Aninha e a paixão pelo futsal

Atleta superou preconceito e entrou em quadra depois dos 50 anos de idade

Wôlmer Ezequiel


Ana Aparecida tem 55 anos e entra em quadra motivada pelo amor
Bruna Lage - Repórter

A presença da mulher no esporte tem sido cada vez menos alvo de preconceito, mas essa história nem sempre foi assim. Ana Aparecida de Oliveira, a Aninha, que hoje tem 55 anos, pode realizar o sonho de jogar futsal aos 53 anos de idade. A ala da equipe do Águias, de Ipatinga, vem de uma família de seis filhos homens. Única mulher, ela deixou de jogar para não chatear o pai e em razão dos percalços da vida. Mas o amor e a vontade de estar em quadra falaram mais alto.

“Lá atrás, quando era mais nova, eu gostava de correr, mas aos 9 anos tive problemas de saúde e fiz tratamento até os 17. Minhas pernas foram paralisadas, tive febre reumática. Tomei benzetacil (injeção) e hoje cuido direitinho da saúde. Eu tenho sequela prolapso da válvula mitral, mas isso não é nada. Vida normal. E o importante é que essas atividades físicas só me ajudam. Ao responder essas perguntas, lembro de tantas coisas boas... Viajei em cada momento, de como tudo recomeçou e sou grata a tantas pessoas que me acolheram, como minha técnica Geisiane Reis e várias outras”, pontua Aninha.

A atleta gostava tanto de esportes que nas aulas de educação física se esforçava para correr e jogar handebol. “Mas meu pai não achava legal a única menina jogar bola. Já minha mãe até que tentava me entender. Ninguém na família pratica futsal, a gente brincava muito no quintal de casa, porque as pessoas iam, mas nós não saíamos pra rua. Eu ficava vendo os meninos jogar. Mas aí eu pensava: ‘não jogo futebol, mas vou correr’. Só que a vida nos prepara outros rumos. Perdi minha mãe e fui cuidar dos irmãos, do pai, da casa e trabalhar. Mas o esporte na minha vida é o que me mantém viva, é a chama que me desperta todos os dias”, assegura.

Início
Aninha não tinha incentivo, mas não desanimou. Chegou a jogar futebol com 25 anos. “Anos depois, meu pai já entendia o meu amor. Comentei com uma amiga que queria jogar futsal e ela me disse que tinha um time no bairro Castelo. Apesar da vergonha eu fui, fiz um treino e me perguntaram se queria ficar com elas e assim aconteceu. Depois passei a treinar no 7 de Outubro, também jogamos na Vila Ipanema e no Recanto. Eu também jogo handebol, comecei há seis meses. Além de praticar corrida”, conta.

Mensagem
Para Ana, o preconceito em relação à mulher no futebol/futsal ainda existe, mas é menor hoje em dia. “Agora mesmo, enquanto aguardava a reportagem do Diário do Aço, passou um homem e ficou olhando pra mim, como se fosse algo estranho uma mulher uniformizada. Mas alguns perguntam se vai ter torneio, enxergam como algo normal.

Mas lá atrás o preconceito era maior. A mensagem que deixo é que nunca desistam dos sonhos, porque as oportunidades estão aparecendo, é preciso ter coragem de ir e começar. Eu tinha um sonho lá atrás e, por motivos pessoais e particulares, foram adiados. Não culpo ninguém, porque respeito e cada época era um pensamento. Mas olha como Deus me deu a oportunidade, aos 53 anos pude recomeçar”, celebra.
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Comentários

Maria de Lourdes 19 de Fevereiro, 2020 | 12:00
Ana amiga querida, parabéns! Você é um exemplo para todos que estão com os sonhos ocultos.
Altair Oliveira 18 de Fevereiro, 2020 | 18:24
Ana, irmã querida e exemplo de guerreira. Sempre batalhadora para cuidar com carinho seus irmãos e ainda sobra tempo para realizar seus sonhos. Parabéns, você merece esse reconhecimento e parabéns também a reportagem do Diário do Aço por tornar pública esse exemplo de vida, pois, assim como outros, Ipatinga é repleta de heróis anônimos que fazem a história dessa cidade e que nao sao conhecidos pelos moradores.
Suzana Andrade 17 de Fevereiro, 2020 | 19:03
Amiga, você merece o mérito! Sempre dedicada e determinada. Parabéns!!!!
Lídia de Oliveira 17 de Fevereiro, 2020 | 12:08
Minha prima Cidinha arrasa. Excelente pessoa e ótima atleta. Grande exemplo de esforço e dedicação. Parabéns! Amei a matéria e a foto.
Maria Alice dos Santos Souza 17 de Fevereiro, 2020 | 00:00
Aninha é uma mulher como outra qualquer, mas o diferencial que ela ama a vida e corre atrás de seus sonhos e com isso contagia a todos ao seu redor. Tenho grande orgulho de ter conhecido ele lá no Bairro castelo, porque quem ama futebol, corre atrás da bola. E agora juntas no time ÁGUIAS F.C cada dia melhorando no desempenho e superando dificuldades, praticando um esporte que amamos tanto é só alegria. "Deus dá asas faz seu vôo...Aguias''.. Meu abraço Ana Aparecida...
Cíntia Silva de Oliveira Faria 16 de Fevereiro, 2020 | 22:47
O que de Aninha ,simples pessoa maravilhosa e vitoriosa um exemplo de garra ,bom coração e carisma por demais. Sou sua fã amiga/vizinha. Deus lhe abençoe todos os dias. Muitas mais bênçãos de vitórias e felicidades.Bjs mil!!!!
Marlúcia Cristina Souza Dias de Almeida 16 de Fevereiro, 2020 | 18:28
Aninha é uma guerreira e uma pessoa que cativa e nos motiva todos os dias. E como ela, nunca devemos desistir dos nossos sonhos. O preconceito ainda existe, mas não podemos deixar de lutar para que a modalidade (futsal feminino) continue a crescer.
Núbia Sousa 16 de Fevereiro, 2020 | 13:57
Tenho orgulho dessa minha amiga aninha juntos jogamos handebol e futsal fico vendo o esforço dela muito foco firmeza e vontade NP que faz nunca reclama de nada mesmo cansada ta lá ela firme e forte..
Débora 16 de Fevereiro, 2020 | 12:56
Essa Aninha é fera! Exemplo de superação. Se destacando com essa garra e esse coração generoso. Arrasaram na reportagem!

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