Pais aguardam definição sobre vagas em escolas

Governo de Santana do Paraíso informa que algumas turmas serão remanejadas para o horário noturno, garantindo espaço para todos

Bruna Lage


Aflitos, pais de alunos foram até a escola Betinho, mas permanecem sem retorno

A quarta-feira (15) foi de movimentação na porta da Escola Estadual Herbert José de Souza, o Betinho, situada no bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso. Ainda sem definição a respeito da matrícula de seus filhos, alguns pais foram ao local em busca de respostas. A situação das crianças de 6 anos, que irão ingressar no 1º ano do Ensino Fundamental, é incerta, em razão do corte do número de turmas anunciado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais naquele local, que em 2020 terá duas turmas para esta faixa etária, a metade do que havia no ano anterior.

Karla Cristina Guedes, mãe de Evelyn Guedes, tem recorrido a calmantes por causa da situação. “Minha menina estudava na rede municipal e agora, com 6 anos, irá começar o Fundamental, mas onde? Não temos essa reposta, não há vaga. Não tenho condições financeiras de matriculá-la numa escola em outro bairro. Nos disseram que o caso seria avaliado, mas até agora nada”, lamenta.
Karla Cristina


Preocupada com a situação, Evelyn Correa deixou seu recado

Glísia Gonçalves compartilha da angústia de muitos pais. “Até o meio do ano passado estava tudo normal, não havia essa informação de redução do número de turmas. Acredito que o zoneamento deveria ser feito de forma efetiva, porque muitas crianças nem são do bairro e sobrecarregam a escola. Eu também tenho o impedimento financeiro, não posso levar meu filho para outro local”, relata.

Mariana Felipi tem uma filha que irá cursar o primeiro ano. “Ela tem 6 anos, o mesmo caso dos pais que vieram aqui hoje. Fiz o cadastramento em julho do ano passado, me pediram pra voltar em janeiro e agora estamos nesse impasse. O problema é que não posso pagar um transporte para outro bairro e tampouco dirigir, pois passarei por cirurgia no joelho. São dificuldades que têm esquentado nossa cabeça. Se não houver um desfecho positivo, vou acionar um advogado, porque não podemos permanecer dessa forma”, avalia.

Escola
A secretária da Escola Betinho, Regina Maria de Oliveira, esclareceu aos pais que a instituição compartilha da preocupação de todos, que estão apreensivos pelo fato de não haver um posicionamento de quando poderão efetuar a matrícula e se irão conseguir vaga na escola. “Para o primeiro ano dos anos iniciais existe um cadastro, realizado em julho de 2019, que consta em torno de 70 alunos. Além disso, o bairro está em crescimento e recebe outros pais, que vieram de mudança e que não realizaram esse cadastro. Se formos analisar a demanda de alunos, seria necessário em torno de quatro turmas de primeiro ano para atender todos. O ano letivo começa dia 10 de fevereiro, seria interessante que até o fim de janeiro tudo estivesse organizado, para que os pais fiquem despreocupados, sabendo se conseguiram a matrícula ou não e qual decisão irão tomar”, vislumbra.

A secretária destaca que para criar novas turmas de primeiro ano seria necessário mexer com outras séries, que teriam de ir para o período da noite. “Mas isso esbarra na questão da idade, se colocarmos os meninos de 15 anos, vamos colocar os de 14 também? Tem todo esse processo. Não temos espaço físico para comportar mais turmas. Aguardamos orientações da Superintendência, que vem da Secretaria de Estado. Esperamos que tudo se resolva adequadamente para conseguir atender esses alunos, porque sabemos que os pais estão apreensivos, preocupados, sem saber como tudo será resolvido”, pondera.

Atuação do município
Tendo em vista a dificuldade do município em absorver a demanda em um curto prazo de tempo, a prefeita Luzia de Melo (MDB) iniciou, assim que soube da situação envolvendo o ensino, tratativas com o governo do Estado, com o objetivo de reverter a decisão, buscando a manutenção das vagas para o ano de 2020 na Escola Betinho.

“No dia 16 de dezembro de 2019, na 5ª Promotoria de Justiça foi realizada uma reunião, entre o Ministério Público, município de Santana do Paraíso e Estado de Minas Gerais. Na referida reunião, a prefeita pontuou que o município não tinha condições de absorver a demanda e precisaria se organizar no ano de 2020 para no futuro poder ofertar as vagas do 1º ano do Ensino Fundamental no bairro Cidade Nova pela rede municipal de ensino.

Nesta quarta-feira, 15, recebemos a notícia da Superintendência de Ensino de que as adequações seriam feitas e algumas turmas do Ensino Médio seriam remanejadas para o horário noturno e nenhum aluno do 1º ano do Fundamental ficaria sem vaga no ano de 2020 na Escola Betinho”, informa nota enviada pela administração municipal.

Revolta também em Timóteo

Pai de aluno da rede estadual e coordenador do Movimento em Defesa das Escolas Públicas de Timóteo (Getúlio Vargas e Tenente José Luciano), Sílvio dos Santos Ribeiro manifestou sua indignação quanto ao que classificou como manobras do governo de Minas no setor da Educação. Ele pontua que a Secretaria de Educação, no fim do ano passado, tentou municipalizar as escolas estaduais, em seus primeiros anos.

“Foi com muita luta que conseguimos reverter este quadro, mesmo assim houve supressão de várias turmas, em nome da adequação e respeito à Lei de Diretrizes, que determina 25 alunos por sala. Todavia, de forma orquestrada, o governador Romeu Zema, por meio da Secretaria de Educação, não cumpre o próprio prazo que ele mesmo determinou. Já prorrogou por três, quatro vezes ou mais e agora não definiu data para iniciarem as novas matrículas, deixando claro que o seu propósito de municipalização forçada continua”, opinou.

Ele acrescenta que o prazo para as matrículas está sendo postergado e sem nenhuma definição, obrigando os pais a procurarem as escolas privadas – caso daqueles com melhores condições financeiras -, beneficiando a iniciativa privada. “E os que não têm condições, lotando as escolas públicas municipais, concretizando seu plano (do governador) e desonerando o Estado de Minas Gerais desta responsabilidade, sem nenhuma contrapartida do Estado aos municípios. Nós, pais de alunos, deixamos aqui nosso repúdio ao governador e exigimos respeito às nossas crianças de terem acesso ao ensino público de qualidade”, defende.

(Bruna Lage - Repórter)
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Comentários

Justiceiro 17 de janeiro, 2020 | 08:34
Getúlio Vargas nunca foi Escola Pública de verdade, é uma escola privada disfarçada de pública. Agora com o sistema online de pré-matrícula, quero ver a diretora "dar um jeitinho" e colocar os filhos dos "bacanas" na instituição. Só se vê carrões chegando com as crianças antes do início das aulas, sem falar que a diretora exige que os pais comprem papel higiênico e outros materiais caros, o qual por Lei a escola não poderia obrigar a isso. Tem que reduzir essas turmas mesmos e pegar só alunos que são oriundos das creches municipais, pois quem tem condições de pagar que levem seus filhos para a rede privada.

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