Preço dos alimentos aumenta e atinge o bolso do trabalhador

Frango e ovos foram alguns dos itens que tiveram elevação de preços e passaram a pesar no orçamento doméstico

Bruna Lage


Pente de ovos contendo 30 unidades quase dobrou de preço nos últimos meses
Bruna Lage - Repórter
Arroz, feijão, produtos de limpeza, higiene e preocupação. Quem vai ao supermercado tem levado, além da lista, a insegurança quanto ao valor que será gasto com os itens básicos para a refeição e manutenção da casa. A reportagem do Diário do Aço esteve nas ruas nesta sexta-feira (14) e constatou uma realidade cada vez mais presente na vida do trabalhador: escolher entre a carne, frango ou ovos, já que o preço destes alimentos tem variado para mais, reduzindo as opções de quem não tem tanto a gastar no supermercado.

A professora Adriana Alves afirma que tem sentido a diferença a cada compra. “O tomate e as folhas a gente não acha variedade. Além disso, percebi que de fato a compra do mês teve elevação no valor. No fim do ano passado, gastava R$ 400, agora, essa quantia subiu para R$ 600. Mas isso é para o grosso, tem sempre um complemento que fazemos ao longo da semana, uma besteirinha, como um biscoito, carne, além da feira, que não considero nesse montante. Isso encarece ainda mais, né? Lá em casa somos dois adultos e um adolescente de 12 anos, mas que se alimenta como gente grande. Então podemos considerar três pessoas adultas. O que na ponta do lápis sai bem caro”, avalia.

Maria Aparecida Ribeiro e Miguel Rosa foram às compras nesta sexta-feira (14). Na casa dos dois, em média R$ 400 são gastos com as compras, atualmente. “Há pouco tempo essa quantia era R$ 50 a menos. É claro que não gastamos só os R$ 400. Tem sempre algo a mais, o que eleva esse cálculo”, relata Maria Aparecida. Já Miguel observou um ponto importante para muitos: “A cerveja não subiu, não vi diferença. Ao menos dá pra garantir o fim de semana”, brinca.
Bruna Lage


Maria Aparecida e Miguel Rosa foram às compras nesta sexta-feira

Ano passado o pente de ovos, por exemplo, era encontrado por R$ 6, em média. Neste dia 14, o mesmo pente é vendido a R$ 11,90, em dois supermercados de Ipatinga. Quase o dobro do preço. O filé de peito de frango, muito presente no prato do brasileiro, também sofreu alteração. Há poucos meses era vendido a R$ 8. Nesta sexta-feira, o consumidor que levou o item para casa, desembolsou R$ 11,90 em um supermercado pesquisado.

Carne
No mês de janeiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou que a cotação da arroba (15 quilos) do boi gordo diminuiu de valor no fim de dezembro, queda média de 15%. Conforme levantamento periódico, a arroba do boi gordo estava cotada a R$ 180 no dia 30 de dezembro. No mês de dezembro, chegou a R$ 216. Conforme o Ministério, o preço da carne vai reduzir para o consumidor final. O cenário “indica uma acomodação dos preços no atacado, com reflexos positivos a curto prazo no varejo”, destacou.

Motivo
O economista Amaury Gonçalves esclarece que a situação pode ser explicada de diversas maneiras. Uma das principais é a condição climática. “O excesso de chuva prejudica principalmente aqueles produtos que ficam fincados na terra, com a batata, cenoura, a banana - que mela e estraga no pé - e é isso que temos verificado nesse período de dezembro e janeiro. Em relação aos ovos, o aumento do custo de produção por causa do aumento do preço do milho e também do preço para manter o frango em condições de produzir. Isso dado ao excesso de chuva dificulta o manejo das aves”, observa.

Além disso, Amaury acrescenta que o aumento do preço do dólar, que bateu a casa dos US$ 4,30, tem se mantido e isso reflete no preço dos alimentos. “Se fosse um aumento momentâneo, que batesse em US$4,10, US$ 4,20 e recuasse, o produtor não teria porque repassar, mas ele está persistindo. Um outro fator é que janeiro teve a correção do salário mínimo e isso cria uma questão psicológica de que os custos estão aumentando e não é necessariamente verdade.

Se deve combater esses aumentos com o aumento da produtividade. Ou seja, o trabalhador produzindo mais. Apenas 4%, 5% no salário mínimo não pode significar um aumento imediato para os preços. Mas psicologicamente, esse mês de janeiro acaba absorvendo esse impacto do salário mínimo, ainda que não tenha sido relevante”, frisa.

Inflação
Contudo, o economista salienta que o mês de janeiro teve a menor inflação para o mês, no plano Real. “Apesar de todas essas intempéries, tivemos uma redução no preço da carne e isso foi significativo para o índice do mês de janeiro ter ficado ao menor de todo o plano”, conclui.
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Comentários

Paulo 17 de Fevereiro, 2020 | 21:11
O governo criou a falsa ilusão pro Brasileiro que a inflação esta baixa. Vá ao banco pegar o empréstimo e veja, vá abastecer seu carro, vá ao supermercado. O que reduziram foi juros da divida pública pra reduzir o endividamento do governo. Se o seu salário não tem aumento real os aumentos sucessivos de preços correm seu poder de compra. Então não cai no canto da sereia, mesmo em selic baixa existe inflação sim. Só não esta pior pq não tem consumo. Comércio esta amargando prejuízos, só vejo lojas fechando e as que resistem estão endividadas. Com raríssimas exceções.
Amadeu 17 de Fevereiro, 2020 | 10:34
Bom dia,
Nem leio a entrevista desse Bolsonarista....só visa o lado dos lojista...aruume um economista mais transparente....já o conheço faz tempo.
Amadeu
Cleuzeni Torres 17 de Fevereiro, 2020 | 07:50
Célio, o economista que opinou na reportagem é bolsonarista e dirigente lojista. Com esse "currículo" e tendo em vista que certamente não é da classe que vai aos supermercados fazer compras para a casa, queria que a opinião dele fosse real? Teorizar é a parte mais fácil. Pronto, falei.
Antonio 16 de Fevereiro, 2020 | 12:12
E depois o governo mentiroso, vem dizer que NÃO tem inflação. Tira a reposição da nflação dos salários e deixa os Bancos nadarem de braçada. Já está de braços dados com banqueiros. sempre assim, contra o povo. Não tem político que presta. Dólar nas alturas, gasolina subindo mês a mês, e aí vem a mentira. Inflação zero.
Celio 15 de Fevereiro, 2020 | 17:51
O ponto conflitante desta matéria, encontra -se na parte que a reportagem em loco, traz uma realidade do dia a dia do consumidor que é a vida real, poem realidade nisso, que tudo tem subido de preço. acorre que o especialista insiste em dizer que isso é uma questão psicológica, bom, será que a psicologia tem ajuda a dona de casa na hora de passar no caixa registradora? Inflação não é psicológica ela é real na vida dos milhões de brasileiros e muitos desempregados.
Bolsonaro 15 de Fevereiro, 2020 | 15:44
SEM CONTAR QUE QUANDO CHEGA AO MERCADO ELES COBRAM DOS MOTORISTAS A DESCARGA QUE DEVE FICAR MAIS DE UNS 400 REAIS CADA CAMINHÃO. CONCLUSÃO ESSE VALOR DA DESCARGA DEVE ALTERAR O PREÇO FINAL DE CADA PRODUTO E ADIVINHA QUEM PAGA TUDO ISSO?
EU E VOCÊ

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