Corte de salário de parlamentares é essencial durante a pandemia de COVID-19

Antonio Tuccílio *

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), disse em entrevista que está articulando uma proposta com os partidos políticos para a redução de salários de servidores. Ele defende que, devido à crise mundial que se instaurou com a pandemia da COVID-19, essa é a hora de sacrifícios para diminuir gastos públicos.

Eu também concordo que é hora de sacrifícios. Por essa razão, tenho uma proposta melhor e mais coerente que a dele: cortar salários e benefícios de parlamentares. Vamos aos números.

O salário de um parlamentar é de R$ 33.763. Essa remuneração é superior a 99% dos trabalhadores. Além dessa alta quantia, parlamentares recebem R$ 4.253,00 de auxílio moradia, como se um salário superior a R$ 33 mil não permitisse, com folga, arcar com custos de aluguel. Há também verba de R$ 111.675,59 para contratação de até 25 funcionários, que são escolhidos a critério do próprio parlamentar.

O presidente da Câmara tem direito a outras regalias, como carro oficial com dois motoristas à disposição, gabinete exclusivo, residência oficial de 800 m², viagens em aviões da Força Aérea Brasileira e verbas para contratar 47 funcionários, além dos 25 que já tem direito, que custam em torno de R$ 4,2 milhões por ano.

Apenas em 2019, o Congresso gastou quase R$ 190 milhões com o pagamento de despesas de alimentação, aluguel de veículos, combustíveis (gasolina ou álcool) e passagens aéreas, entre outros. Somando todos os gastos, o Congresso Nacional é o mais caro do mundo, perdendo apenas para o dos EUA.

Com o número crescente de casos de COVID-19, especialistas acreditam que podem faltar recursos para atender os doentes. Essa é a oportunidade para que a Câmara, liderada por Maia, possa demonstrar o seu patriotismo. Com a redução de salários dos deputados seria possível comprar respiradores artificiais suficientes para todas as Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Também seria possível construir mais instalações médicas para recebimento de doentes e adquirir milhões de testes para detecção da presença do vírus.  

Portanto, ao invés de cortar salários de servidores públicos, o que seria desrespeitoso, desumano e prejudicaria milhares de famílias, Rodrigo Maia e os demais parlamentares devem abrir mão de parte de seus salários e de suas regalias em prol da saúde do povo brasileiro. Se quiserem mesmo sacrifícios, eles que comecem dando o exemplo.

* Presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP).
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Tião Aranha 02 de abril, 2020 | 13:24
É mais fácil um pobre ajudar outro pobre - do que um rico ajudar um pobre. Se existe pobreza é porque existe ilicitude, como sempre, sempre partindo dos ricos que estão no poder. (Somos capazes de elegermos até políticos que infligem leis). Logo, participamos da mesma bagunça. Além do mais, o preconceito de pobreza já existe e está instalado faz tempo na alma do povo brasileiro. Neste colapso capitalista provocado por uma crise de pandemia, que se repete tal tal qual a gripe espanhola-, parece que o que falta mesmo é um projeto político para a nação a ser estabelecido em longo prazo: duma cultura em que a solução sempre vem da participação direta da Sociedade, / já que em qualquer situação os fatos sociais só mudam com outros fatos sociais/. A diferença é que hoje a corrupção virou um fato social com força de razão histórica; cabendo ao Estado repensar urgentemente, e sem impor normas, para o bem de sua eficácia administrativa, sem cair no ridículo da dominação.
Felipe 02 de abril, 2020 | 08:36
Até decidirem se reduz ou não o salário dos parlamentares a pandemia já acabou...

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO