A criança especial e o coronavírus: cuidados especiais

Marcone Oliveira *

Desde o início de janeiro o mundo vem passando por uma das piores crises da saúde dos últimos anos, quiçá do século. Nunca antes tantas medidas foram tomadas e informações repassadas.

No meio dessa pandemia encontram-se as nossas crianças, que inicialmente não compõem um grupo de risco para letalidade. Mas quando olhamos de perto identificamos um grupo que merece muita atenção: são as crianças especiais, as portadoras de:

- Paralisia Cerebral, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Microcefalia, Síndrome de Down, Distrofia muscular, Esclerose múltipla, demais síndromes e outras condições semelhantes.

Além destas, podemos ter algumas condições especiais que podem agravar o quadro, casos de crianças com traqueostomia, gastrostomia, crianças com dificuldade na fala ou com deficiência no sistema imunológico.

Essas crianças apresentam duas características importantes que as colocam no grupo de risco com maior potencial de gravidade para o Covid-19, e uma delas é o comprometimento da mobilidade, da força e baixa capacidade dos seus sistemas como um todo, que podem levar à fadiga com muita facilidade. Outro problema é que essas crianças apresentam um padrão de resposta inflamatória mais exacerbado do que as crianças sem estes problemas.
Aí vem a pergunta: O que fazer nestes casos?

A primeira conduta muito importante é não interromper os tratamentos, a não ser que exista uma orientação médica formal para isso; o segundo ponto se trata de ficar atento às mudanças de comportamento dessas crianças, que podem indicar que algo vai mal, e a terceira e última conduta é a prevenção do contágio.

Fique atento, pois algumas crianças com deficiência costumam colocar muito as coisas na boca, objetos e mãos, entre outros, já que essa é uma forma de contágio, e por isso, devemos garantir que estes objetos devem estar limpos e livres de infecção.

Devemos ter atenção redobrada com crianças que têm maiores dificuldades na higiene pessoal, no tomar banho, ao se limpar após fazer as necessidades fisiológicas e após as refeições.

Além dessas medidas devemos estar atentos às recomendações das autoridades quanto às medidas básicas para reduzir os riscos:

- O primeiro é o isolamento social, com muita atenção a saúde mental dessas crianças,

- Lavar frequentemente as mãos adequadamente com água e sabão, seguindo a técnica adequada, por pelo menos 20 segundos,

- Usar desinfetante para as mãos à base de álcool 70%,

- Evitar, quando possível, tocar o nariz, bocas e olhos, principalmente se as mãos não estiverem lavadas.

- Ao tossir e espirrar, sempre colocar um lenço de papel sobre a boca da criança e descartar em seguida.

O coronavírus pode sobreviver em superfícies por vários dias, por isso é tão importante a higienização constante dos locais de convívio dessas crianças, e com o simples ato de higienizar com álcool a 70% ou com água e sabão conseguimos destruir o vírus em minutos.

O contágio deste vírus se faz de pessoa a pessoa e os principais sintomas da infecção são febre, tosse seca e cansaço. Caso algum destes sinais e sintomas surjam em uma criança especial, fique em casa e converse com o seu médico, e caso ocorra dificuldade respiratória, procure um serviço médico imediatamente.

Juntos, e ficando de olho nas nossas crianças especiais, venceremos mais este desafio.

* Médico Neuropediatra - CRM- 53148 RQE 38030.
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