19 de fevereiro, de 2020 | 10:00
Médica aponta prejuízos causados pelo consumo excessivo de álcool
Mariana alerta que o consumo de altas quantidades de bebida alcoólica, em um curto intervalo de tempo, pode causar problemas cognitivos
Tiago Araújo - RepórterO Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo foi comemorado nesta terça-feira (18). Diversas ações foram realizadas pelo país com o intuito de conscientizar a população acerca dos problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool, que é uma droga legalizada, mas com efeitos tão nocivos quanto a maioria dos entorpecentes ilegais. Em entrevista ao Diário do Aço, a médica Mariana Furtado, especializada em endocrinologia e professora da Univaço, destacou a importância do combate ao alcoolismo.
Mariana alerta que o consumo de altas quantidades de bebida alcoólica, em um curto intervalo de tempo, pode causar problemas cognitivos. A pessoa pode ficar com o comportamento alterado, perder a consciência ou ter uma crise compulsiva. Em doses menores, há um aumento da agressividade, a pessoa fica mais desinibida, tem uma queda na capacidade de sua concentração e tem a coordenação motora prejudicada, o que pode ser extremamente perigoso para aquelas pessoas que trabalham em áreas de risco”, afirmou Mariana.
Hepatite e cirrose
A médica também acrescenta que as pessoas que bebem excessivamente álcool podem ter hepatite alcoólica aguda, que é uma inflação no fígado, enquanto a cirrose ocorre quando há um consumo crônico, que pode ser desenvolvido a longo prazo. O álcool é tóxico para o cérebro, testículos, pâncreas, coração e para o corpo em geral. Com isso, a pessoa pode desenvolver problemas sexuais, pancreatite crônica, desnutrição, diarreia, diabetes e insuficiência cardíaca. Além disso, a bebida alcoólica tem substâncias cancerígenas, o que aumenta a chance de surgirem tumores malignos”, salientou.
Alcoolismo
Mariana Furtado ainda informou que o alcoolismo é uma doença na qual a pessoa desenvolve uma dependência. Atualmente, 10% da população brasileira tem essa doença. O alcoolismo não é caracterizado pela quantidade que bebe, mas pela dependência física e psicológica da substância. O paciente alcóolatra tende a precisar de doses cada vez mais altas e tem dificuldade de parar de beber quando começa. Vale destacar que há uma diferença entre o consumo abusivo, que é consumir grandes quantidades, e o alcoolismo, que é a dependência do álcool”, explicou a médica.
Tratamento
A profissional ressalta que o alcoolismo não tem cura, mas tem tratamento. Uma vez que se torna dependente do álcool, por resto da vida será suscetível a ter uma recaída. Por isso recomendamos que a pessoa que vai começar o período de abstinência não beba nada, porque ela tende a voltar a beber a qualquer momento. Já o tratamento para o alcoolismo envolve aconselhamento, acompanhamento médico, grupos de apoio (Alcoólicos Anônimos) e medicamentos”, citou.
Carnaval
Com a aproximação do carnaval, data festiva na qual há um consumo exagerado de bebida alcoólica pelos foliões, a médica Mariana Furtado alerta que é preciso ter uma moderação, para evitar comas alcoólicos e acidentes de trânsito. O coma alcoólico é algo muito grave. Pode ser fatal, já que a respiração da pessoa fica fraca, podendo ter uma parada respiratória e morrer por falta de oxigenação no cérebro. E é um risco maior principalmente para aqueles não têm o hábito de beber. Mas o maior problema nessa data festiva está relacionado aos acidentes de trânsito.
Quando a pessoa bebe, ela não tem condições de dirigir, já que a bebida alcoólica prejudica a capacidade de concentração e de reflexo, aumentando o risco de acidente de trânsito. Portanto, gostaria de dizer que quem sofre com o alcoolismo não precisa ter vergonha para procurar ajuda, porque não é fraqueza, é uma doença”, concluiu.
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