Qual a diferença entre pandemia e epidemia?

William Passos *

Entre janeiro de 1918 e dezembro de 1919, uma pandemia do vírus influenza A do subtipo H1N1 contaminou mais de 500 milhões de pessoas (metade da população mundial na época), levando a óbito entre 50 e 100 milhões de indivíduos em todo o mundo, inclusive o Presidente da República brasileiro, Rodrigues Alves (1848-1919), sendo uma das pandemias mais letais da história da humanidade.

Tendo surgido no último ano da Primeira Guerra Mundial e matado mais de 35 mil pessoas no Brasil, a gripe espanhola produziu um cenário semiapocalíptico: estabelecimentos foram fechados, aglomerações foram proibidas, fiéis foram desaconselhados de irem às missas. De acordo com a historiadora Anna Ribeiro, da USP, São Paulo registrou 5.331 mortes em decorrência da gripe: lojas sem produtos, saques e corpos aguardando enterro passaram a compor a paisagem caótica de várias cidades brasileiras durante os dias de combate à epidemia. Quando o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou, há poucos dias, que o mundo atualmente vive a “crise de saúde mais grave em um século”, ele fez referência à Gripe Espanhola.

A diferença entre pandemia, epidemia, endemia e surto, basicamente, está relacionada a abrangência geográfica. Enquanto o surto se restringe ao aumento repentino de casos de uma doença numa área geográfica menor (algumas cidades ou bairros, por exemplo), a epidemia acontece com o aparecimento de casos numa área mais ampla (um ou mais estados ou até o país todo). Por sua vez, endemia é quando uma mesma enfermidade aparece com frequência e de forma permanente num mesmo local. A febre amarela, por exemplo, é considerada uma doença endêmica da região Norte do Brasil. Já a pandemia surge quando uma mesma doença se espalha por diversas regiões do planeta. Em 2009, a gripe A (gripe suína) passou a ser considerada pandemia quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) registrou casos nos seis continentes. Apesar de estar diminuindo, a Aids também é considerada uma pandemia.

No dia 11 de março, após uma declaração da OMS, o mundo passou a registrar uma nova pandemia: o Covid-19 (coronavírus). Até o dia 18, havia cerca de 209 mil casos e nove mil mortes confirmadas, sendo quatro no Brasil. A chegada do Covid-19 ao país impulsionou um grande esforço das autoridades sanitárias para diminuir ao máximo o número de contágios e de mortes. Os acontecimentos, especialmente na China e na Itália, mostram que agilidade das autoridades e prevenção pela população podem diminuir brutalmente o número de infecções, fazendo com que a onda de contágio termine mais rapidamente. Daí a importância do isolamento domiciliar, lavar as mãos com frequência, não compartilhar talheres, copos, pratos, toalhas nem roupas e de evitar o contato com pessoas com mais de 60 anos, diabéticos e pessoas com baixa imunidade.

Infelizmente, os prejuízos para trabalhadores, empresas e para o próprio governo ainda são incalculáveis, mas eles serão ainda maiores se a população não colaborar e se cuidar. Na medida do possível, antecipe as compras do supermercado e faça estoques. Utilize sempre fontes de informação confiáveis e não acredite em tudo o que recebe pelo celular, especialmente quando você não conhece quem produziu a informação. Dê preferência às informações divulgadas por jornalistas, que são profissionais preparados, com grande experiência, que estudaram durante anos. Mais do que nunca, precisamos exercitar a solidariedade, não pensando apenas em nós mesmos, mas também nas outras pessoas ao nosso redor. O coronavírus não tem preferência. Ele pode atingir qualquer pessoa: rica ou pobre, homem ou mulher, branca ou não.

* Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Jornal Diário do Aço. E-mail: geograwilliam@gmail.com.
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