A moda e o coronavírus

Wagner Penna fala das novidades e iniciativas em tempos de isolamento social

Divulgação


Campanha da Reserva: pais & filhos
CAPILARIDADE
Passada a perplexidade diante da truculência do coronavírus, a turma da moda vai focando na busca de soluções para o problema. Enquanto estilistas & afins falam do aspecto conceitual do momento, os empresários tem que tomar decisões rápidas e ver logo uma maneira de refazer seu caixa. Com o comércio fechado, isso não é tarefa fácil.

A quantidade de gente fazendo ‘lives’ na internet cresceu de forma exponencial. Outros deram boas entrevistas. Entre os que falaram de modo mais objetivo, o dono da Reserva, Rony Meisler, foi o que descreveu uma solução clara e sintetizada para resolver o assunto.

Com mais de 100 lojas e milhares de pontos multimarcas + e-commerce, ele transformou em vendedores virtuais os seus funcionários, atendentes de loja e representantes, e implementou as vendas via internet, vale dizer, ampliando o poder de capilaridade da marca.

E vai continuar assim no pós-vírus. Para entender melhor, seria um sistema similar ao da Natura, só que apoiado em um complexo apoio tecnológico. Os primeiros resultados já foram positivos. Mais detalhes na entrevista ao site neofeed.com.br.

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Reprodução


Inverno 20 Armani: desfile pela internet
LUZ NO TÚNEL
O disse-me-disse sobre como o circuito fashion reagirá ao terremoto mundial causado pelo coronavírus continua rendendo, e acabando com o sono de quem trabalha com moda. Na cena internacional, as apostas são de que a primeira consequência será reduzir a importância dos desfiles das grandes marcas no eixo Nova York, Londres, Milão e Paris.

Além da turma ter levado um grande susto em março, com a chegada-surpresa do vírus em Milão, não faz mais sentido montar aquele circo todo só para receber meia dúzia de celebridades. A saída será mostra-los via internet e até mesmo criar filmes especiais sobre as coleções e lançar nas redes sociais.

Essa tentativa já foi feita antes, mas acabou não ganhando corpo porque as chamadas ‘influencers fashion’ gostam mesmo é do tititi dos desfiles e das festas paralelas. Porém, o sonho acabou.

Em nível nacional, a principal preocupação é com as pequenas e médias empresas do setor. No caso das confecções, o ponto chave é a busca de novas formas de vender seu produto.

O e-commerce é solução óbvia, mas a entrada de poderosas redes varejistas no segmento de vestuário abrirá oportunidades enormes para quem fabrica roupa. Tudo isso ainda são especulações de analistas, mas também uma pequena luz no fim do túnel fashion.

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VAIVÉM
* Algumas marcas francesas de luxo recusaram a ajuda emergencial do governo para enfrentar o coronavírus. Foi o caso do grupo dono da Louis Vuitton (LVMH) e o do dono da Gucci (Kering). Afinal, não ficaria bem o homem mais rico e o terceiro mais rico da França receber facilidades dirigidas aos mais necessitados. A Chanel, Hermès e outras fizeram o mesmo. É o chamado ‘capitalismo responsável’. ***

* Um grupo de profissionais e empresas da moda mineira lançou a campanha Um Milhão de Máscaras (1MM), criada para ajudar as demandas do gabinete de crise do governo. É o esforço da turma fashion para contribuir no combate ao coronavírus. As peças serão distribuídas a hospitais, centros de saúde e entidades. Para conhecer mais o programa e participar dessa rede fashion de solidariedade, vá ao site ummilhaodemascaras.com.br e ao Instagram pelo @ummilhãodemáscaras. ****

* Ficou bacana a campanha criada pela Fiemg estimulando a confiança do empresariado, trabalhadores e o cidadão comum no futuro. O vídeo destaca o trabalho do pessoal da saúde para superar a fase atual e valoriza a força dos mineiros para se reinventar e superar as dificuldades. O material está no site da entidade e nas redes sociais. Ponto para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, pela iniciativa.

* No âmbito regional, as grifes estão se movimentando para resgatar o ritmo de vendas das coleções na fase pós-coronavírus. Mudanças serão inevitáveis. Entre as novidades que estão cogitadas constam a redução do numero de coleções-ano e novas datas de lançamento, mais afinadas com a disponibilidade do lojista. ***

* Com tantas indagações e inquietações sobre o futuro, o mundo busca na espiritualidade respostas às vezes impossíveis. E no circuito da moda não é diferente. Na cena internacional, grandes estilistas ocupam a quarentena com livros e sites na internet. Por aqui, quase todos fazem orações e pedidos, cada um com seu credo. Nunca se rezou tanto. Amém. ***

PONTO FINAL - A China saiu da crise do covid-19 com fome de consumo. É o que se entende com as vendas da Hermès em uma de suas lojas por lá, com movimento de quase três milhões de dólares em apenas um dia. Não erramos, os números são esses mesmos. Dizem que é ‘compra de vingança’, isto é, o consumidor compensando o longo tempo de quarentena. Para os analistas, seria apenas uma bolha que estouraria logo. O tempo dirá.
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