Atualizada às 10h44 de 1º/02 Alex Ferreira / Arquivo DA
Menina disse que trabalhava no centro de Paraíso, quando entrou no carro de um conhecido
Medo de revelar que perdeu dinheiro da venda das roscas caseiras. Este foi o motivo que levou uma adolescente de 14 anos a inventar ter sido estuprada. A suposta situação mobilizou policiais militares para desvendar o falso crime, que por pouco não era incriminado um homem inocente. O caso foi encerrado na delegacia por falsa comunicação de crime com a condução da adolescente na noite desta sexta-feira (31).
Desde o começo da manhã dessa sexta-feira, moradores de Santana do Paraíso estavam escandalizados com o caso. Em mensagens enviadas ao Diário do Aço, leitores explicam que a vítima é uma jovem que trabalha desde nova e pediam a apuração do caso.
Na madrugada de sexta-feira, a mãe da vítima havia procurado a Polícia Militar para relatar que sua filha, de 14 anos, estava desaparecida desde a tarde de quinta-feira (30). A moça trabalhava vendendo quitutes e sempre voltava para casa por volta de 12h. No dia 30, entretanto, a jovem não retornou, como de costume.
Já, nessa sexta-feira, por voltas de 6h, a central da Polícia Militar foi acionada com a informação segundo a qual uma menina havia sido deixada na unidade de saúde de Santana do Paraíso, com sinais de violência. Uma equipe da PM foi para o local e confirmou que a menor de idade era mesmo a jovem desaparecida de casa.
Em conversa com os policiais a menina relatou que vendia pães pelas ruas e um homem, conhecido dela, a chamou para entrar no seu carro. Ao fazê-lo, o homem deu um pano para ela cheirar e, a partir desse momento, não se lembra mais nada, até quando acordou sem as roupas íntimas, em uma estrada de terra, próximo a uma área de chácaras.
Em seguida, ela pediu ajuda a um homem, que passou em uma motocicleta, e a levou até a cidade. A jovem afirmou aos policiais ter embarcado no carro de cor prata, conduzido por um homem que já havia lhe oferecido, anteriormente, dinheiro para que ela ficasse com ele e que já tinha recusado os convites anteriores.
A jovem foi ouvida pelos policiais e encaminhada para ter os ferimentos medicados no Hospital Márcio Cunha. Em seguida, a adolescente foi levada para exames de corpo delito no Instituto Médico-Legal. Contudo, para a surpresa do PMs, o médico-legista revelou que não houve conjunção carnal e que a jovem ainda é virgem.
Os militares passaram a desconfiar da história da adolescente. Eles acharam o tal homem que levou a jovem no carro, mas negou ter encontrado com a adolescente. O acusado afirmou que saiu para almoçar em um restaurante e voltou para à residência dele. Depois disso, não mais voltou a sair da residência.
Contradições e revelação da verdadeOs PMs levaram a então vítima do estupro para mostrar onde ela passou, mas a jovem entrou em contradições. Em seguida, disse que o autor do crime seria parecido com o homem localizado, mas não era ele. Por fim, confessou que tudo não passava de invenção e que forjou a história para justificar a perda do dinheiro da venda das roscas caseiras.
Na presença da mãe, disse que esteve na casa de uma amiga até o anoitecer e depois foi para um outro local em Santana do Paraíso. Ela se autolesionou provocando os ferimentos nas pernas e cortou parte dos cabelos. A jovem chegou a dormir na margem da MG-232 até que o dia amanheceu e pegou carona com um motociclista até à unidade de saúde da cidade.
Com a descoberta de toda situação, a jovem afirmou que a perda de R$ 31 relativos das vendas das roscas e o medo de ser repreendida pela mãe levou a inventar toda a história. Ela foi apreendida por falsa comunicação de crime e levada pela PM para apresentada ao plantão da 1ª Delegacia Regional de Ipatinga.