Moda, alta costura, esplendor e cultura

Wagner Penna mostra as mais recentes novidades do mundo fashion

Reprodução/Wagner Penna


Desfile de Gaultier no adeus à haute-couture
HAUTE COUTURE
Há muito tempo o mercado fala do fim da ‘haute-couture’, algo inventado pela moda francesa. O termo define peças que são costuradas totalmente à mão, requinte técnico, complementos artesanais e mil outros detalhes.

E caso não obedeçam a esses critérios, que foram estabelecidos pela Câmara de Alta-Costura Francesa, em 1945, uma peça não pode ser vendida como sendo ‘haute-couture’.

Traduzido, o termo significa alta-costura. Porém, em termos de produtos, jamais poderá ser traduzido, pois é uma definição exclusivamente parisiense, assim como o nome ‘champagne’ define o vinho que seja produzido em uma região específica da França.

Com tantas exigências e preços altíssimos, uma que um ‘tailleur’ simples de ‘haute-couture’ pode custar 50 mil euros, ou seja, R$250 mil reais, muitos achavam que o assunto iria morrer. Porém, com os ricos cada vez mais ricos, a ‘haute-couture’ até se expandiu.

No mês de janeiro, as 31 ‘Maisons’ que ainda trabalham com base nesse estilo desfilaram em Paris. Infelizmente, a criatividade caiu muito e o ambiente de sonhos que seus desfiles despertavam antes não aconteceu. A nota simbólica da temporada foi o adeus do Jean Paul Gaultier à ‘haute-couture’, com um megadesfile de 200 peças.

////

ESPLENDOR & CULTURA
A moda trilha caminhos estranhos nos últimos tempos, com mudanças que modificam até mesmo o conceito fashion e afetou também o topo da pirâmide do setor, que é a alta-costura.

Enquanto isso, as demais semanas de moda ganham espaços cada vez maiores nas redes sociais, quase sempre com atitudes fora da passarela. Isso significa que a chamada moda-commodity - aquela que é igual em todo lugar - está dominando o mercado, enquanto a criação fica em segundo plano.

Reprodução/Wagner Penna


O esplendor da Dior no período J. Galliano
Neste aspecto, a ‘haute-couture’ parisiense se adapta aos novos tempos. O balanço dos últimos desfiles mostra que os tempos de esplendor que eram protagonizados por nomes como John Galliano (Maison Dior) ficaram no passado. Curiosamente, alguns novos nomes, quase todos não franceses, estão ‘salvando a pátria’ com propostas mais interessantes. Traduzindo: as trocas culturais, como sempre, enriquecem tudo, inclusive a moda.


VAIVÉM
* O calendário fashion de 2020 será agitado. A Minas Trend confirmou a data de seu evento para o período de 21 a 24 de abril, no Expominas, em Beagá. Com isso, será aberta a temporada de lançamentos para o verão 20/21. Uma prévia será mostrada na Vest-Rio, no início de abril, depois vem os salões paulistanos no final do mesmo mês. Haja fôlego. ***

* O estilista Ronaldo Fraga será homenageado em Belo Horizonte pela escola de samba Canto da Alvorada, uma das mais tradicionais no Carnaval da capital. Além dos fashionistas, a turma da cultura já se movimenta para prestigiar o estilista-poeta com uma ala que fechará a apresentação. Para mim, merecido. ***

* Além da moda nova invernal, as marcas de atacado de Beagá também inovaram no modo de se comunicar com os lojistas, realizando palestras sobre o novo varejo fashion e fidelização do cliente. Entre as palestras mais concorridas esteve a da grife Skunk, com Janaina Ortiga, e a da Frutacor, com Xavier Neto. Bacanérrimo! ***

* Quem gosta de moda deve se ligar no tapete vermelho do Oscar, no dia nove de fevereiro, que será transmitido integralmente pela TNT. É o ponto alto do ano em termos de ‘moda das estrelas’. Com alguns acertos e muitos erros, é divertido também. Anote. ***

* Uma pesquisa recente mostra um descompasso entre o varejo fashion e sua clientela. Os números dizem que 93% das clientes querem ter uma relação mais intensa com as lojas, enquanto apenas 23% dos lojistas informaram atender essa demanda. Foram entrevistadas quase três mil pessoas. ***

* O formato dos desfiles na Semana de Moda de Madri surpreendeu, na edição recém-encerrada. As novidades mais interessantes: um estilista transformou a passarela em estúdio de pintura, com estudantes de arte desenhando modelos e roupas; outro fez um desfile ‘mudo’, com a trilha sonora apenas nos headphones distribuídos na plateia. Bacana, não? ***

PONTO FINAL - O vírus que vem da China e espalha o terror pelo mundo afora faz tremer também o mercado fashion. O fato é que, além de fabricar muita roupa para o mundo inteiro, os chineses são também são os que mais compram, em especial, as marcas de luxo. Daí as contas para baixo foram feitas, ao menos lá fora. No Brasil, a influência é bem menor.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO