Fabricianense recebe prêmio no Canadá

Jhonatan de Souza Oliveira recebeu o prêmio de melhor tese de doutorado da Associação Canadense de Inteligência Artificial

Arquivo pessoal


Jhonatan de Souza contou acerca da sua trajetória na área acadêmica e da premiação que recebeu recentemente
(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)
Considerada um ramo de pesquisa que busca construir mecanismos ou dispositivos que simulem a capacidade do ser humano de pensar e resolver problemas, a Inteligência Artificial tem crescido bastante nesses últimos anos. Diversas pesquisas têm sido feitas para auxiliar nos trabalhos e projetos dos profissionais que atuam nessa área. Um deles é o fabricianense Jhonatan de Souza Oliveira, de 29 anos, que até recebeu o prêmio de melhor tese de doutorado da Associação Canadense de Inteligência Artificial, nesta última sexta-feira (15).

Em entrevista ao Diário do Aço, Jhonatan de Souza contou acerca da sua trajetória na área acadêmica e da premiação que recebeu recentemente. Atualmente, ele reside na província de Saskatchewan, no Canadá. Conforme o fabricianense, em 2009 ele ingressou no curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Minha graduação foi bem proveitosa, pois a UFV proporciona diversas oportunidades para seus estudantes. Por exemplo, fui membro de um grupo de pesquisa em Futebol de Robôs do Departamento de Engenharia Elétrica por mais de três anos. No meu penúltimo ano de engenharia, fui premiado com uma bolsa para fazer intercâmbio na Universidade de Regina (UofR), província de Saskatchewan, no Canadá. Como parte do programa Ciência Sem Fronteiras, participei de um grupo de pesquisa, onde conheci meu supervisor, Dr. Cory Butz. Ele me convidou para um mestrado, depois que eu terminasse minha graduação no Brasil. Por isso, depois de concluir meu curso de Engenharia Elétrica na UFV, em 2014, iniciei meu mestrado em Ciências da Computação na UofR, no Canadá, logo em seguida”, explicou.

Doutorado

Jhonatan de Souza relatou que se apaixonou pela Inteligência Artificial durante seus estudos e no fim do seu mestrado foi premiado com uma bolsa de estudo do Governo do Canadá como parte de um programa de retenção de pesquisadores. “Essa bolsa me deu a oportunidade de fazer um doutorado, também na UofR. Durante meu mestrado e doutorado, publiquei mais de 25 artigos acadêmicos, um recorde de publicações na UofR. Mais para o fim do meu doutorado, minha pesquisa sobre Inteligência Artificial teve interesse internacional. Por isso, fui convidado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para uma visita de três meses. Depois disso, terminei meu doutorado em dezembro de 2019 e fui contratado como pesquisador pela empresa Microsoft”, afirmou.

Prêmio

O fabricianense revelou que ficou surpreso ao descobrir que receberia o prêmio de melhor tese de doutorado da Associação Canadense de Inteligência Artificial, o que ocorreu na sexta-feira (15). “Me sinto lisonjeado e muito feliz em ver meu trabalho reconhecido, ainda mais porque o Canadá é referência na área de Inteligência Artificial. Desse modo, não tenho dúvidas de que a concorrência por esse prêmio foi muito alta. Por isso, fico muito feliz e orgulhoso do meu trabalho por todos esses anos. Além disso, estou concorrendo à Medalha de Ouro da Universidade de Regina como melhor estudante de graduação”, disse.

Persistência

Na avaliação de Jhonatan de Souza, a persistência foi determinante para ter ganhado o prêmio no Canadá. “Acredito nos resultados do trabalho diário. É preciso insistir. Por muitas vezes, tive meu trabalho rejeitado ou não apreciado pela comunidade acadêmica. Foi essencial eu compreender as críticas que recebi para fortalecer os meus resultados. Não desistir foi essencial para eu ter conseguido ganhar esse prêmio”, salientou.

Conselho

Para o fabricianense, a área de Inteligência Artificial é muito vasta e grupos de pesquisa de todo o mundo trabalham nos problemas mais difíceis da área. “Isso pode ser um pouco intimidador. Um estudante começando nesse ramo pode desanimar. Porém, aconselho a persistir. As grandes ideias na área vêm da criatividade e imaginação, e não de equipamentos ou grandes laboratórios. Isso torna a Inteligência Artificial uma área bem democrática e acessível. Um pesquisador independente tem o mesmo potencial produtivo de um laboratório em uma grande universidade. Portanto, aconselho a começar pequeno, estudar aquilo que mais interessa, se divertir com os desafios, não desanimar com os problemas e, acima de tudo, sonhar grande”, pontuou.

Motivo de orgulho e felicidade para a mãe

Saber que seu filho recebeu uma premiação em outro país foi motivo de muito orgulho e felicidade para a mãe de Jhonatan, Luzinete Pereira Souza. Moradora do bairro Giovanini, em Coronel Fabriciano, Luzinete contou ao Diário do Aço que seu filho, desde criança, sempre se destacou nos estudos. “Ele já foi premiado em outras circunstâncias, mas é sempre uma surpresa tão feliz quando isso acontece. Ainda mais com um prêmio nacional no Canadá. Ele não só representa nosso país, mas também toda a educação básica que ele recebeu aqui, em Coronel Fabriciano”, afirmou.
Arquivo pessoal


Jhonatan e sua mãe, Luzinete Pereira Souza

Luzinete ainda ressalta que quando Jhonatan era adolescente, participava de concursos literários da região do Vale do Aço e foi premiado algumas vezes pelo Clube dos Escritores de Ipatinga (Clesi).

“Em um dos prêmios literários, ele ganhou livros para a biblioteca da escola onde estudava, o Colégio João Calvino, e foi convidado para um café da manhã com o então prefeito de Coronel Fabriciano. Já na faculdade, ele ajudou a fundar um grupo de teatro na UFV, onde participou de vários festivais e foi também premiado algumas vezes. Essa mistura entre o mundo da engenharia e da arte faz ele pensar diferente”, explicou.

Outro ponto que Luzinete destaca é que seu filho tem uma característica altruísta. “Ele já participou de atividades que ajudavam a nossa comunidade. Quando criança, ajudou a fundar o jornal da Associação de Moradores, do bairro Sílvio Pereira I, ajudou no grupo de jovens da comunidade São Pedro Apóstolo e até na faculdade participou de projetos de extensão, ensinando crianças carentes de Viçosa. Portanto, estou muito orgulhosa de tudo que o Jhonatan conseguiu conquistar ao longo desses anos”, concluiu.
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Comentários

Marcy Hosken Portes 18 de maio, 2020 | 06:57
Tendo morado e trabalhado como Professora em Cel Fabriciano durante muitos anos e, hoje, morando na França fico feliz em ver um brasileiro chegar onde ele chegou. Ao mesmo tempo triste de constatar que Programas como " Ciencia sem fronteiras" do qual ele beneficiou nao existe mais no Brasi atual comandado por um bando de incultos com pretensoes perigosas claramente nazistas.
José Cordeiro Neves 17 de maio, 2020 | 23:03
Parabéns ao jovem Doutor e também aos familiares.
O Vale do Aço sendo bem representado no campo da ciência.
Meus respeitos!
Leoncio Simoes 17 de maio, 2020 | 19:41
Parabens que deus abencoe seu trabalho
Gildázio Garcia Vitor 17 de maio, 2020 | 19:19
Parabéns Jhonatan por todas suas conquistas e que suas lições sirvam de incentivos para outros jovens promissores como você. Espero que tenha sido aluno do meu grande amigo e companheiro de sonhos e de lutas na Educação, o Professor Alfim (Mat. e Física).

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