25 de abril, de 2020 | 10:00
Por que nem todos pegam coronavírus?
William Passos *
A geografia do coronavírus pode ser explicada a partir de três elementos, segundo João Ferrão, professor da Universidade de Lisboa e um dos maiores geógrafos portugueses: exposição, suscetibilidade e vulnerabilidade.Na primeira fase, a da transmissão externa, a exposição está diretamente relacionada ao grau de abertura de cada área geográfica ao exterior. Áreas metropolitanas, sobretudo aquelas com aeroportos internacionais, são as mais expostas, ao passo que as áreas de interior, especialmente as mais isoladas, correm menor risco. Não à toa, foi na Região Metropolitana de São Paulo, que abriga o principal aeroporto internacional da América do Sul, Guarulhos, que se deu o primeiro registro de coronavírus do país. Ainda hoje, esta é a área geográfica de maior contaminação, transmissão e mortes por Covid-19 no Brasil, sendo a mais exposta, suscetível e vulnerável.
Na segunda fase, a da transmissão interna ou comunitária, a exposição passa a se relacionar com a circulação e a interação. Nesta etapa, o grau de urbanização e o tipo de povoamento é que determinam a suscetibilidade e a vulnerabilidade. Áreas muito urbanizadas, com grande concentração de pessoas em pequenos espaços e grande circulação, como, por exemplo, novamente as áreas metropolitanas, são as de maior risco, enquanto as áreas rurais mais isoladas e de mais difícil acesso estão menos expostas. Ainda nesta fase, o total de idosos, o nível de renda, o grau de escolaridade e de acesso à informação e aos serviços médicos e hospitalares, assim como as condições de saúde e das habitações, também ajudam a determinar a exposição, a suscetibilidade e a vulnerabilidade à contaminação.
Por outro lado, é o fechamento dos aeroportos e portos e a máxima eliminação da circulação e da concentração de pessoas que reduzem drasticamente a exposição, a suscetibilidade e a vulnerabilidade à contaminação, oferecendo tempo à sociedade para a organização de ações de controle da pandemia, como, por exemplo, o aumento da oferta de leitos e respiradores, a construção de novos hospitais, o reforço das equipes de saúde e a ampliação da proteção, desde a compra de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para médicos e enfermeiros até a produção de máscaras individuais.
Nessa direção, as sociedades que optarem pelo bom senso e pela orientação da ciência deverão retornar às atividades de forma faseada, liberando, num primeiro momento, o comércio e os serviços mais essenciais, com restrição de aglomerações e etiqueta respiratória (higienização constante, máscara e distanciamento mínimo). Num segundo momento, poderá ser a vez das escolas, faculdades, igrejas, clubes e demais atividades com aglomeração reduzida. Num terceiro momento, será possível liberar pontos turísticos e viagens internacionais. Permanecendo a normalidade, finalmente, num quarto momento, shows, eventos e a presença de torcidas nos estádios poderão voltar a ocorrer.
Na decisão pelo retorno, porém, os momentos de liberação poderão respeitar, além da difusão da contaminação, os diferentes graus de exposição, suscetibilidade e vulnerabilidade, permitindo, por exemplo, que as áreas geográficas comprovadamente menos expostas, suscetíveis e vulneráveis, como aquelas de interior, retornem mais rapidamente que as áreas metropolitanas com maior contato com o exterior. Isso significa dividir o território do país e dos estados em zonas, delegando aos governadores e prefeitos a autoridade e o poder de decisão sobre a retomada das atividades.
* Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Jornal Diário do Aço. Email: [email protected]
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Tião Aranha
29 de abril, 2020 | 23:08Não sei como um poeta encara essa barra, mas, apostando num regresso triunfal, parece que aqui tudo termina mesmo em "Carnaval e Democracia". O vírus do Corona parece estar mexendo com a cabeça de muita gente. Estamos sempre imbuídos no compromisso de escrever coisas bonitas; mas, só para os outros. Porque sabemos que a doença do espírito é um sintoma dos nossos tempos, e todos nós devemos tentar curar-nos uns aos outros. O Homem em hipótese alguma foi feito para viver só. O próprio Criador assim afirmou. Pois todos somos membros de um mesmo corpo. E a cura de um membro doente é função de todo o organismo...Entender que a rejeição da alegria de viver [mesmo nesses momentos difíceis] não é querer sempre insultá-Lo, a Ele que nos concede e nos dá o dom de rir, juntamente com o dom das lágrimas.
A busca da harmonia geral é tarefa difícil e que está de maneira intrínseca como
missão da tarefa ou do trabalho árduo de cada um de nós.”
Fábio Cruz
25 de abril, 2020 | 23:24Microorganismos não têm passaporte, ignoram fronteiras. Um debate geográfico pertinente neste momento é como o mundo pode se integrar (ou se separar) dentro dos termos atuais da Globalização em curso. O que muda no mundo com o coronavírus: renda, geopolítica e globalização.”