Enfim, ponte velha é liberada

Deputado defende nome do bispo Dom Lélis Lara para a ponte reformada entre Coronel Fabriciano e Timóteo

Tiago Araújo


Palanque foi montado na entrada da rua Albert Scharlet, no lado fabricianense
Atualizado às 15h44
Após muito tempo de espera, a reforma da ponte velha, que liga os municípios de Coronel Fabriciano e Timóteo, foi concluída e liberada para o tráfego entre as duas cidades. A cerimônia da reinauguração foi realizada na manhã desta segunda-feira (20), e fez parte da programação de celebração dos 71 de Coronel Fabriciano, completados nesse mesmo dia. Representantes políticos, empresários e outras autoridades participaram da solenidade. Devido ao feriado no município, o ato foi bastante concorrido, com ampla presença do público.

A reforma da ponte, com recursos federais via orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) incluiu reforço estrutural da fundação, pilares e vigas e modificação na geometria da ponte com inclusão de passeio na lateral direita, por onde ciclistas e pedestres poderão passar. Por meio de uma parceria entre as prefeituras de Timóteo e Coronel Fabriciano, também foi instalada a iluminação em LED na ponte, com oito postes.

Logo após a sessão solene, ocorreu o descerramento da placa da ponte e corte da fita, com queima de fogos de artifício. Em seguida, o trânsito no local foi liberado. Carros antigos, de exposição, foram os primeiros a passar pela ponte, depois, os veículos comuns.

Momento marcante


Em entrevista à imprensa, o prefeito de Timóteo, Douglas Willkys, afirmou que a conclusão da reforma da ponte é um momento marcante para o Vale do Aço, principalmente para Timóteo e Coronel Fabriciano. “Essa ponte tem grande importância, tanto no âmbito econômico quanto social. A região sofreu muito nesse último ano com a falta desse equipamento. E nós temos certeza que, por meio do esforço de várias partes, o Vale do Aço colhe esse benefício, que é a retomada e a entrega dessa ponte totalmente reformada para o povo e para sua utilização”, ressaltou.

Presente


O prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius, afirmou que a entrega das obras da ponte foi um presente para o município, que completou 71 anos nesta segunda-feira. “Fomos abençoados de que a inauguração ocorreu no dia 20 de janeiro. A população está muito feliz com a essa conclusão da reforma. Temos que lembrar também que essa é uma obra do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e não dos municípios. No entanto, se não tivesse a força política do Vale do Aço, com certeza não teria saído do papel, devido às várias demandas que existem no Brasil. E nós vamos continuar brigando pelas alças de acesso à BR-381”, salientou.
Wôlmer Ezequiel


Ponte entre Coronel Fabriciano e Timóteo estava com restrições de tráfego há mais de seis anos

“Maior investimento”


Para o deputado estadual José Célio Alvarenga, o Celinho do Sinttrocel, que acompanhou desde o início as tratativas para que a reforma da ponte saísse do papel, a conclusão das obras é uma grande conquista. “Todo esse processo foi uma luta. Um trabalho muito grande, que durou sete anos. Mas foi uma novela com final feliz, no qual tivemos a oportunidade de entregar esse bem público novamente à nossa sociedade. Podemos dizer que esse é o maior investimento que o governo federal fez para os municípios de Coronel Fabriciano e Timóteo. Uma obra de quase R$ 10 milhões. Quero pedir desculpa à população por demorar tanto tempo a entrega dessa obra, mas o processo é muito lento mesmo e com muita burocracia. Mas enfim, valeu a luta e agora entregamos com sucesso esse bem público a toda a nossa sociedade”, enfatizou.

Deputado indica nome de bispo


Quanto à incógnita do nome, já que a ponte é simplesmente tratada como “ponte velha”, não existe ainda a confirmação oficial. Entretanto, o deputado Celinho do Sinttrocel defende que seja dado o nome de Dom Lélis Lara, bispo da Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano, falecido em 8 de dezembro de 2016.

Wôlmer Ezequiel


Sadi Lucca, da Churrascaria Encantado, estima que a clientela caiu 20% com interdição da ponte

Empresários têm expectativa de retomada de negócios com reabertura de ponte



Durante a interdição completa da ponte para reforma, que durou cerca de um ano, o comércio localizado próximo ao equipamento teve agravada a situação do prejuízo que já enfrentava, já que houve queda ainda maior na movimentação de veículos e pessoas naquele trecho da rodovia. Ouvidos pela reportagem do Diário do Aço, empresários e comerciantes falaram da expectativa da retomada de seus empreendimentos com a conclusão da reforma. No projeto, a ponte foi redimensionada para 45 toneladas. A previsão de durabilidade da obra é de 30 a 40 anos.

O diretor de Planejamento da Qualidade da Emalto, Eduardo Torquetti, afirmo que os prejuízos são inegáveis. “Nós tivemos que usar a ponte nova, que passou a receber mais trânsito também, o que acabou ficando complicado para nós”, disse.

O proprietário da Djafer Ferro e Aço, Djalma Rodrigues, comemorou a liberação da ponte, mas afirmou que a região precisa de mais representatividade política. “Eu concordo que os políticos se empenharam, mas acho que temos pouco prestígio político. Alguns estabelecimentos comerciais até fecharam durante esse tempo. Ficaram quase uma década para reformar uma ponte, o que é um absurdo isso. No início da interdição, caiu 30% o nosso movimento, só depois nossos clientes foram se adaptando com o novo trajeto que era preciso ser feito”, afirmou.

Para o sócio proprietário da Churrascaria Encantado, Sadi Lucca, a reforma da ponte foi uma “novela” nada agradável. “Tivemos uma queda de 20% da nossa clientela, devido à dificuldade do acesso ao nosso estabelecimento. Posso dizer que todos os comércios próximos à ponte ficaram prejudicados durante essa interdição. Mas agora estamos otimistas com a liberação da ponte e que iremos conseguir recuperar o movimento de clientes”, pontou.

A proprietária do Autosom Centro Automotivo, Renata Guidini, também destacou que a interdição da ponte atrapalhou muito o comércio local. “Estamos felizes com a conclusão da reforma e acreditamos que vamos recuperar o prejuízo que tivemos, porque tivemos uma queda de 40% na demanda pelos nossos serviços no ano passado. No entanto, estamos com fé. Aguardamos por muito tempo por esse dia”, salientou.

Manifestantes cobraram agilidade na reforma



Ao longo do processo moroso da reforma da ponte velha, vários protestos foram realizados por cidadãos que pediam agilidade e atenção, por parte dos representantes políticos da região do Vale do Aço. Uma das organizadoras das manifestações, Rúbia Ferreira, destacou que as manifestações na ponte começaram com um pequeno grupo e foi ganhando adesão ao longo do tempo. “Em setembro de 2017, entregamos um panfleto com a seguinte mensagem ‘ponte velha, muita promessa e nada de concreto’. E depois fizemos um adesivaço. Esses foram um dos nossos primeiros atos. Antes desse movimento, quase não se falava da ponte, nem de reforma. A partir disso que começaram a discutir mais sobre a reforma. Gostaria de deixar bem claro que fizemos isso não por causa de politicagem, mas sim por causa do movimento em si”, disse.

Rúbia também ressaltou que as manifestações receberam apoio de empresários da região. “Eles confiaram no nosso movimento e tivemos a honra de contar com a ajuda deles. Portanto, estamos muitos felizes com a liberação dessa ponte. Quero agradecer a todos que nos ajudaram e estiverem presentes nas manifestações. É uma vitória muito grande. E essa demora para reformar foi por causa da falta de representatividade política”, pontou.

Wôlmer Ezequiel


Maria Aparecida: ''Essa reforma vai contribuir com todos''

O que dizem os usuários da ponte?



Em entrevista ao Diário do Aço, o aposentado Marcos Cardoso, de 62 anos, comemorou a liberação da ponte. “Excelente. Nós que somos moradores de Timóteo temos passado por muitos transtornos, principalmente, para quem tem que levar algum parente para outra cidade, como é o meu caso. Eu levo meu pai ao Hospital Márcio Cunha três vezes por semana. E esse horário de pico, entre 17h e 18h, é muito complicado. Então a liberação do trânsito é muito importante para as duas cidades, e para o comércio”, citou.

A dona de casa Maria Aparecida Barros, de 47 anos, também afirmou que é muito importante a liberação do tráfego no local. “Antes estava muito difícil. Era preciso ir à rodoviária para pegar um ônibus, porque não passavam aqui perto da ponte. Parabenizo a todos que se empenharam para que a obra fosse realizada e a ponte reaberta”, concluiu.

Processo histórico da ponte velha



Construída na década de 1940, pela antiga Companhia Acesita, hoje Aperam South America, a ponte tinha como objetivo substituir a balsa que fazia a travessia do rio Piracicaba, ligando Coronel Fabriciano a Timóteo. Quando tinha apenas uma pista, era chamada de "Ponte do Diabo", devido às frequentes colisões frontais. Depois foi reconstruída e passou a ter duas pistas. Até 2005, era a única ligação direta entre Coronel Fabriciano e Timóteo, quando foi inaugurada a Ponte Mariano Pires Pontes, a “ponte nova”, entre o Centro de Fabriciano e o trevo do bairro Alegre, em Timóteo.

Interdição e licitações


No dia 8 de novembro de 2012, a ponte chegou a ser inteiramente interditada, porque havia temores de agravamento das rachaduras em seus pilares. Em 2013, houve a liberação parcial para o trânsito de veículos leves. Depois de mobilização dos setores representativos, em 2014, um edital chegou a ser publicado pelo Dnit, mas a licitação foi revogada. Em 12 de dezembro de 2016, outro edital foi lançado, mas fracassou por falta de entendimento das empresas concorrentes acerca do valor oferecido pelo Dnit para a reconstrução. Em dezembro de 2017, foi realizada outra licitação e a empresa R.R. Fênix Tecnologia em Serviços venceu o processo. No entanto, em janeiro de 2018, a vencedora da licitação foi desclassificada na fase de análise da documentação. Com isso, a segunda colocada, Vereda Engenharia Ltda., foi chamada para assumir a reforma da ponte velha. Ao longo do ano de 2018, a empresa desenvolveu os projetos da obra e os apresentou para o Dnit, até que, no dia 26 de novembro de 2018, foi assinada a ordem de serviço.

Execução dos serviços


No dia 10 de janeiro de 2019, a ponte foi interditada completamente para a execução dos serviços da empresa responsável. Com essa interdição, acabou sobrecarregada a ligação pela ponte Mariano Pires, que interliga o trevo do bairro Alegre, em Timóteo, ao Centro de Coronel Fabriciano, que passou a receber todo o tráfego da ponte velha.
Já no dia 8 deste mês, o Dnit anunciou que a parte estrutural da ponte já tinha sido executada e que se encontrava na parte de acabamento (pavimentação, sinalização e acabamento de obras complementares) e recuperação ambiental. Com isso, nessa mesma data, após visitar as obras, o superintendente interino do Dnit, Sergio Garcia, anunciou que seria possível liberar o trânsito na ponte até o dia 20 deste mês.


Ponte velha é liberada entre Coronel Fabriciano e Timóteo
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Comentários

Jota Couto 22 de janeiro, 2020 | 08:09
Como diz o ditado: "Pardal, corintiano e puxa-saco, ralei mas não acaba". É muita gente sem serviço para ficar bajulando esses políticos vendedores de ilusões. Será que ganharam um pãozinho com mortadela?
Justiceiro 21 de janeiro, 2020 | 10:16
Me poupe né Edson Torres. Este Alexandre Torquetti nada fez para Timóteo e Fabriciano. Dar emprego é mais que uma obrigação de um industriário. Chega de puxar saco de empresário com homenagens banais, já não basta o nome da Avenida que liga o Santa Maria ao Limoeiro ser trocado de Avenida Pinheiro para Avenida Alexandre Torquetti e a rua da ponte que liga o Timotinho ao Bromélias se chamar Rua Dirce Torquetti.
Alinhas 21 de janeiro, 2020 | 08:58
Só faltou colocar uma placa com informação para ciclistas, sua travessia de bicicleta é por debaixo da ponte. Se for pela ponte você corre risco de acidentar ou morre atropelado. Obrigado DNIT, Prefeitura de Coronel Fabriciano e Timóteo, por lembrar dos ciclistas...
Maria Joaquina de Amaral Pereira Gois 21 de janeiro, 2020 | 00:17
KKKKK KKKKK...QUE PIADA, TODOS OS LOBOS FORAM SE APRESENTAR COMO SE FOSSEM OS DONOS DA OBRA. E LÁ VEM O GOOOOOLPE...
SUGIRO O NOME DE ALIANÇA DO VALE, ASSIM NINGUÉM VAI RECLAMAR.OBRIGADA. DE NADA.
OH MESSI, FALASTE MUITO. BEM, VIU MENINO...
Zibinha 20 de janeiro, 2020 | 20:20
Tem comentário do meu tio ai!!! rsrsr
Cidadão 20 de janeiro, 2020 | 19:43
Alguém tem notícia das obras da rodovia 760???
Tinho 20 de janeiro, 2020 | 16:16
Eu fico impressionado com a falta de entendimento da massa brasileira. Vai lá, reúne aquele bando de gente... A ponte ficou cerca de 7 % de um século "inútil", depois mais cerca de um 1% de um século para ser reformada e tudo com o dinheiro público, ou seja, isso tudo é uma vergonha. E digo mais, vai sobrar político se intitulando de ter feito a ponte. Pessoas, em países desenvolvidos e sem politicagem que é aceita aqui por parte dos brasileiros, essa ponte estaria pronta meses após apresentar problemas.
Madmax 20 de janeiro, 2020 | 14:14
Caraca, nove milhões para reformar uma ponte.Se fosse construir outra ponte levaria cinquenta anos, fora que o custo seria de um bilhão.Tô imaginando, já pensou; se for reformar a ponte do rio Niterói, haja séculos é dinheiro.
Edson Torres 20 de janeiro, 2020 | 13:23
Como está tão pertinho da Emalto, poderia colocar o nome da ponte de Alexandre Torquetti
Marcy 20 de janeiro, 2020 | 12:51
Respeito a memória de Dom Lélis, mas ele representa apenas a cidade de Cel. Fabriciano e como ficam os Timotenses com seu inesquecível Mons. Abdala? A ponte deve ter o nome de alguém que represente as 2 cidadades.
Sugestões:
Ponte 2 cidades
Ponte Sinergia (afinal é nome do monumento próximo da ponte)
Ponte Piracicaba
Ponte TimCelF
Ponte Une Povos
Ponte Nova Cidades
Ponte UniVales
Ponte Vale do Aço
Ponte Trem de Ferro
Ponte Da Estação
Ponte Pinheiros
Renata Tavares 20 de janeiro, 2020 | 12:45
Graças a Deus a ponto voltou. Desde criança tinha costume de passar por ele para visitar minha querida Vó Luiza no Ana Moura. Lembro quando a ponte ainda tinha um morrinho que meu pai sempre brincava conosco quando passava por ela. Bons tempos, lindas memórias.
Marco 20 de janeiro, 2020 | 12:21
Ou o nome poderia ser de um dos 3 fundadores da Acesita, responsável pela construção da ponte: Amyntas Jacques de Moraes, Athos de Lemos Rache, e Percival Farqhuar. Ou então "Ponte Amyntas Athos Percival".
O Anônimo 20 de janeiro, 2020 | 11:58
O grande teatro circense, onde os palhaços são a platéia (povo) e o palco é armado aos pés de Hilda furacão.

Salve! Vale do aço.
Barrabas 20 de janeiro, 2020 | 11:34
O povo nao devia comparecer a esta solenidade o povo foi enrolado por varios anos a reforma desta ponte agora serve pra palanque de politicos justamente com eleicao pra prefeito este ano.
Marcos Hendel 20 de janeiro, 2020 | 11:23
? deprimente ver uma obra pública sendo palco de politicagem. Teria que ser uma obrigação sem pompa de "relançamento". Brasil sendo " Brazil".
Marco 20 de janeiro, 2020 | 11:17
Pelo menos o nome proposto para a ponte não é nome de político.
João Luiz Dias Cardoso 20 de janeiro, 2020 | 10:56
Até que em fim : PONTE, velha "NOVA"!
Manuel Geraldo Martins 20 de janeiro, 2020 | 10:37
Esta ponte foi construida no início dos anos 1950 (se não me engano entre 1954/1955) pela Acesita. A travessia para fabriciano, inclusive para Ipatinga (ainda distrito) Açucena, Salto Grande, Valadares, etc, era feita em uma balsa que não cabia 2 carros grandes (caminhões à época de menos de 7 toneladas). Então ao invés de Don Lélis Lara, que com todo respeito, chegou aqui no fim da década de 1970, deveria ter o nome de um dos Fundadores da Acesita, ou até mesmo da Belo Mineira (CAF) as precursoras do desenvolvimento do Vale do Aço, principalmente Cel. Fabriciano e Timóteo.
Messi 20 de janeiro, 2020 | 10:14
Trabalho com grandes obras, sou gestor de planejamento e finanças. Ao ler que essa obra custou uma bagatela de praticamente 10 milhões, é inacreditável. Uma obra de 10 milhões é uma senhora obra..daria para construir uma ponte moderníssima, com alças e tudo mais...

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