Semana complicada

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
A semana foi complicada no Cruzeiro, que sofreu derrotas dentro e fora do campo, neste caso, devido a decisões de ações na Justiça cobrando dívidas trabalhistas por parte de ex-jogadores, que somam milhões de reais.
A palavra mais usada pelos novos dirigentes para definir esse momento vivido pelo clube é “reconstrução”, mas o fato é que a caminhada está sendo bem mais difícil do que os milhões de cruzeirenses imaginavam.

Se, nos bastidores, velhos grupos políticos que dão as cartas no clube há décadas voltam a se engalfinhar numa disputa eleitoral fratricida, dentro de campo o time foi um desastre completo, na derrota de 2 x 0, em pleno Mineirão, para o modesto CRB de Alagoas, praticamente dando adeus à Copa do Brasil, bem como à possibilidade de faturar mais R$ 2 milhões em premiação, que ajudaria muito neste momento conturbado.

Experiente e bem articulado nas entrevistas, o meia Robinho, que entrou no 2º tempo, foi quem melhor definiu este momento do Cruzeiro: - “Agora chegou a realidade. Jogos que realmente serão confrontos diretos para o nosso primeiro objetivo, que é o acesso, e temos que entender que a realidade do Cruzeiro será essa agora”.
De fato, o modesto CRB de Alagoas, que também será adversário do Cruzeiro na Série B nacional, passou por cima do jovem time celeste com uma facilidade que assustou ainda mais a já descrente torcida azul, sobretudo porque nem se trata de um dos favoritos ao acesso este ano.

Mais trapalhada
Mas na fase atual do Cruzeiro, quando você acha que as coisas não podem piorar, elas pioram. A torcida pediu a saída do técnico Adilson Batista depois da derrota para o CRB, por 2 x 0, mas também por conta do fraco desempenho mostrado pelo time até agora nesta temporada.
Depois de anunciar uma decisão neste sentido, o conselho gestor do clube voltou atrás e manteve o treinador no cargo, cedendo às pressões de um dos principais patrocinadores.

Fora do grupo dos quatro times que se classificam para a semifinal do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro joga hoje no Estádio Independência com a obrigação de derrotar o tome do Coimbra, um dos piores da competição.
Ao manter o treinador Adílson Batista, cujo prazo de validade já está vencido há bastante tempo e nem deveria ter sido contratado, os atuais gestores desperdiçam um tempo precioso, que poderia já ser usado por um novo treinador para reorganizar o time, que hoje claramente está longe do nível ideal para alcançar o acesso à Série A nacional.

FIM DE PAPO
• Em mais um interminável episódio da série “quando você acha que as coisas não podem piorar, elas pioram”, o Cruzeiro recebeu na última semana outra má notícia da FIFA. Trata-se de um pagamento que não foi feito, pelo empréstimo de seis meses do volante Denílson, junto ao Al Wahda, dos Emirados Árabes, que cobra uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 milhões (850 mil euros). O clube celeste reconhece a dívida, mas afirma que tentará uma condição melhor de pagamento, que terá de ser feito no prazo máximo de 90 dias, caso contrário ficará sujeito às sanções determinadas pela FIFA, que poderão resultar em rebaixamento à Série C nacional.

• A principal notícia no Atlético na semana passada foi a confirmação da contratação do mineiro Alexandre Mattos, 43 anos, ex-América, Cruzeiro e Palmeiras, para ocupar o cargo de diretor de futebol, em substituição ao gaúcho Rui Costa, demitido juntamente com Dudamel e sua comissão técnica. Mattos chega ao Atlético com a missão de substituir um mito, Eduardo Maluf, que faleceu em 2007 e, desde então, não teve um sucessor à altura.

• Por ter conquistado recentemente títulos importantes por onde passou, o dirigente chega ao Atlético cercado de expectativas positivas, no mesmo instante em que o clube sinaliza uma grandeza como há muito não se via, ao contratar um dos principais técnicos do continente, o argentino Jorge Sampaoli. Mattos terá a missão de montar um elenco competitivo, com potencial para conquistar títulos. Ele terá, como se diz aqui nos nossos grotões, que “comer a carne sem matar o boi”, ou seja, fazer um time forte para atender as expectativas e dar alegrias à sofrida torcida atleticana, sabendo que o clube não tem cacife financeiro para isso.

• Em toda a América do Sul, a pandemia do coronavírus já começa a provocar cancelamentos de jogos de futebol, como ocorre na Europa. Jogos de portões fechados fazem a receita dos clubes cair em 15%, mas o impacto é administrável. O temor é que a situação se torne incontrolável e se tenha de cancelar a realização de jogos, o que afetaria principalmente as receitas de TV e os patrocínios, que são a principal sustentação dos clubes. Sem esse dinheiro, não haveria como cumprir contratos com os jogadores em salários, direitos de imagem, luvas etc. Por enquanto, CBF e federações estão segurando a corda, mas depende de quanto tempo essa epidemia do coronavírus no nosso país vai durar. Só resta rezar! (Fecha o pano!)
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