Brasileiros retidos na Argentina iniciam viagens terrestres de repatriação

Depois de cumprir isolamento total por mais de 15 dias, turistas começam a fazer viagens de repatriação

Andreia Klein


Estrangeiros retidos em El Calafate foram orientados a embarcar para Buenos Aires, onde são maiores as oportunidades de repatriação

Centenas de brasileiros permanecem retidos na Argentina por causa das medidas do governo para conter a circulação do Coronavirus. Além dos brasileiros há turistas de vários países na mesma situação. Alguns iniciaram, nessa semana, a repatriação via transporte terrestre.

Até esse domingo a Argentina, que adotou as mais radicais medidas de contenção na América Latina, tinha 1.400 casos confirmados 43 mortes atribuídas à Covid-19. A maioria dos casos é importada e foi confirmada em turistas, principalmente europeus.

O Brasil foi incluído na lista de riscos, pelas autoridades argentinas, por causa do entendimento, segundo o qual, o governo brasileiro não agiu com a eficiência necessária antes do crescimento no número de casos no país.

Em meados de março, o surgimento dos primeiros casos positivos levou prefeitos de algumas cidades argentinas a intensificar o cerco aos estrangeiros. Em seguida vieram as medidas do governo nacional. O rigor aumentou de forma gradual e sempre restringindo a circulação de qualquer pessoa. Por fim, nos supermercados em El Calafate, por exemplo, a fiscalização da polícia passou a exigir a identificação de turistas que iam fazer compras.

A liberação para ir ao mercado e para viagem de repatriação tem como requisito básico estar há mais de 15 dias na Argentina e ter cumprido isolamento total de 14 dias, o que dá direito ao alvará sanitário. Alguns estrangeiros ficaram em prisão domiciliar por mais de 15 dias.
Andréia Klein


Fiscalização: todas as cidades Argentinas estão com entradas e saídas sob vigilância intensa e viagem de repatriados foi marcada por paradas em sequência para verificação de documentos

Com aeroportos fechados para voos regulares desde o dia 20 de março, a Argentina só permite voos especiais de repatriação de europeus. O governo brasileiro ainda não mobilizou voos para repatriar cidadãos na Argentina, apenas em outros países.

Sem previsão de voos, os brasileiros que chegam a Buenos Aires em processo de repatriação têm que enfrentar outra peregrinação de ônibus até a fronteira com o Brasil, descer em Passo de Los Libres depois de nove horas de viagem, e fazer a travessia da fronteira a pé até a cidade de Uruguaiana (RS), de onde embarcam para Porto Alegre.

Na capital gaúcha são tomados voos para outros destinos brasileiros, já que entre estados já há restrição de circulação de veículos e o transporte interestadual de passageiros está suspenso.

Mais de 40 horas de viagem pela Patagônia

Nesse domingo chegou a Buenos Aires um ônibus trazendo cidadãos do Brasil, Alemanha, China, França, Holanda, além de Argentinos que passavam férias em El Calafate e El Chalten.

Desembarque na manhã desse domingo, em Buenos Aires: país austral já anunciou que quarentena pode ter fim em 13 de abril, mas fronteiras permanecerão fechadas a estrangeiros

A viagem que custou 13.400 pesos (R$ 1.116) por pessoa) foi paga por cada passageiro, durou dois dias e duas noites, quando foram percorridos 2.780 quilômetros de rodovias. No percurso, o coletivo foi parado em cada entrada e saída de cada cidade ou povoado.

O rigor na fiscalização foi praticamente o mesmo em cada província por onde a viagem de repatriação passou. A documentação era conferida em cada localidade até a chegada à capital. Os dois motoristas, que se revezavam na condução do coletivo tiveram dificuldades em parar em postos de abastecimento à beira da estrada. Quando era encontrado um posto funcionando os passageiros não podiam desembarcar, o que fez aumentar o sofrimento das pessoas de variadas idades que enfrentavam a longa jornada.

Turistas apanhados de surpresa no turbilhão da pandemia

Entre os brasileiros que viajaram a Buenos Aires no fim de semana estava o casal ipatinguense, o jornalista Alex Ferreira e a esposa, Andreia Klein, Breno Santhiago de Castro, de Goiás, Nicole Magny, do Pará, e Álvaro Machado, do Rio Grande do Sul.

"Estava aqui em viagem a passeio desde o dia 12 de março. Havia pouca coisa no mundo a respeito do Coronavirus e não imaginava que a pandemia atingiria esse nível crítico e isso fosse me colocar na condição de isolado na Argentina", afirmou Breno.
Alex Ferreira


Entrada de El Calafate: nem sequer argentinos podem passar.

Já, Álvaro, está na Argentina pela segunda vez. "O que mais incomodou foi ficar trancado, sem lugar até para comprar comidas. Além disso há a incerteza se o governo Argentino vai prorrogar a quarentena, como já prorrogou do dia primeiro de abril para o dia 13. E, ainda que não adie, não se sabe quando o turismo vai se normalizar por aqui", observou.

Nicole conta que estava em El Chalten, onde prestava trabalho voluntário no Parque Nacional los Glaciares, quando o parque foi fechado junto à rede de hospedagem por causa das medidas contra o Coronavirus deflagradas dia 15 de março.

Fila em supermercado em El Calafate: fiscalização aumentou e estrangeiros que vão fazer compras precisam se identificar.

"As dificuldades aumentaram porque não havia onde fazer câmbio. Você vai para um lugar confiando na garantia de fazer câmbio e depara com casas de câmbio com limitação de atendimento. Depois elas foram fechadas com a crise e tive que viver duas semanas com 200 pesos argentinos (cerca de R$ 17)", reclama.

O objetivo inicial do consulado brasileiro é reunir os brasileiros na capital, de onde partem ônibus especiais para outra viagem até a divisa da Argentina com o Brasil. Mais de 200 brasileiros aguardam a viagem de volta. Uma das dificuldades para a repatriação é a mudança constante nos procedimentos de autorização de saída do pais. Informações do consulado precisam ser consultadas o tempo todo na página do Consulado brasileiro em Buenos Aires.

Cerco em Buenos Aires já dura 19 dias e só podem circular pessoas com autorização expressa

Já, em relação aos argentinos que estavam no exterior, o governo portenho vetou a repatriação, inicialmente. Argentinos no exterior foram proibidos de retornar ao país, mas avisou no fim de semana que iniciou a repatriação de forma paulatina de seus cidadãos. Ao chegar à Argentina são colocados em isolamento social. Nas ruas de Buenos Aires a fiscalização do cumprimento das normas é intensa. Pessoas só podem sair uma de cada vez de casa para ir ao mercado, padaria ou farmácia.

A circulação de veículos requer a impressão de um formulário especial para justificar a necessidade de deslocamento no veículo (carro ou moto). Pelas ruas é comum encontrar carros apreendidos e com lacres nas portas escrito: "Secuestrado" (apreendido).
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Comentários

Jackeline 08 de abril, 2020 | 12:17
Por favor, meu filho está de favor na casa de uma família Argentina, estamos tentando trazê-lo pra o Brasil desde o dia 20/3 sem sucesso. Eu também peço encarecidamente que o Presidente JAIR BOLSONARO, entre em acordo com o governo argentino, e faça a repatriação do meu filho e de todos os outros que estão lá. A situação está caótica naquele lugar. Por Favor, nos ajudem. Meu filho já fez o cadastro pedindo repatriação mas ninguém retornou, no consulado atendem com maior descaso e falta de educação. Por favor nos ajudem.
Andrea Perez da Silva 06 de abril, 2020 | 20:55
estava na argentina buenos aires..cheguei dia 14 de Março e consegui vir embira dia 23 de Março por aeroporto..Veja que na embaixada brasileira ..que ja precisei deles pois trabalho na argentina buenos aires..tenho uma escola..mas moro no Brasil são Paulo..eles dão apoio e orientação para os brasileiros..estou a disposição se precisarem de ajuda ( para orientação) ate mais..Deus abençõe
Willians Carvalho Barbosa 06 de abril, 2020 | 12:11
AJUDA REPATRIAÇÃO

ESTOU na ARGENTINA hoje faz 23 dias... vim para passar 02 dias, cheguei dia 13/03, tentei retornar dia 15/03, fui surpreendido que não poderia sair. Pois o presidente declarou quarentena de 16 dias e agora mas 12 dias .

Entrei em contato com a embaixada brasileira na ARGENTINA é o retorno que tive foi decepcionante muitas barreiras e descaso. Estou 1300km da fronteira de Foz do Iguaçú fora o retorno do ARGENTINO que se sensibilizou com nossa situação para chegarmos na fronteira.O retorno foi depreciativo de um valor de R$:215,00. O valor da gasolina é R$:4,00 tentei argumentar com a embaixada mas o resultado foi (ESSA É NOSSA SUGESTÃO, SE QUISEREM...)

Venho por meio desse fato pedir ajuda das autoridades BRASILEIRAS do nosso presidente JAIR MESSIAS BOLSONARO e de sua equipe nos ajudar. Só queremos retornar para nossas FAMÍLIAS. os dias AQUI não tem sido FÁCIL de PRIVAÇÃO SOCIAL, CULTURAL E EMOCIONAL principalmente da nossa FAMÍLIA.

Mas ainda estou acreditando no nosso presidente BOLSONARO que é um homem empático, solidária, longanimo é acima de tudo humano e PATRIOTA com a causa dos BRASILEIROS.

Estou pedindo REPATRIAÇÃO da nossa NAÇÃO BRASILEIRA como fez em outros países na ARGENTINA #tambémnaARGENTINAtemBRASILEIRO.
Maria Lima 06 de abril, 2020 | 11:22
A pandemia criou uma situação atípica e isso requer soluções atípicas para o enfrentamento do vírus. Agora enfrentar essa crise na segurança e conforto do lar é muito diferente de estar num país que suspendeu o direito de ir o vir das pessoas para enfrentar o vírus. Que não falte aos conterraneos, que sofrem no exterior a sabedoria para lidar com isso. Só não entendo porque o governo não envia um aviao e traz logo eles de volta. Que os custos sejam cobrados das empresas privadas as ricas companhias aéreas onde eles compraram passagens e que cancelaram os voos.
Carvalhos 05 de abril, 2020 | 20:02
O Brasil virou piada no exterior,por causa das ações desastradas do nosso presidente. Se eu fosse os turistas nessa situação dava um jeito de ficar por lá mesmo até essa onda passar. Pelo visto o governo argentino é bem mais inteligente que o brasileiro para mudar com o Coronavirus

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