente, no momento em que o meteoro atinge o Brasil com essa pandemia, o que era maldição vira benção. As cadeias produtivas estão rompendo, e o Brasil está vendendo produtos agrícolas e minérios”, comentou.

Além de Guedes, o evento do balanço dos 500 dias de governo teve a presença da ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves; do ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, e do ministro da Secretaria de Governo da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.
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Comentários

Taurus 17 de maio, 2020 | 17:11
Promessa feita, promessa cumprida!!!

Vamos cortar os privilégios!!!

Dos pobres né!!!

Viva o bostonaro!!!
Zoio de Zoiar 17 de maio, 2020 | 16:57
Queria ver esse mesmo sacrifício vindo do Judiciário e Legislativo. Esses dois poderes levianos, surrupiam nossos direitos e ainda mete na cadeia quem discorde. Ou todos se sacrificam, ou ninguém se sacrifica. A base da piramide não aguenta mais carregar esses dois poderes nas costas.
Clicia Adriana Santos Maia m 17 de maio, 2020 | 15:22
Guedes com todo respeito meu salário está congelado desde que dou aula há 17 anos pede pra senadores deputados ministros vereadores governadores abrirem.mao dos seu benefícios que seria uma grande demonstração do caráter que eles não tem.
Zeze 17 de maio, 2020 | 11:51
Isso mesmo vamos taxar grandes fortunas e afastar os investidores daqui. Quando 1 dollar chegar a 20 reais, faça L de Lula livre.
Manuel do Socorro Lobato da Cunha 17 de maio, 2020 | 07:36
Em resposta a TRISTE E ERRÔNEA fala desse que está temporariamente "Ministro". Tenho tempo para pedir minha aposentadoria, depois de 30 anos contribuindo mensalmente para o Estado, Infelizmente temos que ouvir palavras de DESVALORIZAÇÃO E OFENSIVAS A DIGNIDADE, de quem fez CONCURSO PÚBLICO, para entrar no serviço público. Minha proposta é simples CADA MINISTRO DEIXAR DE RECEBER OS PRIVILÉGIOS QUE TEM, COMO:CARRO, AUXILIO MORADIA, PASSAGEM AÉREAS,SEGURANÇA, ENTRE OUTRAS e PASSE A RECEBER SOMENTE 03 (TRÊS) SALÁRIOS MÍNIMOS, ATENÇÃO, EU DISSE 03 SALÁRIOS MÍNIMOS. AÍ, SIM, VAMOS VER QUEM SÃO OS "PARASITAS", "MERCENÁRIOS", "ASSALTANTES DO ERÁRIO PÚBLICO".
O QUE ME ALEGRA MUITO, É SABER QUE PESSOAL DESSE TIPO(TEMPORÁRIO) PASSAM E O SERVIDOR PÚBLICO CONCURSADO FICA.
Gildázio Garcia Vitor 16 de maio, 2020 | 13:52
Há mais de 37 anos que venho contribuindo, inclusive pagando IR, com o Brasil. Até aceito o congelamento dos meus salários (MG e PMI) por 18 meses, caso o Dr. Guedes me ofereça como contrapartida a taxação das grandes fortunas e retire os subsídios e isenções fiscais que o Estado, bondosamente, sempre deu a determinados grupos empresariais.

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