27 de abril, de 2020 | 13:18
A bomba explodiu
Fernando Rocha
O grande assunto do fim de semana foi a situação do Atlético, que tinha prazo até ontem (27) para pagar uma dívida assumida em 2014, na gestão do ex-presidente Alexandre Kalil, referente à contratação do não mais que mediano atacante Maicosuel, ex-Cruzeiro, junto à Udinese da Itália.Kalil pagou apenas uma parcela e deixou o restante, algo em torno de 2,17 milhões de euros, cerca de R$ 9 milhões de reais no início deste ano, para que seu sucessor, Daniel Nepomuceno, pagasse, mas ele não pagou e deixou o caso rolar na FIFA, até chegar ao ponto que está agora, sem qualquer possibilidade de recurso.
O problema é que a Covid-19 tirou 2020 da curva, parou a economia mundial e o futebol não poderia ficar de fora. Os clubes foram atingidos em cheio, e estão hoje praticamente sem todas as suas principais receitas.
No Brasil a situação só piora, devido às constantes crises políticas provocadas por um governo maluco, que faz oscilar o câmbio para cima a todo instante, de tal forma que a dívida inicial do Atlético, contraída em euros, saltou de R$ 9 para mais de R$ 13 milhões.
Até o fechamento desta coluna, ontem, o presidente do Atlético não tinha como quitar a dívida, pois havia feito a previsão de um valor que agora subiu incontrolavelmente, podendo o clube vir a ser punido primeiramente com multa, depois com a perda de três a seis pontos no próximo Brasileirão, ou até mesmo ser rebaixado futuramente à Série B.
Momento de mudanças
Se considerarmos que o mundo não será mais o mesmo pós-Covid/19, este é o momento adequado para mudar a legislação civil e criminal, criar penas específicas para os desmandos e malfeitos praticados pelos dirigentes do futebol.
Desde que Charles Muller desembarcou no país com duas bolas debaixo do braço, em 1894, os cartolas, em sua maioria, entram pobres e saem ricos dos clubes que dizem amar e para o qual afirmam trabalhar de graça. Eles fazem o que bem querem na administração, deixam dívidas absurdas para seus sucessores, vão-se depois lampeiros e pimpões para curtir a vida, impunemente, com as fortunas amealhadas de forma fraudulenta ou criminosa.
Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Até que consigam me provar o contrário, o ex-presidente Kalil, atual prefeito de Belo Horizonte, não dilapidou o patrimônio e as finanças do Atlético em benefício próprio.
Ele foi o dirigente mais importante e vencedor na história do clube, que assumiu com as finanças muito piores do que estão hoje e deixou a situação controlada para o seu sucessor.
Este sim, Daniel Nepomuceno, não seguiu a mesma linha de Kalil em nada. No futebol foi um desastre total, e mesmo que não haja evidências de malfeitos ou desonestidade na sua gestão, não quitou dividas pendentes e deixou o barco rolar até chegar à atual situação, que estourou agora no colo de Sette Câmara.
FIM DE PAPO
A choradeira do presidente Sérgio Sette Câmara é compreensível. Afinal de contas, ele já teria pagado até hoje mais de R$ 60 milhões de dívidas deixadas por antecessores.
Por outro lado, se não tivesse sido tão incompetente na administração do futebol, escolhido e dado carta branca a diretores incompetentes como Alexandre Gallo e Rui Costa, que fizeram um monte de contratações equivocadas e atiraram milhões de reais no ralo, sem retorno algum, além de pagarem salários milionários a atletas de qualidade duvidosa, talvez o Atlético não estivesse atravessando esta atual situação dramática e estivesse com dinheiro suficiente em caixa para quitar os compromissos atrasados na FIFA.
Outro aspecto que deve ser observado é que, por desconhecimento ou ignorância, torcedores alvinegros questionam nas redes sociais a validade da construção do estádio próprio, por conta deste difícil momento financeiro que o clube atravessa. Uma coisa nada tem a ver com a outra. O dinheiro para construção do estádio, obra que com certeza vai elevar o patamar do clube no cenário nacional e só lhe trará benefícios, é uma verba carimbada fruto da venda de 51% do seu shopping, que não pode ser usada para outro fim que não seja o financiamento da obra.
Otimista por natureza, haja vista o mantra Eu Acredito” e a frase do eterno escritor Roberto Drumond - se tiver uma camisa preta e branca pendurada no varal o atleticano torce contra o vento” -, o atleticano não tem mais o que fazer, ele que não tem culpa nenhuma da irresponsabilidade ou incapacidade dos dirigentes do clube, a não ser aguardar o desenrolar dos acontecimentos.
Só o que lhe resta agora é torcer, pois não adiantará rezar para que aconteça algo parecido com o pé esquerdo de São” Victor naquela defesa milagrosa do pênalti batido por Riascos, aos 47 do 2º tempo, que impulsionou a conquista da Copa Libertadores em 2013. Isso não vai ocorrer de novo, não através do presidente Sette Câmara, para encontrar a saída deste imblóglio grave na FIFA e que ameaça o seu futuro. (Fecha o pano!)
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Tião Aranha
27 de abril, 2020 | 22:07Uma coisa que não entendo, time com dívida e querendo construir uma arena, isto é estádio; não bastasse os tantos que já tem por aí e, agora, tá faltando hospitais e/ou equipamentos pra salvar vidas. No Rio, faltando leitos, o maior clube pensando em contratar até o Jesus - ainda bem que não é o Cristo-, mas o Zico já abriu os abriu os olhos. Nada contra o futebol, é paixão dos brasileiros. E aqueles jovens que morreram no incêndio do Ninho do urubu, será que as famílias deles já foram devidamente ressarcidas? Cruzeiro, Atlético, Flamengo, ninguém questiona o patrimônio em imóveis que esses clubes possuem.”