Fim do achismo

Fernando Rocha

Divulgação


Fernando Rocha
Pelo segundo fim de semana consecutivo, o futebol esteve parado aqui no Brasil em razão da pandemia do coronavírus, gerando muitas dúvidas sobre quando haverá o retorno das competições.
Nossos cartolas estão cada vez mais perdidos, do tipo cego em tiroteio, e o resultado disso é o exercício do achismo, onde o pior que se vê é que todos os chutes passam cada vez mais longe do gol.

Já vimos e ouvimos todo tipo de sugestões para resolver a falta de datas e dar sequência ao futebol, cujo calendário maluco já deveria ter sido enxugado há bastante tempo.
Algumas sugestões, como a volta dos mata-mata, poderiam se tornar um novo problema mais à frente, tendo em vista que isso diminuiria a receita já seriamente afetada dos clubes.

Hora do diálogo
Então, não é mais hora de chutar, e sim, de pensar, agir de forma conciliadora, onde todos os atores envolvidos buscariam o consenso, sob o princípio de que todos sairão perdendo. E quando isso acontece, a parte que tem mais deve entregar mais, e quem tem menos cede na medida do suportável.

Jogadores que ganham mais devem ter uma redução maior de salários. A CBF e as Federações filiadas precisam abrir os seus recheados cofres e socorrer principalmente os clubes pequenos e médios.
De nada vai adiantar dar murro na mesa, espernear, gritar, pois agora o filho chora e a mãe não ouve, e só com o diálogo poderá haver uma solução.

A questão fundamental para começar o entendimento, a meu ver, é sair da fase de negação e entrar em outra de aceitação, pois quem vai decidir sobre a volta do esporte, sobretudo o futebol, não será nenhum dirigente de clube ou de confederação, mas as autoridades de saúde, que estão no controle das medidas de combate à pandemia.
Só depois que a crise passar e ver o que sobrou de datas será possível estabelecer um planejamento para tentar terminar a temporada. É triste, mas é pegar ou largar.

FIM DE PAPO
• A renegociação de contratos e salários que já vem acontecendo em alguns clubes, além dos direitos de transmissão e cessão de direitos de imagem, pode acontecer porque eles sofreram vícios do ponto de vista jurídico, em razão de algo imprevisível, a chamada "força maior". A crise atinge a todos, clubes, atletas, patrocinadores, produtores de conteúdo. E nesse caso não existem culpados, só vitimas. Quando se tem uma situação assim é preciso conversar e se entender, pois todos sabem que sairão perdendo.

• Ajudado pela pandemia do coronavírus nos Estados Unidos e pela idade, 87 anos, o ex-presidente da CBF (2012/2015) e ex-governador de São Paulo (1982/1983), José Maria Marin, desembarcou sem maior alarde na manhã de domingo (5) no aeroporto de Viracopos, em Campinas, depois de deixar a prisão. Marin foi condenado por crimes de corrupção nos tempos em que presidia a Confederação Brasileira de Futebol. Banido do futebol pela FIFA, certamente ainda vai continuar influenciando decisões da CBF, pois os cartolas que hoje comandam a entidade entraram no milionário negócio por suas mãos.

• Foi impressionante a repercussão da saída do lateral Patric, do Atlético para o Sport Recife. Jogador de 31 anos, entre idas e vindas e empréstimos a outros clubes, ele conseguiu permanecer vinculado ao clube por contrato durante incríveis 10 anos. Neste período participou de apenas duas conquistas, um estadual e uma ‘Flórida Cup’, nos Estados Unidos. O que deveria merecer maior atenção neste caso é se a porteira da Cidade do Galo foi finalmente aberta para que outros jogadores sigam o mesmo caminho, tais como Zé Welison, Di Santo, Martinez, Hernandez, Ricardo Oliveira e Claiton, entre outros.

• Sem acordo quanto à realização de apenas uma eleição, ao invés de duas, entre maio e outubro deste ano, o Conselho Gestor que administra o Cruzeiro resolveu retirar a candidatura do empresário Emílio Brandi e deixar o clube assim que o primeiro pleito eleitoral for concluído. Com isso, abre espaço para que o advogado Sérgio Santos Rodrigues, candidato derrotado na última eleição, seja eleito por aclamação como candidato único à presidência.

A desconfiança da torcida é muito grande, sobretudo porque Rodrigues está sendo apoiado por figuras tristemente conhecidas nos bastidores celestes (irmãos Perrela, Gilvan, família União etc), pessoas que, direta ou indiretamente, colaboraram muito para que o clube chegasse à maior crise financeira da sua história, resultando no inédito rebaixamento à Série B nacional. (Fecha o pano!)
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Ghander 12 de abril, 2020 | 11:05
Pô Fernando...!!!! O fim de Papo tá maior que a reportagem...kkkkk . Abraços
Tião Aranha 10 de abril, 2020 | 18:25
Realmente a crise atinge a todos. Esses cartolas do futebol deveriam falar menos, e fazer mais.
Crescer significa mudar e mudar envolve riscos-, a questão toda é quando se
tenta fazer uma passagem do desconhecido para o conhecido: - que todos já conhecem
ou pelo menos já se sabe do resultado final.

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO