Quadrinizando clássicos brasileiros

O Triste Fim De Policarpo Quaresma (Lima Barreto) e O Alienista (Machado de Assis) focam no público jovem

Quadrinizar os clássicos da literatura não é uma iniciativa inusitada, mas continua sendo uma boa ferramenta para introduzir o leitor e o não leitor nos clássicos.

A Editora Melhoramentos aderiu a essa tendência há algum tempo, e está ampliando o catálogo com mais dois lançamentos: O Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, com adaptação e roteiro de Gonçalo Júnior e desenhos de Franco de Rosa; e O Alienista, de Machado de Assis, com adaptação e roteiro de Franco de Rosa e desenhos de Arthur Garcia.

Divulgação/ACS Ed. Melhoramentos

"A estratégia procura levar o leitor jovem a desvendar os clássicos, a partir dessa primeira experiência em outro formato, em um gênero como os quadrinhos, que desperta interesse", diz a editora Leila Bortolazzi.

Em O Triste Fim de Policarpo Quaresma, o protagonista criado por Lima Barreto é um funcionário público que leva seu nacionalismo ao extremo. Ele valoriza tanto a cultura brasileira que propõe a adoção do tupi-guarani como idioma oficial do Brasil.

Apoiado pelo amigo Ricardo e a afilhada Olga, Policarpo é incompreendido pela sociedade e autoridades, e seu patriotismo exacerbado acaba levando a um desfecho trágico.

No conto O Alienista, de Machado de Assis, com linguagem irônica e humor refinado, o autor explora a análise psicológica e a crítica social.

Simão Bacamarte é um médico psiquiatra formado na Europa que se instala em sua cidade natal, Itaguaí, onde monta o manicômio Casa Verde, bem recebido pelos moradores locais até que eles começam a perceber que os diagnósticos do doutor começam a abranger um número exagerado de pessoas.

Policarpo
Não é a primeira vez que Franco de Rosa faz um trabalho desse gênero. "O mercado recebe bem adaptações de clássicos da literatura", diz ele. "Eu prefiro manter diálogos e textos originais nas legendas.

Respeitar o criador da obra é o maior desafio, e transpor para a linguagem desenhada as cenas descritas no livro é um desafio e tanto", explica.

Franco de Rosa é cartunista, ilustrador, jornalista e editor. Começou a carreira em 1972 criando quadrinhos em tiras para um jornalzinho de colégio e seu próprio fanzine. Criou personagens como Zamor, Chucrutz, Capitão Caatinga, Shadow Lady, Wagnel e Ultraboy, entre outros. O Zorro de capa e espada é o seu personagem mais famoso.

Divulgação/ACS Ed. Melhoramentos

Alienista
O grande desafio para Arthur Garcia ao adaptar O Alienista era lidar com a quantidade de personagens. Compreender que está fazendo uma tradução da obra, de uma linguagem para outra, implica em ceder. "O trabalho do adaptador é minimizar as perdas e maximizar os ganhos", define.

Gonçalo Junior é jornalista, roteirista e biógrafo, com dezenas de livros publicados, incluindo os roteiros de O Messias, Claustrofobia e Até que a morte nos separe. Publicou pela Companhia das Letras o livro A Guerra dos Gibis e acaba de lançar, pela Noir, Famigerado! - A biografia de Luz Vermelha, sobre o bandido que aterrorizou São Paulo na década de 1960.

FICHA TÉCNICA:
- O Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto
Adaptação e roteiro de Gonçalo Junior, desenhos de Franco de Rosa
72 páginas – R$ 45
ISBN: 978-85-06-08617-9

- O Alienista
Machado de Assis
Adaptação e roteiro de Franco de Rosa, desenhos de Arthur Garcia
72 páginas – R$ 45
ISBN: 978-85-06-08615-5
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