Moro afirma no Roda Viva que apoiará reeleição de Bolsonaro

Reprodução de vídeo


O ministro Sérgio Moro foi entrevistado na noite de segunda-feira (20), no programa Roda Viva

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse que a aprovação do juiz de garantias no Congresso Nacional se deu de maneira não pensada e que não houve um estudo aprofundado, pelos parlamentares, sobre as consequências disso. O ministro é um crítico da medida desde o ano passado.

A afirmação foi feita em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (20). Moro, também comentou sua relação com a Câmara e o Senado Federal, onde sofreu algumas derrotas, especialmente em trechos retirados ou inseridos no pacote anticrime.

A alteração no Código de Processo Penal (CPP), aprovada no fim do ano passado, introduziu a figura do juiz das garantias, responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos fundamentais do acusado.

Perguntado sobre não ter se manifestado, publicamente, sobre o caso do ex-secretário da Cultura Roberto Alvim – que fez vídeo com referências nazistas e foi demitido por Bolsonaro – Moro afirmou que a decisão do presidente foi acertada e que se manifestou internamente com o governo de que considerava a “situação insustentável”.

O ministro considerou positivo o primeiro ano do governo Bolsonaro e afirmou que não tem ambição de disputar o Palácio do Planalto. “Sou ministro do governo. Evidentemente, os ministros vão apoiar o presidente (na reeleição)", enfatizou.

Vazamento de audios

O ministro da Justiça também afirmou que não agiu de forma manipuladora quando, em março de 2016, vazou para a imprensa áudios de uma ligação entre o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma Rousseff. À época, Lula seria nomeado ministro-chefe da Casa Civil, mas a nomeação foi cassada após a divulgação do grampo – que não teve autorização legal.

A fala de Moro sobre o assunto veio como resposta a uma pergunta do jornalista Leandro Colon, da Folha de S. Paulo. “As informações divulgadas pelo The Intercept e pela Folha contradizem o que você diz. Lula conversou com várias pessoas e não tratou de obstrução de Justiça. Você considera esse [o vazamento] seu maior erro?”, perguntou Colon.

Moro, então, respondeu: “De forma nenhuma. O presidente Lula ia ligar, ia falar pro Michel Temer, ‘olha, quero escapar da Justiça.’? Acha que ele ia falar isso? Uma pessoa que tava trabalhando pelo impeachment? O que foi verificado na época, me passaram a informação, é que existia uma aparente tentativa de obstrução de justiça, os áudios apontavam aquilo. O interesse era relacionado àquele processo. Se teve efeito politico, isso não é responsabilidade do juiz. Naquele momento tomei uma decisão fundamentada”.

Colon, então, rebateu: “Mas o próprio ministro Gilmar Mendes, que cassou a nomeação, disse depois que houve uma manipulação ao vazar os áudios”.

“Não houve manipulação nenhuma. Aqueles áudios revelavam que existia uma tentativa de obstrução de justiça. Nada ali foi objeto de manipulação (…) O Gilmar Mendes deve assumir suas responsabilidades”, respondeu o ministro.

Antes, respondendo a uma pergunta de Vera Magalhães, Moro ainda minimizou as revelações da série Vaza Jato, que mostraram uma conduta ilegal do então juiz na condução da operação Lava Jato. “Eu acho que a Vaza Jato é um episódio menor. É um monte de bobajarada. Foi usado politicamente para tentar soltar criminosos presos e principalmente enfraquecer politicamente o ministério. Tenho consciência absolutamente tranquila do que fiz como juiz”, declarou.

Popularidade

O ministro Sérgio Moro também descartou desavenças com o presidente Bolsonaro pelo fato de sua popularidade ser maior do que a do presidente. “Tenho uma ótima relação com o presidente. O que existe muitas vezes é uma rede de boatos”, afirmou.

Âncora afirma que debate foi franco e respeitoso

Após acusações de que teria enviado a lista de entrevistados para aprovação prévia de Sergio Moro em seu programa de estreia no comando do Roda Viva, a colunista do jornal O Estado de S.Paulo, Vera Magalhães comemorou nas redes sociais na madrugada desta terça-feira (21) o “debate franco e respeitoso” com o ministro e insinuou que não houve “exigências” por parte do ex-juiz da Lava Jato.

“Democracia é isso: debate franco e respeitoso, sem pautas proibidas e sem agenda própria ou panfletária. Obrigada ao ministro e aos entrevistadores por se lançarem a essa entrevista sem exigências nem arrogância. Ninguém vai reinventar o jornalismo. Basta aplicar suas premissas”, tuitou Vera, ao compartilhar uma publicação de Moro sobre a “boa experiência no Roda Viva”, com “jornalistas às vezes duros, mas dedicados”.
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