Autismo, respeito e compreensão

Clay Brites *

No dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Durante todo o abril azul é dado destaque para que o preconceito e discriminação pela falta de conhecimento diminuam.

Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data também nos faz refletir sobre o que os autistas e seus familiares mais precisam: compreensão e respeito. É fundamental que mais pessoas entendam que há uma grande complexidade envolvendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que nenhum indivíduo é afetado da mesma forma.

O TEA é o transtorno do neurodesenvolvimento cujas características podem ser observadas ainda na primeira infância por meio da consulta a um especialista e de diagnóstico precoce. O autismo é uma condição que atualmente é entendida também como uma síndrome comportamental de nível complexo, além disso, o autismo combina fatores genéticos e ambientais.

Geralmente, os autistas apresentam problemas na interação, na comunicação e no comportamento. Por exemplo, na interação social comprometida, o relacionamento com pessoas do mesmo contexto familiar ou etário é aquém do esperado. Pode haver falta de reciprocidade emocional e pouco uso de meios não verbais para comunicação. Também podem apresentar comunicação deficitária, com ausência de linguagem verbal (falada), fala extremamente rebuscada para a idade, ecolalias e pronúncia sem a cadência que as pessoas geralmente utilizam (sem alteração de tom), entre outros.

Além disso, há comportamentos marcados por estereotipias, como interesses não usuais em intensidade ou foco, movimentos motores repetitivos, rotinas invariavelmente rígidas e não funcionais, preocupação com partes de objetos etc.

No entanto, esses fatores variam de caso a caso, ou seja, nenhum autista é igual ao outro. O autismo é muito variado, podendo apresentar intensidades severas em alguns pontos e leves em outros. Por isso, o TEA deve ser muito bem avaliado, por meio de escalas diagnósticas específicas e uma bateria de avaliações cuidadosas. Isso é necessário, pois somente dessa forma é possível saber a intensidade e as áreas que devem ser melhor trabalhadas.

Por todos esses motivos, é essencial que profissionais das áreas da saúde e da educação possam buscar mais conhecimento e compreender melhor tudo o que envolve o transtorno para tentar, de alguma forma, amenizar as dificuldades provocadas pelo TEA. Assim, conseguiremos tratar essa condição de maneira mais adequada e responsável.

* Pediatra, neurologista infantil, autor de livros sobre autismo e transtornos de aprendizagem, um dos fundadores do Instituto NeuroSaber.
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Comentários

Tião Aranha 05 de abril, 2020 | 19:22
Cada pessoa é um presente de Deus. E e muito importante ter sabedoria e paciência para mudar somente aquilo que pode ser mudado - respeitando sempre o limite de cada um. Como dizia o poeta Mario Quintana "A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa". Mais adiante ele diz: "A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará". No que tange à relacionamentos entre pessoas, tudo é questão de tempo, de paciência e de adaptação. São sábias as mensagens dum poeta. Que cada um procurasse, a partir de hoje, aplicar em nossas vidas e em nossas comunidades a vontade de Deus. Preocupemo-nos em viver bem e sermos felizes, acreditando que Deus reserva maravilhas para aqueles que o amam. (De não deixar de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz). A Fé é isso: ou você tem, ou você não tem!
A prova final do arcabouço religioso de um homem de Fé é a evidência final da sua capacidade para o serviço de Deus, numa posição de confiança.

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