16 de março, de 2020 | 15:15

Tudo parado

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
Mesmo com um atraso significativo, a CBF e as Federações tomaram uma dose de “simancol” e cancelaram suas competições disputadas pelo país afora por conta da pandemia mundial do Covid-19.
Da sempre cabulosa Federação Mineira, que manteve o clássico Atlético x Cruzeiro um dia depois da tragédia de Brumadinho, não era mesmo de se esperar muita coisa.

Pois então, neste fim de semana, a FMF ainda insistiu em realizar partidas de futebol com portões fechados, medida totalmente incompatível com a gravidade do problema, classificado desde a última quarta-feira como sendo uma “pandemia” pela Organização Mundial de Saúde, exigindo medidas de enfrentamento urgentes e sérias de todos os governos e da sociedade.

O jogo de portões fechados, que só atende aos interesses comerciais dos clubes, da TV, das próprias federações e da CBF, não prioriza as vidas humanas dos envolvidos, que vão de jornalistas a dezenas de outros profissionais, expondo, sobretudo, os atletas, ao risco extremo do contato direto. Ou alguém consegue fazer um gol e não abraçar ou ser abraçado por um companheiro?

Passeio e vergonha
Com o “Alçapão do Bonfim” em Nova Lima totalmente vazio, a estreia do técnico argentino Jorge Sampaoli foi um passeio tranquilo para o Atlético, que derrotou em ritmo de treino a fraca equipe do Villa Nova.

É muito cedo ainda para qualquer avaliação, mas já se pode dizer que o time do Atlético deu sinais positivos de que vá obter uma nova cara ou padrão tático, ao feitio de seu novo treinador, com muito toque de bola desde a saída da defesa, com a participação efetiva do goleiro, além de aumentar a força ofensiva da equipe.

Se de fato devemos fazer do limão uma limonada, a paralisação do campeonato mineiro vai acabar ajudando o técnico Sampaoli na sua tarefa de mudar a maneira do Galo atuar e fazer com que os jogadores entendam melhor suas ideias.

A vergonha ficou por conta de mais uma atuação pífia do Cruzeiro, derrotado pelo Coimbra (1 x 0), um dos piores times da competição, o que resultou na demissão do técnico Adílson Batista e do diretor de futebol, Ocimar Bolicenho.

Há pelo menos 10 anos, desde que deixou o Cruzeiro após perder a disputa do título de uma Copa Libertadores para o Estudiantes de La Plata, no Mineirão, Adilson Batista não consegue realizar um grande trabalho em clube algum.
Daí a estranheza de todos com a sua contratação, no fim do ano passado, uma tentativa frustrada de salvar o clube do rebaixamento, feita pelo ex-presidente Zezé Perrela, que é amigo particular de Adílson.

A expectativa agora é quanto à escolha do novo técnico e do dirigente para comandar o futebol celeste, que precisa melhorar urgentemente para disputar a Série B e buscar o acesso ainda este ano à Série A nacional.

FIM DE PAPO
• Após ser demitido, ainda no vestiário do Estádio Independência, o técnico Adílson Batista disparou a sua “metralhadora de mágoas” e falou um monte de bobagens entremeadas com algumas verdades, numa tensa entrevista coletiva na qual revelou também sua contumaz arrogância e transferiu responsabilidades para jogadores e dirigentes, sem reconhecer sua incapacidade na função de treinador da equipe. Entre as verdades, citou a falta que um presidente de fato faz ao Cruzeiro no momento, para tomar decisões sem sofrer tantas influências externas, como hoje se vê neste confuso Conselho Gestor do clube.

• O processo eleitoral do Cruzeiro está em curso e a eleição para um mandato tampão para até o fim deste ano está marcada para maio. O problema é que, neste contexto eleitoral, não apareceu até agora nada de novo. Todos os postulantes conhecidos representam as mesmas correntes políticas internas do clube, que, de forma direta ou indireta, contribuíram para levar a instituição ao caos em que se encontra hoje. Nada diferente do interminável “quando você acha que as coisas não podem piorar, elas podem”.

• Desta vez, aquele que o ex-técnico Dudamel chamava de “intruso”, que vazava informações sobre a escalação do time para a imprensa, não conseguiu pistas sobre o time titular do Galo que Sampaoli mandou a campo contra o Villa. E a surpresa foi grande, quando Di Santo e Ricardo Oliveira apareceram juntos no ataque, eles que vinham jogando muito mal e sendo execrados pela torcida, além da estreia de Rafael no gol. Como dizia o velho e bom Otto Glória, “o técnico de futebol vira besta ou bestial” dependendo dos resultados. Como o Atlético venceu, inclusive com um gol sendo marcado pelo seu compatriota Di Santo, ficou tudo de boa para Sampaoli.

• Na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, o saudoso comentarista Aloysio Martins, se não estava transmitindo os jogos do Brasil pela Rádio Vanguarda, passava o dia inteiro assistindo partidas de golfe na TV americana. Numa dessas, Aloysio cochilava em meio a uma das intermináveis partidas de golfe, quando foi despertado por um barulho vindo da cozinha.

Com seu habitual bom humor, ele disse ter sonhado que a bolinha usada em uma das tacadas pelo jogador o havia acertado na poltrona. E eu me lembrei dessa história ao ver que todos os canais das TVs, pagas ou abertas, só falam agora sobre coronavírus. São dicas e/ou informações úteis, com o objetivo de ajudar no enfrentamento ao Covid-19. O perigo é se alguém levar essa overdose de informações ao pé da letra e se infectar via TV. (Fecha o pano!)
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