Buscando a liberdade poética

Escritora e artista plástica itabirana residente em Mariana cria a ‘quinta’

A poetisa, escritora, professora e artista plástica Andreia Donadon Leal, autora de 17 livros, membro efetivo da Academia Marianense de Letras, da Aldrava Letras e Artes e da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, publicou em sua rede social, em dezembro passado, a proposta de uma forma poética de poema autônomo variante da quintilha, denominada ‘quinta’.

E logo, dezenas de poetas passaram a produzir quintas e publicá-las, criando inclusive um grupo específico para fazer a sua divulgação -https://www.facebook.com/groups/561942247986354/?epa=SEARCH_BOX.
Mas afinal, o que é quinta?

Divulgação


Andreia Donadon se destaca como escritora e artista plástica
De acordo com José Benedito Donadon Leal, doutor em Linguística pela USP, pós-doutor em Análise do Discurso pela UFMG, professor Emérito da UFOP e presidente do Conselho Editorial da Aldrava Letras e Artes, estrofes de cinco versos são encontradas na poesia, embora com pouca frequência.

A quintilha clássica caracteriza-se pela composição de estrofes de cinco versos metrificados, de redondilhas menores a maiores. Estrofes de cinco versos metrificados com mais de nove sílabas são denominadas quintetos, como o fez Álvaro de Campos no poema “O menino da sua mãe”, composto de seis quintilhas hexassilábicas.

O professor lembra ainda Cecília Meireles, no poema “A doce canção”, compôs cinco estrofes em quintilhas de redondilhas maiores, com jogos diferenciados de rimas. “Decerto há poemas autônomos de cinco versos, mas a quintilha ou quinteto são denominações de estrofes componentes de poemas maiores, e não de poema autônomo e completo”, afirma ele.

A novidade é a apresentação formal de um acréscimo, modificação ou criação de algo, com uma denominação que lhe confere identidade, diferenciando-o do acaso. A quinta é resultado da reflexão aldravista de auferir à palavra o status de unidade básica da poesia.

A poesia clássica tem como unidade básica a sílaba, da qual resultam os jogos métricos e de rimas. Trilhando esse caminho, Andreia Donadon Leal propôs a quinta. Não importa o número de sílabas na composição métrica dos versos.

Cada verso deve ter o número de palavras determinado, que, no caso da quinta, é 2 / 2 / 2 / 2 e 1, o que alcança um outro espírito aldravista, o da liberdade.

A quinta também embute a obrigação de usar dois vocábulos nos primeiros quatro versos, e um único vocábulo no quinto, além do que o segundo verso deverá rimar com o quinto e os demais versos no estilo de versos livres, isto é, sem obrigação de métrica e sem jogos de rimas.
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