Dr. Emílio, o médico que fez milhares de partos

Emílio Gomes Fernandes recorda atuação em Ipatinga e seu trabalho antes mesmo da existência do Hospital Márcio Cunha

09/02/2020 às 08:45
Wôlmer Ezequiel
Médico criou família e raízes em Ipatinga
Bruna Lage - Repórter
A medicina fez com que Emílio Gomes Fernandes, o Dr. Emílio, criasse raízes e família em Ipatinga. Natural de São Domingos do Prata, o ginecologista e obstetra de 89 anos recebeu o Diário do Aço em sua residência, no bairro Horto, ao lado da esposa, Therezinha Fernandes e relatou um pouco dos anos de profissão e casos, que tiveram início em 1959, quando chegou ao local que viria a se tornar uma cidade.

Emílio não atende mais no Hospital Márcio Cunha (HMC), mas explica que ainda exerce a profissão. “Só não cobro, atendo de graça em alguns locais, presto serviço para pessoas mais carentes. Eu não preciso mais trabalhar, graças a Deus, então recebo meus atendimentos em forma de oração. Mas faço questão que as pacientes rezem por mim, caso contrário, a cirurgia pode até desmanchar”, brinca.

Dr. Emílio explica que veio para o Vale do Aço em 1959, a convite do diretor de Relações Públicas da Usiminas, Mário Rola, para ser médico da empresa. “Me formei em 1958 – estudei na federal do Rio de Janeiro - e aqui eu fui ficando. A Usiminas fez algumas casas, destinadas a engenheiros e outras para médicos, fiquei em uma delas e não voltei mais para o Rio. A Therezinha fechou o consultório dela e veio comigo. Ela é dentista. À época tínhamos só um filho e, para segurar ela aqui, fiz mais três, deu certo”, recorda, bem-humorado.

Atendimento
Inaugurado em 1º de maio de 1965, o HMC foi local de atendimento do “doutor Emílio”, como é tratado por muitos, durante anos. Mas sua história com os pacientes começou antes disso. “Não tinha hospital quando cheguei, o atendimento era realizado na residência das pessoas. Fundei uma Casa de Saúde, a Santa Therezinha, que fechei quando inaugurou o Márcio Cunha. Antes, eu fazia parto em casa e, quando havia necessidade cirúrgica, encaminhava para Coronel Fabriciano. Fiz milhares de partos, mais de 20 mil. Naquela ocasião as mulheres de Ipatinga tinham vergonha na cara, apostavam uma com a outra quem tinha mais filhos, hoje é o contrário. Querem ter um ou dois, isso é muito triste”, zomba, aos risos.

Para o médico, a medicina representa tudo, até hoje, “Parei de atender no HMC recentemente. Em 2019 parei de trabalhar. Atendo só por doação. Eu não sou rico, mas tenho o suficiente. Quase exerci outra função, mas não me deixaram. Fui candidato a prefeito, esperava que todos votassem em mim, mas ocorreu justamente o contrário. De casa em casa, opositores alegaram que se eu fosse prefeito, iria abandonar a medicina. Como atendia de graça, é claro que o plano não vingou, mas não tem problema, segui a vida feliz e fazendo o que amava e ainda amo. Sou grato a Ipatinga, aqui criei meus filhos e pude cuidar de minha família, assim como ajudei a trazer tantos ao mundo. Só tenho a agradecer”, conclui.
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