30 de abril, de 2020 | 10:00
Crianças especiais precisam de atenção extra durante a pandemia
Neuropediatra destaca importância de se formar uma rede de proteção para elas
O novo coronavírus traz uma série de enfrentamentos. No caso das crianças que passam por algum tipo de acompanhamento, essa questão é ainda mais sensível. O médico neuropediatra Marcone Oliveira explica que, no caso da Covid, é preciso ter maior atenção com aquelas classificadas como especiais, que necessitam de cuidados diferenciados por parte dos adultos.
De uma forma geral, o médico destaca que as crianças especiais são aquelas com deficiência intelectual, down, autismo, paralisia cerebral, epilepsia, síndromes de Wiliams, de West, entre outras. Crianças especiais são aquelas que merecem uma atenção diferenciada e um cuidado diferenciado vindo dos adultos. Para a Covid, deveríamos pensar em crianças com autismo, síndromes, deficiência mental, paralisia cerebral e epilepsia, que são as que usam medicamento contínuo e que estão mais expostas a essa questão”, detalha.
Marcone Oliveira pontua que, com o avanço da Covid, as crianças especiais precisam ter um olhar e um tratamento especial. Temos que lembrar que as crianças especiais muitas das vezes apresentam comorbidades, que são doenças ou alterações que colocam essa população no grupo de risco. Podemos citar alterações imunológicas e até doenças crônicas prévias e temos de lembrar que muitas vezes o organismo da criança especial está trabalhando no limite. Qualquer infecção, ainda mais em casos como a Covid, pode colocar a criança nesse grupo”, alerta.
Outro detalhe: elas possuem um risco aumentado de contágio, principalmente em razão a hiper-reatividade sensorial. Em razão de algumas terem uma eficiência intelectual inferior, não entendem o comportamento social e às vezes colocam a boca em locais inadequados, tocam objetos, exploram com o olfato, cheiram as superfícies, abraçam muito as pessoas e isso faz com que estejam no grupo que tem maior risco de contágio”, salienta.
Mudanças
O neuropediatra ressalta que as mudanças da rotina impostas pela quarentena têm levado a um convívio íntimo das famílias, em um mesmo ambiente, e isso pode causar um sofrimento adicional à criança especial. Por isso há necessidade de intensificar os hábitos de higiene, que muitas vezes essa criança não consegue compreender. Há uma quebra na rotina das intervenções, das terapias, que poderiam aumentar os sintomas comportamentais, e então essas crianças acabam ficando mais agitadas, irritadas, impulsivas e ansiosas, o que pode também ser um fator de agravamento dos transtornos dessas crianças. Então, mais um fator importante para que a gente tenha um olhar especial por elas”, aponta.
Medicamentos
Um erro cometido por alguns pais é interromper o tratamento medicamentoso, principalmente nos casos que abordam o sintoma alvo, como irritabilidade, agressividade, automutilação e insônia. A orientação do médico é que isso não seja feito. Essa situação tem me trazido uma preocupação especial, porque tem chegado crianças com maior gravidade de seus transtornos de base, porque os pais acham que, por estarem em casa, têm que parar com o tratamento medicamentoso, já que não estão indo para a escola e outras situações que não estão fazendo”, exemplifica.
Cuidados
Como orientação do que fazer para assegurar a saúde dessas crianças, ele divide a saúde em relação à Covid e saúde mental. A primeira coisa em relação à Covid é tomar os cuidados de prevenção de contágio. Se a pessoa trabalha e mantém contato com outras, deve, ao chegar em casa, tomar banho, não ter contato com o filho e ensiná-lo sobre hábitos como lavar as mãos e regras de higiene e etiqueta respiratória.
Claro que para a criança especial pode-se explorar desenhos, ilustrações, dentro do nível de compreensão. A qualquer momento que sentir que existe falta de ar, deve-se procurar orientação médica. A qualquer momento que tiver uma febre, que sugira que essa criança possa estar infectada, que procure orientação médica”, orienta o médico.
Outro ponto em relação à saúde mental é fazer um planejamento fixo da rotina diária, com previsão de atividades como refeição, jogos, brincadeiras, dentro das possibilidades sociais da família. E mesmo à distância, em razão do isolamento, é preciso que se forme uma rede de proteção para essas crianças. Que tem a família como base, mas com os profissionais que as acompanham, desde o pediatra, neurologista, terapeuta, fono, para que em caso de dúvida essa equipe possa atuar prontamente. Sabemos que é um desafio para pais e crianças especiais, um desafio importante que estão passando nesse momento. Essa rede tem que servir como auxílio e orientação para a família”, conclui.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]















