Marcello Casal /Agência Brasil
A saída de Teich do Ministério da Saúde já era esperada
O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão na manhã dessa sexta-feira (15), como já era esperado. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde, em nota.
Ao longo da semana Teich passou a ser visto como fantoche para as ações de Jair Messias Bolsonaro, que entregou a pasta aos militares.
Teich não chegou a completar um mês no cargo — assumiu a pasta em 17 de abril. O general Eduardo Pazuello assumiu interinamente o comando da Saúde.
O ministro pediu demissão após ser pressionado por Bolsonaro a mudar o protocolo do Ministério da Saúde sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19.
Também incomodou Teich o fato de Bolsonaro tomar decisões relacionadas à saúde sem consultar o ministro. Na segunda-feira (11), Teich descobriu pela imprensa que o presidente havia colocado academias, salões e barbearia na lista de serviços essenciais.
Boquiaberto diante da pergunta de jornalistas, o ministro ficou sem saber o que responder e, por fim, afirmou que era um atribuição do presidente e do Ministério da Economia.
Divergência no uso da cloroquina Nelson Teich afirmou que hoje é o dia “mais triste de sua vida” e mais uma vez se colocou contra propostas do presidente Jair Bolsonaro para enfrentar a pandemia do coronavírus.
“Não vou manchar a minha história por causa da cloroquina”, afirmou, de acordo com a CNN Brasil. O encontro com o presidente, quando foi apresentado o pedido de demissão ocorreu fora da agenda oficial e durou apenas 15 minutos.
Contando com a demissão de Teich a qualquer momento pela discordância em relação ao uso da cloroquina para tratamento da Covid-19, Jair Bolsonaro já tinha acertado com o general Eduardo Pazuello para que assumisse o Ministério da Saúde. Pazuello estava como o número 2 da pasta para tutelar o ministro.
Teich se colocou na linha de tiro após divulgar tuítes que prega cautela no uso de cloroquina para tratamento do coronavírus. Contrariado, Bolsonaro desautorizou publicamente o ministro e marcou uma reunião fora da agenda na quinta-feira (14) para falar sobre o assunto.