Pais vivem expectativa na porta de escolas à espera de vagas

Alguns comemoraram a matrícula em vagas remanescentes, enquanto outros foram embora chorando e sem retorno positivo; um drama que repete a cada ano

Divulgação pais


O fim de semana foi de acampamento na porta da escola Ana Letro, cena que se repetiu em outros locais
(Repórter - Bruna Lage)
Pais de crianças e adolescentes tiveram um fim de semana tenso no Vale do Aço. Ainda em busca de uma vaga na rede estadual de ensino, eles fizeram vigília na porta de unidades, permanecendo acampados desde a sexta-feira (7) até a manhã desta segunda-feira (10), quando foram conhecidas as vagas remanescentes. Conforme apurado pelo Diário do Aço, nem todos os casos foram solucionados, numa mistura de alegria e lágrimas.

Ediana Silva Nunes fez parte do grupo que esteve na Escola Estadual Ana Letro Staacks, no bairro Quitandinha, em Timóteo. “Muitos ficaram desde a sexta-feira, no meu caso, consegui vaga para o meu menino de 15 anos, que vai estudar no Ana Letro, pois fica dentro do zoneamento. Nós moramos no Alegre. Para o meu filho de cinco anos não achei vaga, vou ter que pagar escola, recorrer à rede particular. Não estava preparada para isso, pois já temos outras despesas, como saúde. Meu marido faz tratamento fora de Timóteo e isso já pesa no bolso. O que nos resta é aguardar, ver se alguém desiste e surge uma vaga pra ele. Caso contrário, nosso gasto com educação será de R$ 630 por mês, R$ 300 de escola e mais R$ 330 de transporte. Uma facada e tanto (no orçamento)”, lamenta.

A mãe relata que muitos pais foram embora chorando do local, porque não conseguiram matricular seus filhos. “Muitos voltaram às lagrimas pra casa. De quando estava lá, vi que saíram 22 vagas para o 1º ano do Ensino Fundamental; seis para o sexto, e uma para o sétimo, oitavo e nono anos, mas não foi o suficiente. Meu marido ficou de vigília na escola Getúlio Vargas, mas também não deu certo. Agora temos que ficar em contato com a unidade, pode ser que haja transferência, alguns conseguem bolsa e fazem matrícula apenas para garantir, já aconteceu antes e temos esperança. Deixamos um agradecimento à Polícia Militar, que nos deu apoio, passando na porta da escola durante a madrugada”, conclui.

Movimento

Pai de aluno e coordenador do Movimento em Defesa das Escolas Públicas de Timóteo, Sílvio dos Santos Ribeiro pontuou que houve bastante confusão no fim de semana e a segunda-feira foi de frustração da grande maioria. “Resta aos pais recorrer ao Judiciário, para pleitear essa vaga, alguns já adiantaram que vão sim à Justiça. O governo insiste que disponibilizou vagas, mas são as piores possíveis. O promotor (da Infância e Juventude, Marcelo Magno Ferreira) deixou claro que, nos casos em que o governo disponibilizou a vaga, ainda que longe, não teria o que fazer, por que não deixou de cumprir seu papel. O pai que se sentiu prejudicado deve recorrer com pedido individual. Muitos desanimam e acabam recorrendo ao ensino privado”, salienta.

A denúncia protocolada na promotoria da Infância e Juventude permanece, mas a atuação deve ser nos casos em que os pais realizaram a pré-matrícula e não conseguiram visualizar depois, além de situações em que os alunos foram direcionados para outras cidades, o que ocorreu em Timóteo, onde meninos e meninas foram destinados a Coronel Fabriciano. “Os pais estão de mãos atadas, mas orientei a alguns que queiram para entrar na Justiça”, frisou.

Vagas

Na tarde de ontem, o Diário do Aço consultou o site da Secretaria de Estado de Ensino, para os 1º anos do Fundamental e do Ensino Médio. No município de Timóteo, por exemplo, algumas vagas estavam disponíveis nas Escolas Estaduais Capitão Egídio Lima (Bromélias); Getúlio Vargas (Funcionários); José Ferreira Maia (Cachoeira do Vale); Leôncio de Araújo (João XXIII) e Tenente José Luciano (Serenata) para alunos do 1º ano do Fundamental. Já no 1º ano do Ensino Médio, havia possibilidade de matrícula na escola Antônio Silva (Centro); João Cotta de Figueiredo Barcelos (Centro); Ana Letro Staacks (Quitandinha); Haydée de Souza Abreu (Limoeiro); Hilda de Araújo Osório Zauza (Ana Moura) e São Sebastião (Santa Cecília).

As informações são alteradas conforme a disponibilidade no sistema. Para garantir a vaga, os pais e/ou responsáveis ou os alunos acima de 18 anos devem comparecer à escola portando os documentos necessários. As vagas remanescentes são preenchidas por ordem de chegada.
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