10 de maio, de 2020 | 10:00

Ipatinguense desenvolve projeto tecnológico para auxiliar no combate ao coronavírus

Em entrevista ao Diário do Aço, Mirelly Ferreira explicou que o projeto conta com 20 pesquisadores e profissionais voluntários fixos, espalhados pelo Brasil e exterior

Arquivo Pessoal
Mirelly Ferreira da Silveira foi a idealizadora do projeto ''Mayday Covid-19'', que conta com 20 pesquisadores e profissionais voluntários Mirelly Ferreira da Silveira foi a idealizadora do projeto ''Mayday Covid-19'', que conta com 20 pesquisadores e profissionais voluntários

(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)
Um grupo de pesquisadores voluntários desenvolve um projeto, usando inteligência artificial, para auxiliar no acesso às informações acerca do novo coronavírus (covid-19), de modo que possam contribuir para a tomada de decisões por parte dos governantes e autoridades. Esse projeto, chamado de “Mayday Covid-19”, foi idealizado no início de março deste ano pela estudante de Engenharia Aeroespacial Mirelly Ferreira da Silveira, de 22 anos. Segundo ela, o nome do projeto está relacionado a um jargão utilizado por pilotos de avião para pedir “socorro”. Natural de Ipatinga, Mirelly está atualmente em sua cidade natal.

Em entrevista ao Diário do Aço, Mirelly Ferreira explicou que o projeto conta com 20 pesquisadores e profissionais voluntários fixos, espalhados pelo Brasil e exterior. “Por causa da quarentena, estamos trabalhando por meio de home office (escritório em casa). Temos pesquisadores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Militar de Engenharia (IME), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) e dentre outras universidades brasileiras, inclusive um professor de modelagem matemática do Vale do Aço, Luciano Bittencourt, que também abraçou esse projeto. E temos médicos acompanhando o projeto, um deles é o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Gustavo Johanson. Além disso, temos pessoas de outros países que nos ajudam com o projeto, como dos Estados Unidos, França, Colômbia, Alemanha e Canadá”, informou.

Etapas

Mirelly Ferreira relata que escreveu o projeto e o dividiu em três etapas, dentre elas, a criação de uma plataforma de monitoramento de novos casos de coronavírus no país, a prevenção de possíveis lugares que poderão registar pacientes infectados pela doença e a aplicação de testes por meio de dispositivos fotônicos, que funcionam como sensores de temperatura. “Tive essa ideia de desenvolver o projeto em março deste ano, após voltar dos Estados Unidos, onde aprimorei meus estudos sobre inteligência artificial em visita a Universidade de Harvard. Ao chegar no Vale do Aço, percebi que ainda existia uma carência de informações sobre o novo coronavírus e sobre os seus sintomas no Brasil. Dessa forma, orei e decidi desenvolver o projeto e recrutar voluntários para trabalharem comigo” disse.

Reprodução
A primeira fase do projeto contou com a criação de uma plataforma que mostra o balanço de casos de covid-19, baseado nos dados das secretarias de saúde  A primeira fase do projeto contou com a criação de uma plataforma que mostra o balanço de casos de covid-19, baseado nos dados das secretarias de saúde
Áreas de conhecimento

Para desenvolver o projeto, Mirelly conta que o grupo de voluntários foi dividido em quatro áreas. “Cada área fica sob a responsabilidade de um coordenador, entre eles, os professores Harold Bustos e Dário Aloise da UERN, Francisco Carvalho do ITA e Rafael Pinheiro da USP. As linhas de pesquisa foram divididas nas áreas da computação, jurídica, médica e administrativa”, enumerou.

Monitoramento

Conforme Mirelly, a primeira fase, que é o monitoramento dos casos de coronavírus no país, já está pronta e disponível às pessoas. “Em nosso site www.dashboardcovidbrasil.com.br é possível encontrar mais informações do nosso projeto e mapeamento. Com dados georreferenciados de 5.000 cidades brasileiras, obtemos a latitude e longitude de cerca de 1.000 cidades, das quais, pelo menos 365 têm casos. Em seguida, desenvolvemos um mapa de atividade da doença por município no Brasil. Para isso, temos um grupo que fica responsável somente para coletar informações das secretarias de saúde. A nossa plataforma também conta com dados no âmbito mundial. O nosso programa de monitoramento foi criado em tempo recorde, com apenas seis dias, por mim e pelo desenvolvedor Vinicius Moreira Braga” disse.

Predição

Mirelly Ferreira relata que após o sistema de monitoramento, na segunda fase do projeto estão sendo utilizados os dados da plataforma para desenvolver um sistema de inteligência artificial para prever aonde o vírus irá se deslocar no futuro e uma simulação das cidades que mais seriam prejudicadas. “Nós georreferenciamos imagens geradas pelo nosso mapa da plataforma, baseada nos casos de coronavírus, e faremos essa predição unindo três modelos matemáticos, que estão sendo adaptados e implementados pelos voluntários do projeto. A nossa meta é trabalhar com uma margem de erro estatístico abaixo de 2%”, acrescentou.

Dispositivo fotônico

Para a terceira fase do projeto, Mirelly conta que, por meio da inteligência artificial da segunda fase e amostras de sangue de infectados, será desenvolvido um dispositivo fotônico, que poderá ser colocado em celular munido de câmeras térmicas ou disponibilizado para os postos de saúde, para medir a temperatura dos pacientes. “Ainda estamos na parte teórica e a ideia é que isso funcione por meio de um aplicativo nos celulares. Mas o objetivo é que essa fase seja o início da triagem nos atendimentos de pacientes com suspeita de coronavírus. Ou seja, vai funcionar da seguinte forma: o dispositivo fotônico vai apontar se a pessoa está com febre ou não, caso esteja, nosso sistema vai gerar um alerta para a secretaria de saúde do município. Se não estiver com febre, mas se o sistema detectar uma característica similar do vírus, também será gerado um alerta e a pessoa receberá uma mensagem ou será informada pelos profissionais dos postos de saúde para qual hospital ela deverá se deslocar. Confirmada a suspeita, o dado retorna ao nosso painel de casos automaticamente. O intuito disso é evitar possíveis aglomerações de pacientes nos hospitais, já que eles irão somente se a suspeita de covid-19 for confirmada nessa triagem”, detalhou.

Apoio

Para conseguir concluir o projeto, Mirelly destaca que o grupo de voluntários precisa do apoio do governo e de recursos para o andamento das demais fases da pesquisa. “É um projeto que tem crescido bastante. Temos voluntários de outros países querendo nos ajudar, mas ainda falta recursos e apoio à nossa pesquisa. É muito caro esse trabalho. Precisamos de um supercomputador para rodar a segunda fase do projeto, e criação do protótipo do dispositivo fotônico. No entanto, temos esse objetivo de ajudar no combate ao coronavírus e na tomada de decisões por parte dos órgãos públicos e autoridades. Têm muitas cidades que fecharam tudo, sendo que tinham apenas um caso confirmado ou nenhum. Portanto, nosso objetivo é avaliar tudo isso. Conseguir apontar qual o cenário verdadeiro do vírus no Brasil e o que podemos fazer para melhorar”, concluiu.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Leoncio Simoes

11 de maio, 2020 | 09:13

“Parabens que de tudo certo”

Daniele Cristina Guedes

10 de maio, 2020 | 17:47

“Boa tarde

Gostaria de ajudar neste projeto, mas não entendi bem em que parte vocês estão.”

Envie seu Comentário