Sem noção

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
Uma pena que os nossos milionários jogadores, em sua maioria sem a menor noção das coisas, continuem se mostrando insensíveis diante da tragédia social provocada pela pandemia do coronavírus.
Também não vejo, aqui nos nossos grotões, os milionários de outros setores, ou as grandes empresas nacionais e multinacionais, tomarem a frente em campanhas, deixando toda essa tarefa complicada para os governos em seus diversos níveis.

Voltando ao futebol, há sim, no Brasil, uma grande maioria de jogadores que ganha de dois a quatro salários mínimos, e que agora está desempregada, precisando de ajuda material emergencial.
Nossos principais clubes já anunciaram corte de salários de jogadores, técnicos e diretores, fazendo de tudo para sobreviver à crise, mas quem deveria mesmo entrar de sola para resolver o problema fica no seu canto se fingindo de égua.

Dinheiro sobrando
A CBF e suas federações, onde sobra dinheiro, é que deveriam intervir para salvar os clubes, injetando recursos para pagamento de salários, nos moldes que vem agindo o governo federal nas demais áreas.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem um orçamento só comparável aos grandes clubes europeus, sem gastar um único centavo com salários de jogadores.

Senão vejamos: segundo seu balanço oficial, a entidade faturou quase R$ 1 bilhão em 2019, o que resultou em superávit de quase 200 milhões. O ativo total da CBF ao fim do ano passado alcançou R$ 1,248 bilhão, conforme dados publicados no seu próprio site.

A CBF, que usa o rótulo de entidade “privada” para não ajudar ninguém, tem como galinha dos ovos de ouro a Seleção Brasileira, que, a meu juízo, não pertence a ela, mas sim, ao povo brasileiro. Por isso essa dinheirama toda que está sobrando do seu orçamento deveria ser usada para fomento do esporte nacional e para socorrer os clubes neste momento de excepcionalidade.

FIM DE PAPO
• Garantir o pagamento de funcionários e de jogadores, garantir as folhas, garantir que os clubes de futebol no Brasil continuem existindo pelos próximos dois, três, seis meses. Este deveria ser o papel da CBF e de suas federações, neste momento de dificuldades para todos os seus filiados, mas nem CBF nem Federações estão aí pra nada. O gesto de solidariedade com aqueles que são a máquina do milionário circo do futebol precisaria começar lá de cima.

• O único gesto da CBF até agora, no sentido de abrir o cofre e socorrer quem realmente precisa no circuito do futebol, foi o anúncio da antecipação de algumas taxas, a serem pagas para árbitros e assistentes que atuariam no próximo Campeonato Brasileiro, que ainda não tem data para iniciar. Ao todo, são 39 árbitros mineiros no quadro da CBF que seriam beneficiados. O valor que cada um terá direito a receber equivale à maior taxa paga no ano passado, algo entre R$ 1.500 e R$5 mil reais, dependendo das divisões e se o árbitro é FIFA. O valor aproximado que a CBF vai gastar para beneficiar árbitros e assistentes de todo o país deve chegar a quase R$ 1 milhão, pouco ou quase nada para o tamanho do seu caixa.

• Se os clubes das Séries A e B preferem cortar salários e não cobram ajuda alguma da CBF, ao menos os dirigentes das Séries C e D, movidos pela necessidade, resolveram pressionar a entidade, na tentativa de conseguir algum tipo de ajuda financeira, para transpor a crise provocada pela pandemia do coronavírus. No início da semana passada, dirigentes de 250 equipes do país protocolaram pedido de pagamento mensal de R$ 75 mil durante dois meses. As equipes da Série B do Brasileiro, que tinha previsão de começar em maio com a participação de 20 equipes divididas em duas chaves, também se movimentaram pedindo o repasse de R$250 mil nos próximos três meses, para quitar compromissos urgentes com atletas, comissões técnicas e fornecedores.

• A semana que passou foi de luto e tristeza para o jornalismo do Vale do Aço, que perdeu um de seus maiores expoentes, Sérgio Roberto de Oliveira, que nos deixou aos 66 anos de idade. Serginho, além de grande profissional do jornalismo fotográfico, era amigo de todos e deixa saudades. Ipatinga perdeu um pioneiro e o céu ganhou mais uma estrela de primeira grandeza. Que Deus conforte todos os familiares. (Fecha o pano!)
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Comentários

Tião Aranha 07 de abril, 2020 | 21:16
Bom texto para reflexão. Pagam rios de dinheiro pra jogador chutar bola, e merreca para professores educarem os filhos de trabalhadores. Mas um dia menos dia, a água da fonte vai secar, pois não é todo dia que se encontra água límpida, fresca e fria para se beber. A crise quando vem ela afeta todos, indiferente de classe social. Esses dirigentes de clubes`de futebol devem estar passando por apuros na preservação do plantel de nível elevado. Se a parte física do jogador é afetada, a psicológica pior ainda. Pro outro lado, o choro e as lamentações fazem parte da festa da Democracia.
Mas a vida é assim: enquanto uns choram outros riem. (Empreendedorismo no
social faz parte do talento daqueles que nasceram com a vocação de comandar).

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