Segundo voo com deportados dos Estados Unidos chega a Confins

Nos últimos dois anos cerca de 17.900 brasileiros foram capturados pelas patrulhas estadunidenses; intenção do governo dos EUA é deportar todos


Aeroporto de Confins, na Grande BH; fim de um sonho de uma vida melhor nos EUA

Um avião fretado trazendo 130 brasileiros deportados dos Estados Unidos aterrizou no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na noite de sexta-feira (7). Esse é o segundo voo dessa natureza, em menos de 15 dias.

O número de passageiros não foi divulgado. Segundo a Polícia Federal (PF), eles foram inadmitidos nos Estados Unidos e a maioria estava presa.

“Esse é o segundo episódio neste ano, e voos com essas características podem se tornar frequentes”, diz a PF, por meio de nota.

Ainda segundo o texto, até o momento a polícia não constatou nenhuma ilegalidade conexa à migração dos deportados e continua investigando casos suspeitos.

Conforme apurou a reportagem do Diário do Aço, a onda de deportação de brasileiros é uma ordem do presidente Donald Trump. Entre os deportados em massa estão brasileiros que tentam entrar de maneira ilegal no país cruzando a fronteira com o México ou que estejam em busca de asilo.

No dia 24 de janeiro cinquenta brasileiros deportados desembarcaram no aeroporto de Confins praticamente com apenas a roupa do corpo. A maioria nem sequer bagagem tinha. Alguns viajaram dos Estados Unidos até a capital do México algemados e precisaram colocar todas suas coisas em uma sacola plástica. No mês de outubro de 2019 também houve uma deportação e 70 voltaram para a capital mineira, nas mesmas condições.

Ao todo, 17.900 brasileiros foram capturados pelas patrulhas estadunidenses desde o mês de outubro de 2018. Para deportar todos, serão necessários pelo menos sessenta voos. O governo já divulgou que fretar aviões e enviar os brasileiros de volta fica mais barato do que mantê-los nos presídios.

Quando são presos e, ao pedirem asilo na fronteira são, automaticamente, enviados ao México e ficam apreendidos em um terceiro país, a fim de esperar o término da tramitação do processo.

Entre os deportados estão, inclusive, famílias envolvidas no "cai-cai", em que casais com crianças atravessam a fronteira. Até então o governo evitava manter os pais nas prisões, para evitar a responsabilidade de manter as crianças em abrigos. A mudança na política de imigração, determinada por Trump, agora prioriza a deportação dos casais.

A medida do governo dos EUA tem amparo no programa Protocolo de Proteção do Imigrante (MPP, na sigla em inglês). Os imigrantes têm relatado dificuldades em se comunicar com parentes e denunciam a comida fria e ruim a que são sujeitados durante o tempo em que estão reclusos.

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Comentários

Marcos Guimarães 10 de fevereiro, 2020 | 07:07
Seria "cômico se não fosse trágico";
Estas pessoas venderam tudo o que tinham no Brasil, carro , moto, casas e pagaram um "coiote" para os levar até os EUA.
A primeira decepção já acontece no México onde as bagagens são abandonadas as margens do Rio Grande, e muitos morrem ou atravessando o rio, ou no deserto ou nas mãos dos policiais de fronteira que por vezes, atiram para matar.
O único país do mundo onde o "invasor" é recebido de braços abertos é o Brasil!
A pare desgraçada desta história é que: " quem achava que não tinha NADA no Brasil, e que nosso País não tinha NADA a oferecer, agora, sabe o que é ter NADA, zero!!!!
mais humilhante que os míseros salários que se pagam por aqui, é ser deportado e voltar de mãos abanando e a frustração de um sonho,,,,,,pior, muitos não se deram por vencidos e vão se aventurar outras vezes até dar certo.

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