Ajustes, ecomoda, coronavírus, medidas e cancelamentos

Wagner Penna aponta as novidades atuais do mundo fashion

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Expô na Minas Trend
MEDIDAS AJUSTADAS
Com a crise do coronavírus se ampliando e o confinamento social se impondo, a indústria e os serviços sentem o baque da queda vertiginosa. As projeções para o crescimento do PIB, para este ano, já estão em zero e podem descer para índices negativos.

No circuito da moda, várias confecções e fábricas têxteis adotaram o sistema de férias coletivas para ultrapassar essa fase inicial de contaminação do vírus. Seja lá qual for o final dessa crise, o fato é que as esperanças para alguma revitalização valem somente para 2021.

Enquanto isso, algumas medidas paliativas são tomadas. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), por exemplo, retomou a campanha para consumo de moda ‘made in’ Brasil, quando as atividades econômicas voltarem à sua plenitude.

No âmbito estadual, negociações da Associação Mineira de Empresas de Moda (AMEM) pedem maior apoio oficial, incluindo crédito e cortes nas taxas, além de outras medidas de curto prazo para ajustar a produção e vendas à nova realidade do país.

O primeiro teste desse novo tempo deverá acontecer durante a próxima feira Minas Trend, em outubro. Até lá, os ajustes no setor vão sendo feitos.

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A ecomoda de Ronaldo Silvestre
ZEROU
O compasso de espera da quarentena social acabou modificando a rotina de todos. E mais do que isso, está transformando a sociedade em suas atitudes e levando muita gente a repensar o seu modo de vida para quando tudo isso enfim acabar.

A moda absorve essas mudanças de várias maneiras. Enquanto no plano empresarial a aflição é enorme, com previsão de muita quebradeira pós-vírus, mudanças profundas são esperadas no plano conceitual.

Na verdade, parece que todos os conceitos válidos até aqui foram zerados. Estamos com um quadro em branco pela frente, mas alguns indícios vistos na fase pré-vírus ganham corpo.

Um deles é repensar o consumo de moda, procurando algo mais racional e seletivo. Outro ponto é eliminar os exageros da moda em suas propostas mais recentes, voltando ao trilho da roupa feita para a vida real e comum. A fantasia acabou.

Talvez a principal mudança esteja no modo novo de comprar & usar a roupa, acelerando o ritmo da economia circular, onde tudo é sempre reusado e reaproveitado, contribuindo para controlar a produção desnecessária e o desperdício e valorizando a ‘ecofashion’. O meio ambiente agradece.

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VAIVÉM
* O estilista Victor Dzenk colocou a sua fábrica de roupas em Lagoa Santa, na região metropolitana de Beagá, à disposição para fabricar máscaras de proteção contra o vírus, e distribui-las na cidade. O trabalho social da sua grife na região tem sido cada vez mais intenso. ***

* O furacão do coronavírus não tem preferência geográfica e afeta a moda em todo o mundo. Uma das fissuras atingiu as estruturas até da rede inglesa de fast-fashion TopFashion, agora prestes a fechar as portas. A situação já não era boa para a empresa e, com o isolamento forçado, não vai ter mesmo salvação. ***

* Um acordo entre confecções de Beagá e os corretores de moda propõe que esses agentes de vendas, essenciais no comércio de moda pronta-entrega, por atacado, na indústria de moda da capital, tenham suas comissões de vendas pagas somente após a liquidação das faturas das compras por eles agenciadas. ***

Isso quer dizer, uma diferença entre 30, 60, 90 e até 120 dias para que eles tenham o dinheiro no bolso. É o sacrifício de cada um nesta crise avassaladora. ***

* Flávio Rocha, presidente do grupo Riachuelo, um dos maiores em varejo de moda do país, opinou sobre a liberação de dinheiro para os autônomos, dizendo que também é preciso cuidar das empresas diminuindo os impostos, principalmente os que incidem na folha de pagamentos. A turma da moda adorou seus comentários. ***

* Muita gente no circuito da moda já havia remarcado seus eventos de abril para o mês de setembro. Alguns até distribuíram convites virtuais. Mas o calendário dos infectologistas indica que essa data seria ainda muito cedo para o retorno geral. ***

* Os desfiles internacionais chamados de ‘cruise’ (cruzeiros pelo mar), com a moda para o próximo verão do hemisfério norte, seriam realizados em maio, mas foram todos cancelados pelas super marcas de moda. Realizados em pontos diferentes do planeta a cada ano, foram os primeiros a sofrer uma reviravolta pós-coronavírus. Dizem que esse vaivém globalizado vai ser suspenso para sempre. ***

PONTO FINAL - Mesmo reconhecendo que o governo tem feito coisas importantes para ajudar o empresariado, a turma da moda está aflita com o fato dos bancos não estarem ampliando os prazos de seus pagamentos ou abrindo créditos para saldar compromissos. Essa preocupação está em uma pesquisa feita pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) na semana passada. Sem comentários.
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