Crimes violentos contra a vida têm redução de 5% no Vale do Aço


No ano passado, 100 pessoas foram vítimas de crimes violentos contra a vida em 17 municípios do Vale do Aço. Em relação ao ano de 2018, o número representa uma redução de 5%. Naquele ano, o balanço fechou com 105 assassinatos.

Os números fazem parte do acompanhamento anual do Diário do Aço acerca de crimes violentos contra a vida. Essa estatística engloba, além dos homicídios consumados, em que as vítimas morrem na hora, também casos de vítimas de atentados que são levadas para hospitais e morrem posteriormente em decorrência dos ferimentos sofridos.

Esse levantamento conta ainda os casos de latrocínio, que é o roubo seguido de morte da vítima. Um dos crimes de grande repercussão, no ano que passou, foi o latrocínio do comerciante de pedras de fel, Edson Gomes de Oliveira, de 62 anos, assassinado em uma mata, em Pingo D’água. O assassino, de 27 anos, confessou que levou o comerciante para uma emboscada e o matou a golpes de martelo para roubar dinheiro e um telefone celular.

No ano passado, o maior número de homicídios foi registrado em Ipatinga, 27 mortes, com redução de 12,6% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 31 mortes violentas. Os bairros Bethânia e Vila Celeste registraram cinco homicídios cada. Os demais estão espalhados por vários bairros, dentre os quais, quatro no Vila Celeste.

Já em Coronel Fabriciano houve aumento, de 18 crimes em 2018 para 21 assassinatos em 2019. Em Timóteo, redução de 25 casos em 2018 para 16 no ano passado.

Santana do Paraíso teve a maior redução, de 9 casos em 2018 para dois em 2019. Destaque também para a redução em Belo Oriente, de cinco em 2018 para um em 2019.

No sentido oposto, Ipaba teve o maior crescimento de crimes violentos contra a vida. De cinco homicídios em 2018, saltou para 13 em 2019. Em dos casos mais emblemáticos, na noite de 30 de março, dois homens e uma mulher foram executados a tiros dentro de um bar, na rua Uberaba.

Aumento também nos homicídios em Antônio Dias, onde os crimes dessa natureza cresceram de um em 2018 para cinco em 2019.

Naque teve quatro assassinatos em 2019 contra um no ano anterior. Dentre os casos do ano passado está o do prefeito Hélio Pinto de Carvalho, de 55 anos, o Hélio da Fazendinha, morto a tiros pelo vereador Marcos Alves de Lima, de 56 anos, na manhã de 13 de julho. Na tabela abaixo é possível acompanhar o levantamento dos crimes violentos contra vida em outros municípios da região.


Crimes passionais lideram a lista em Antônio Dias



Em relação aos crimes contra a vida em Antônio Dias, que aumentaram de um em 2018 para cinco em 2019, o delegado de Polícia Civil, Alexsandro Silveira, explica que um dos casos de maior repercussão foi o assassinato de José Valentim de Assis, de 67 anos, morto em uma trama familiar na região rural de Biboca.

Duas pessoas foram denunciadas como responsáveis pelo crime. Também teve o caso de Michele da Silva de Jesus, de 27 anos, morta pelo companheiro dela, que confessou ter praticado o crime “por achar que ela o traía”.

Outros dois homicídios, mais ao fim do ano, foram registrados no território de Antônio Dias, mas foram resultado de fatos que começaram em outros locais, um em Timóteo e outro em Coronel Fabriciano. "Observamos que, apesar desse infeliz aumento no número de casos, a maioria é passional e sem relação com a criminalidade violenta, ou seja, as partes envolvidas não eram vinculadas ao mundo do crime", pondera o delegado.


Fonte: Banco de dados do Diário do Aço

União de forças gerou redução significativa de crimes em Timóteo



Em Timóteo, o Delegado da PC, Jorge Caldeira, afirma que no fim de 2018 o índice elevado de crimes violentos, dentre eles os homicídios, geraram preocupação e levaram à conclusão por uma nova abordagem na atuação dos órgãos de segurança pública. "O resultado foi considerável, poderíamos ter menos, mas a redução para 16 foi significativa", enfatizou. O delegado acrescenta que entre os fatores que pesam na dinâmica social está o desemprego.

Jorge Caldeira acrescenta que em 2019, em Timóteo, repetiu-se uma lógica comum a todas as cidades, o aumento da criminalidade violenta no último trimestre. "Algo que tem nos preocupado no momento é a interdição nos presídios na região, o que cria dificuldades para encaminhar pessoas presas por crimes violentos, mas nem por isso o trabalho deixa de ser feito, nem por isso haverá impunidade", concluiu.

Influência da saída temporária de presos



Em Coronel Fabriciano, onde houve aumento no número de crimes violentos contra a vida, de 18 para 21 em 2019, o delegado da Polícia Civil Washington Moreira avalia que o índice do ano passado representa uma certa estabilização estatística. “Se levarmos em consideração os últimos sete anos será possível perceber que o número é bem menor do que, por exemplo, 2013, 2014 e 2015”.

O delegado também aponta que os ápices de crimes violentos costumam ocorrer em janeiro, outubro e dezembro, meses que coincidem com a saída temporária de presos. “Nossa experiência nas investigações aqui aponta que muitos desses crimes são praticados por tais pessoas que estão sob o benefício da saída temporária, mas esse número ainda temos como meta baixar, reduzi-lo, com o trabalho das forças de segurança. No caso da Polícia Civil é apurar a quantidade maior de crimes para justamente proporcionar uma queda nas estatísticas de crimes violentos”, concluiu.

Santana do Paraíso teve a maior redução em crimes violentos



Entre os dados positivos, Santana do Paraíso teve a maior diminuição no índice de crimes violentos contra a vida. De nove casos em 2018, o município fechou 2019 com dois homicídios. Delegado que atua na cidade, Bruno Morato atribui o resultado ao trabalho mais integrado das forças de segurança. “Também incorporamos ferramentas da nova gestão.

Como por exemplo, o princípio chamado ‘know your customer’, conheça seu cliente. Nossa equipe busca conhecer o perfil dos criminosos, o que é de extrema importância já que dessa forma é possível prever os passos desses indivíduos de acordo com a forma de ação, ‘modus operandi’ de cada pessoa. Ao reduzirmos a lista de suspeitos temos melhores resultados de investigação”, detalha.

Morato também explica que passou a ser adotada uma melhor gestão de processos. Atualmente, quando uma pessoa é presa por crime em Santana do Paraíso, por um crime, é feita uma avaliação da vida pregressa dessa pessoa. Se encontrados outros crimes do capturado, a situação é repassada para o Ministério Público e os processos encaminhados para a Justiça de forma que saiam julgamentos por outros crimes também.

“Com essa gestão de processos os indivíduos mais perigosos têm aumento do tempo de encarceramento e, consequentemente, temos um alívio das estatísticas de criminalidade, o que beneficia a todas as pessoas”, concluiu.
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Comentários

Vik 20 de Janeiro, 2020 | 16:06
Nossa 5%onde não em coronel fabriciano lá matando 2 ou mais por semana
Palhaço 20 de Janeiro, 2020 | 15:17
Redução com tanto de crime em Coronel Fabriciano???
Ze de Minas 20 de Janeiro, 2020 | 12:54
Os caras comemoram -5, é brincadeira.

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