Fala, mestre

Fernando Rocha

[imagemd50089 Peço licença ao amigo, jornalista, escritor e radialista das antigas, mestre Flávio Anselmo, filho e embaixador de Caratinga, para onde retornou recentemente depois de sofrer um grave acidente que quase lhe tirou a vida, para usar uma expressão sua que, infelizmente, talvez por falta de conhecimento, muitos colegas citam sem dar o devido crédito: “Vou guardar a minha boca pra comer a farinha depois”.

Pois foi assim que vi a boa estreia - ou treino de luxo - do Galo em casa, no último domingo, ao golear o fraquíssimo Tupynambás, de Juiz de Fora, por 5 x 0. De fato merecem destaque as boas atuações do jovem lateral e também estreante Maílton, 22 anos; Bruno Silva, 19, que fez um golaço, o 5º da goleada, mas saiu contundido logo depois com um problema muscular; além de Jair, Allan, Gabriel e Fábio Santos, enfim. Mas nada disso me causou euforia nem qualquer tipo de depressão.

O Campeonato Mineiro serve para isso mesmo, como anunciado pelo técnico Dudamel, que pretende seguir fazendo experiências a fim de buscar um melhor rendimento da equipe nas competições mais importantes e que já estão batendo à porta, a começar pela Copa Sul-Americana, onde estreia na próxima quinta-feira, dia seis de fevereiro, às 21h30, na Argentina, contra o Union Santa Fé.

Faltou competência
A 2ª rodada do nosso estadual ficou marcada por uma série de lamentáveis fatos extracampo, que poderiam ter sido evitados se houvesse mais sensibilidade e competência da Federação Mineira, que é muito bem remunerada para administrar a competição e nem isso consegue.

Mesmo sabendo com a devida antecedência, por meio de previsões dos institutos de meteorologia, da quantidade de chuva que poderia causar estragos e tragédias em todo o Estado, a entidade não se antecipou adiando toda a rodada, o que, a meu juízo, seria o mais sensato.

Só na última hora cancelou Tombense x Cruzeiro, marcado para o acanhadíssimo estádio de Tombos, expondo a delegação do Cruzeiro e todos os demais envolvidos, inclusive profissionais da imprensa, a um risco de vida desnecessário ao trafegar pelas estradas alagadas, em muitos casos interditadas, num verdadeiro caos.

No caso de Villa Nova x América a FMF quis passar a perna no Leão, invertendo o mando de campo a favor do Coelho e levando o jogo para o Estádio Independência. Mas como o time de Nova Lima tem “padrinhos” muito fortes, conseguiu uma canetada junto ao Tribunal da própria Federação, que fez prevalecer a justiça, adiando a partida para alguma outra data.

FIM DE PAPO
• Após as duas primeiras apresentações, contra o Uberlândia fora e o Tupinambás em casa, já se pode dizer que o novo Galo comandando por Dudamel já tem um esboço tático. O time tenta imprimir velocidade no jogo com trocas rápidas de passes no meio campo, entre Allan e Jair, deixando a marcação forte por conta de Zé Welison.

Falta Cazares ou então outro “camisa 10” de qualidade, para criar jogadas e municiar os atacantes. Na defesa, Maílton ainda precisa ser avaliado melhor, mas se repetir a atuação de domingo será titular absoluto, assim como a dupla de zaga Igor Rabelo e Gabriel.

• O Tupinambás é o retrato vivo da grande maioria das equipes do interior que disputam o Campeonato Mineiro e lutam bravamente pela sobrevivência. O “Baeta”, como é chamado carinhosamente em Juiz de Fora, entrou em campo contra o Galo com um lateral, Lúcio, de 40 anos, e o centroavante Ademilson, com 45 anos de idade. No elenco ainda tem Vagner (33), Michel (31), Fábio (33) e Leandro Salino, campeão mineiro pelo Ipatinga em 2005, hoje com 34 anos.

• Sendo assim, não há o que esperar de diferente senão os três “grandes” da capital e um figurante do interior completando os quatro na decisão do título. Ainda é cedo para conclusões, mas pela batida da lata até agora, o próprio Tupinambás e o Villa Nova são os piores times do campeonato e candidatíssimos ao rebaixamento.

• O América acabou perdendo o treinador Felipe Conceição, que aceitou uma proposta do Bragantino, o novo rico da Série A nacional, patrocinado por uma multinacional. O episódio levanta uma velha discussão no futebol brasileiro sobre a relação entre clubes e treinadores, que se assemelha muito à eterna dúvida sobre se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro.

• O cargo de treinador é o mais instável de todas as profissões que se conhece no país, pois basta uma derrota ou sequência ruim de resultados, até mesmo uma alteração de humor do dirigente, para o técnico ser demitido. Por outro lado, a categoria não reage ou não se importa com isso, pois todos acabam lucrando com esta alta rotatividade, recebendo multas e salários extras durante todo o ano, enquanto trabalham em outro clube.

“Todos estão certos, mas vão presos assim mesmo”. Ulisses do Nascimento, radialista, um dos fundadores da Rádio Vanguarda/1930-2016. (Fecha o pano!)
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