Dada a largada

Fernando Rocha

Começa hoje mais um Campeonato Mineiro com turno único de pontos corridos, para depois virar um torneio de mata-mata, com os quatro primeiros decidindo o título. E logo na abertura a competição dá mostras de suas esquisitices, por não ser um domingo à tarde, de preferência com o Mineirão recebendo um bom público para ver um dos “grandes” contra um time do interior.

Mas pelo menos este ano os cartolas deram um “estalo de Vieira”, como se dizia antigamente, tiveram um momento de lucidez e voltaram com a fórmula antiga, que é melhor, suprimindo do regulamento as tais “quartas de final”, o que vai encurtar a disputa e o sofrimento de muita gente.
As maiores expectativas ficam de novo com o desempenho do trio da capital, de onde, salvo ocorra uma zebra do tamanho de um elefante, sairão o campeão e o vice.

Como vai se comportar este novo Cruzeiro depois do terremoto da queda à Série B, combinado com o caos financeiro que tomou conta do clube? Afinal de contas, nunca se viu um time do Cruzeiro com tantos jovens da base e, ainda por cima, dirigido por um treinador, Adilson Batista, que faz jus ao apelido de “professor Pardal”.

E o Galo? Agora comandado por um treinador estrangeiro, um venezuelano que nunca trabalhou no futebol brasileiro, com fama de disciplinador exigente, será que vai embalar e ganhar a confiança da sua exigente torcida? As contratações e dispensas feitas até aqui pela diretoria agradaram, mas se os resultados em campo não vierem, periga a cabeça de Dudamel ser posta a prêmio muito antes do esperado.

Por fora
Se Atlético e Cruzeiro, pela ordem, são os favoritos ao título, correndo sempre por fora está o América, que manteve o técnico e a base do ano passado, quando bateu na trave e quase subiu novamente à Série A nacional.
Mas uma das grandes incógnitas vem do interior, o time do Coimbra, cotado não como aspirante ao título, mas sim a ter um bom desempenho, já que conta com o apoio financeiro de um dos maiores bancos do país e vem fazendo um trabalho de longo prazo digno de elogios.

O representante de Contagem, cidade com cerca de 400 mil habitantes colada na capital, não tem sofrido com a falta de pão (leiam recursos financeiros) para tocar o dia a dia, o que para um clube do interior já é algo notável. Então, mesmo sem o glamour de priscas eras, que o nosso Campeonato Mineiro venha e revele ao menos uma ‘joia’ futebolística, o que não acontece há muitos anos.

FIM DE PAPO
• O dono do Coimbra é o mesmo do banco patrocinador e ex-presidente do Galo, Ricardo Guimarães, um apaixonado pelo esporte bretão que investe muito no nicho futebol por meio de patrocínios, compra e venda, troca, empréstimo de jogadores para clubes de todo o país e do mundo. Sem esconder sua paixão pelo Galo, Ricardo Guimarães tem tido uma participação efetiva na vida do clube alvinegro nas últimas duas décadas, sobretudo agora, no sentido de viabilizar a construção do estádio próprio.

• Essa “ajuda” do empresário Guimarães, claro, é muito bem vinda e relativa, pois banqueiro que se preza não dá nada de graça pra ninguém, ao contrário, cobra juros quase sempre salgados, pois é assim que funciona o modelo capitalista. Mas como em nosso país a grande maioria dos clubes é administrada por amadores e está falida, no caso específico do Atlético abre-se espaço para mecenas do tipo Ricardo Guimarães, que até prova em contrário, felizmente para o alvinegro, faz muito mais o bem do que o mal ao clube.

• Na outra ponta há uma enorme expectativa em torno do que acontecerá com o Bragantino na elite do futebol paulista e, sobretudo, no seu retorno à 1ª Divisão nacional, agora clube-empresa administrado em parceria com uma multinacional. O Bragantino é ponteiro de um modus operandi que já existe lá fora há algum tempo, e que pode ou não dar certo aqui, repercutindo em toda a cadeia do nosso futebol. Para começar, a empresa de energético disponibilizou um ‘cascalho’ bom demais da conta, R$ 200 milhões, algo inimaginável para um clube pequeno investir.

• Se der certo, quem sabe com a intermediação das nossas lideranças e da Usiminas a moda não pega aqui também, surgindo um investidor para resgatar o Ipatinga? Pelo que se sabe em números, as dívidas do clube herdadas das diretorias anteriores, - algo em torno de um pouco menos ou mais do que R$ 20 milhões -, não chegam a assustar diante do montante dos investimentos feitos no Bragantino. Parece utopia, mas não é bem assim, pois o que não se pode deixar de fazer no futebol é sonhar. E por isso só nos resta torcer para que a experiência do Bragantino seja bem sucedida. (Fecha o pano!)
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