Moradores de Ipabinha fecham a EFVM em protesto

Comunidade está novamente sem água e quer atenção do poder público, Copasa, Vale e Renova

Enviada por leitor

Atualizado às 17h30 26/02
A Estrada de Ferro Vitória/Minas (EFVM) foi bloqueada temporariamente por moradores do bairro de Ipaba, de Santana do Paraíso. A movimentação ocorreu na terça-feira de carnaval (25), promovida com o objetivo de chamar a atenção das empresas Copasa e Vale/Samarco, bem como Fundação Renova, além do poder público municipal. Populares aguardam melhorias na estrutura daquele local, como o abastecimento de água.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar foram acionados para controlar a situação, já que a ferrovia chegou a ser bloqueada. No fim da manhã, um grupo não identificado colocou madeiras, pneus e cartazes sobre a linha férrea e ateou fogo. O protesto foi promovido nas proximidades da estação que atende à comunidade.

Os bombeiros apagaram o fogo resultado da queima de detritos e a linha foi desobstruída. Durante o protesto, um trem cargueiro e o trem de passageiros, ambos sentido a Vitória (ES), estavam parados aguardando liberação da ferrovia. Não houve danos materiais nem pessoas presas em função do protesto.

Uma das moradoras que reivindicaram por providências, Inês Silva, relatou ao Diário do Aço nessa quarta-feira que muitas casas do bairro estão danificadas, havendo rachaduras em sua estrutura, em razão da operação da ferrovia da Vale. A moradora também reclama da poluição sonora das máquinas. “Além disso, a Copasa deixa a desejar em relação ao abastecimento. Falta água quase todos os dias, sem nenhuma explicação. Nosso esgoto é irregular e o reservatório não tem manutenção. As contas são altíssimas para famílias com duas pessoas e consumo regular. Sobre a fundação Renova e Samarco, queremos uma resposta concreta dos projetos para o bairro, atingido pela lama. Queremos chamar a atenção das empresas e da prefeitura, para termos uma resposta em relação ao Ipabinha”, detalhou.

Mais protestos
Ainda conforme a moradora, caso um retorno não seja dado, novos protestos podem ser realizados. A assessoria da Vale informou que mantém diálogo constante com os moradores por meio de encontros e demais canais de comunicação da empresa. 

“As buzinas são usadas exclusivamente como ferramenta de segurança, visando alertar as pessoas durante as manobras e circulação dos trens, conforme regulamentação. A Vale reitera seu compromisso com a segurança de suas operações, bem como das comunidades ao longo da EFVM”, destacou a empresa.

Copasa
Procurada, a assessoria da Copasa informou que o abastecimento de água do bairro Ipaba de Paraíso é realizado por meio de um poço profundo e, em razão da queda de sua vazão, tem complementado o abastecimento por meio de caminhões-pipa.

“Para ampliar a produção de água para o bairro, a Copasa perfurou novos poços e devido ao fato de eles se localizarem em terrenos particulares, realizou avaliação das áreas e apresentou propostas ao proprietário. Em razão da falta de acordo e à falta de documentação comprobatória de propriedade do terreno, a Copasa está providenciando o ajuizamento de uma ação de desapropriação para providenciar a operação da nova unidade que atenderá a demanda do bairro”, salientou.

Renova
A Fundação Renova é a instituição constituída para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão (Samarco), que fez descer parte da lama para os afluentes do rio Doce. A tragédia ambiental ocorreu na área da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana, em 2015.

Por meio de sua assessoria, destacou que os manifestantes de Ipabinha se retiraram nesta quarta-feira (26) da linha férrea. Na quinta-feira (27), será feita uma visita às lideranças para entender a demanda. Posteriormente, se for necessário, a Fundação fará uma reunião com os representantes do movimento.

“Em relação ao sistema de abastecimento de água em Ipabinha, estão previstas para serem realizadas obras de melhorias este ano. Serão feitas infraestrutura, limpeza e recuperação de 11 poços tubulares existentes, para a instalação de filtros em todas as residências impactadas. Também estão previstas as perfurações de quatro poços tubulares com seus respectivos filtros. A Fundação reitera que considera legítima qualquer manifestação popular, coletiva ou individual e reafirma que possui o diálogo como prática norteadora de suas ações. Até dezembro de 2019, foram destinados R$ 7,84 bilhões para as ações integradas de recuperação e compensação. Cerca de R$ 2,11 bilhões foram pagos em indenizações e auxílios financeiros emergenciais para cerca de 320 mil pessoas”, conclui a nota.

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