O mundo se curva diante de um inimigo invisível: o novo Coronavírus, uma síndrome respiratória aguda grave, doença infecciosa batizada de Covid-19. Era 31 de dezembro de 2019, quando a China informou à Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre um vírus desconhecido que se espalhava por lá, tendo como epicentro a cidade de Wuhan. Não demorou e ele atravessou fronteiras, silenciosamente, sem que o impedissem. Também, como fazê-lo se, ardiloso, ele não se manifestava e quem o portava não sentia mal algum, nenhum sintoma? Assim, em pouco tempo ele alcançou todos os continentes, à exceção da Antártida. O número dos infectados já passa dos 100 mil, com milhares de mortos. No entanto, na terça-feira (24), em rede nacional de TV e rádio, desqualificando todas as iniciativas da OMS, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e organismos correlatos, o presidente Bolsonaro disse tratar-se de uma ‘gripezinha’ e criticou o isolamento social, ao qual chamou de ‘confinamento em massa’.
É preocupante a situação que o mundo vive, e para vencermos o impacto causado pelo novo Coronavírus, só mesmo todos nós, juntos, não apenas nós brasileiros, mas os povos de todas as nações. Já são milhares as mortes ocorridas, devido à contaminação por meio de pessoas sem os sintomas da febre, tosse seca ou coriza em tão poucos dias, e a barreira para nos protegermos deve ser forte. E olhe que, conforme especialistas, cerca de 80% dos infectados apresenta sintomas leves.
Com o número de casos confirmados ao redor do mundo passando dos 100 mil, estejamos atentos ao isolamento social, à quarentena individual se ela for recomendada; mantenhamos distância uns dos outros, se nos aproximarmos para uma conversa ou quando formos às unidades essenciais, como farmácia e supermercado.
É uma pandemia, conforme declarou a OMS em 11 de março, e o termo, quando usado, mostra que se trata de uma doença infecciosa que ameaça pessoas do mundo inteiro, simultaneamente. Quando falamos de pandemia, perguntamo-nos assustados por que tudo isso e, naturalmente, nos apavoram com o que vemos: a mudança drástica na vida das pessoas, sem nada poder fazer fora de casa; as cidades sem ninguém nas ruas; as portas de empresas fechadas; hospitais de campanha sendo montados para atender os doentes menos graves, deixando os leitos dos hospitais para os mais graves e moribundos.
O número de infectados na Espanha já extrapolam os leitos hospitalares e eles estão sendo levados para hospitais de campanha; a Itália já confinada há 17 dias é agora epicentro da Covid-19, com a polícia atuando se alguém é pego na rua; e também lá veem-se os drones fiscalizando, mandando as pessoas de volta para suas casas; as cenas dilacerantes em Bergamo, a nordeste de Milão; em Brescia e Cremona, na Lombardia, os mortos sendo levados em comboios para sepultamento fora de sua terra, pois hospitais e cemitérios estão cheios.
E pensar que o primeiro caso ali foi há menos de dois meses, no dia 31 de janeiro. Constatamos quão grave é o coronavírus, quando vemos que há apenas 25 dias, na Itália, eram 17 mortes; um mês depois, 7.500; quando a Espanha hoje supera a China em número de mortos pela doença - 738 pessoas nas últimas 24 horas - indo para um total de vitimas de 3.434, segundo informou o Ministério da Saúde.
Temos visto cidades isoladas; presos liberados para evitar aglomerações; e como a China e a Itália, Irã e a Coreia do Sul também são grandemente afetados pela pandemia. São inúmeros os fatos a arrolar.
Uma pandemia normalmente ocorre quando não temos as defesas naturais contra o vírus, nem medicamentos ou vacina para nos proteger. Pesquisas apontam que bactérias, vírus e outros microrganismos já foram causadores de incontáveis mortes à humanidade. Então, o vírus infecta-nos e passamos
a transmiti-lo, às vezes sem saber por estarmos assintomáticos.
Antes desta pandemia do coronavírus, outras já assolaram a humanidade e levaram muitas vidas, como a Cólera, a peste negra; a tuberculose, a Gripe Espanhola, o vírus influenza, com milhões de pessoas mortas, o vírus H1N1, uma pandemia variante da gripe suína, quando foram infectadas milhões de pessoas e mortas centenas de milhares.
Portanto, quando vemos o Ministério da Saúde comunicando milhares de casos da Covid-19 confirmando centenas de mortes, sabemos que devemos acompanhar aa orientações da OMS, do Ministério da Saúde, de médicos e sanitaristas e dos governos de estado. Devemos nos sentir seguros, pois o Brasil está alinhado com as grandes autoridades do mundo, e a normalidade voltará. E, claro, depois de tudo isso, o mundo perceberá, ainda mais claramente, quanto estamos conectados, devendo ter preocupação e cuidados para com o outro: não estamos sozinhos no planeta, e sim, ligados globalmente. Enquanto nos detemos entre as paredes de nossa casa, percebamos que temos, oportunidade de uma vida mais fraterna, estreitar laços.
É preciso maior identificação dos valores morais, éticos, sociais e espirituais para uma vida com mais humanidade, como pede o Papa.
Francisco, que, como nós, está enclausurado e em oração constante, em especial pelos que estão na linha de frente: os profissionais da saúde.
* Jornalista, professora, escritora, diretora teatral, poetisa, romancista, cronista e redatora. Autora de 20 livros publicados. Presidente coordenadora da AJEB – DF.
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