Covid-19 e os pacientes com câncer

Ramon Andrade de Mello *

Os impactos da pandemia da Covid-19 são imensos na área da saúde. A dedicação de médicos, enfermeiros, assistentes e demais profissionais tem recebido elogios mundo afora. O novo coronavírus traz outro grande desafio. Precisamos atender essa avalanche de pacientes que são infectados diariamente, aumentando a demanda tanto do sistema público de saúde como da rede particular. Porém, as pessoas continuam adoecendo de câncer, diabetes e problemas cardíacos, entre outras enfermidades.

Nesse momento, abandonar o acompanhamento de qualquer doença pode aumentar ainda mais os riscos. A atenção ao paciente com câncer também é situação de emergência e, na maioria dos casos, um tratamento não pode esperar três meses para ter sequência. A cura do tumor tem melhores resultados na fase inicial da doença. Adiar o diagnóstico, uma cirurgia ou até mesmo a quimioterapia pode levar a um quadro de evolução do câncer e reduzir suas chances de cura.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) já se manifestaram sobre o por causa dele é bem maior do que a pessoa morrer pelo novo coronavírus. O índice de letalidade da Covid-19 varia de 6% a 10% na população com idade superior a 80 anos de idade. Por outro lado, o índice de letalidade de um câncer de pulmão em qualquer idade, caso o diagnóstico e o tratamento não sejam seguidos adequadamente, é de 99%.

Isso não quer dizer que esses pacientes devam suspender o isolamento social. Ao contrário. Eles devem reforçar as medidas preventivas. A SBOC recomenda que as pessoas com qualquer sintoma de gripe, e também aquelas que tiveram contato com terceiro na mesma condição ou com diagnóstico confirmado de Covid-19, devem manter distância dos pacientes com câncer.

As consultas também não devem ser abandonadas sem uma recomendação do especialista. Para superar essa dificuldade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) já aprovou medidas que permitem consultas por WhatsApp e Skype, entre outros instrumentos digitais. Cabe ao médico apontar qual a melhor escolha nesses casos. Tenho ainda recomendado aos familiares de pacientes com câncer que utilizem máscaras para evitar a transmissão da Covid-19, mesmo que não apresentem sintomas. Estamos na batalha diária de reduzir o avanço dessa pandemia. Tenho certeza que vamos superar esse momento mantendo os cuidados de todos aqueles que precisam do nosso trabalho. A saúde é uma prioridade nesse momento.

* Médico oncologista, professor de oncologia clínica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).
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