Barco à deriva

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
A Seleção da CBF, que um dia já foi também de todos os brasileiros, terminou o ano como um barco à deriva, motivo de vergonha e até de chacota, não só pelo péssimo futebol apresentado nos últimos amistosos caça-níqueis pelo mundo afora, mas também por conta do palavreado enrolado do técnico Tite, que confunde alhos com bugalhos e, de fato, nada explica.

No fim de novembro, ao perder para a Argentina um amistoso disputado na Arábia Saudita - 1 x 0, gol de Messi cobrando pênalti -, a seleção da CBF atingiu o pico máximo da inoperância, passividade, lentidão, deixando atônitos crônica e os poucos brasileiros que ainda se interessam por ela.

O problema não foi perder para a Argentina, um rival histórico que ainda tem no momento o melhor jogador do mundo, mas o fato de não dar um chute sequer a gol, não fazer uma única boa jogada, não competir, nem marcar.

Série invicta
Pior ainda foi ouvir na entrevista coletiva pós-jogo as baboseiras do técnico Tite, que acrescentou uma palavra - “reinvenção” - ao vocabulário criado por ele, o “titês”, para justificar o péssimo futebol desta seleção. O que seria essa “reinvenção” se a Seleção que ele dirige não apresenta nada de novo?

Ele troca seis por meia dúzia, insiste em nomes que nunca entregaram o esperado com a camisa amarelinha, caso, por exemplo, de Gabriel Jesus, além de outros que mal jogam, além de não conseguir tirar o melhor dos que brilham na Europa. A derrota para a Argentina marcou a série de cinco jogos sem vitória, o que é muito grave em se tratando de uma equipe que representa o futebol pentacampeão mundial.

FIM DE PAPO
• Há de se destacar também o comportamento destes jogadores convocados rotineiramente por Tite, que não demonstram qualquer interesse em mudar a dinâmica do “pouca me importa”. Para estes jovens, privilegiados e afortunados brasileiros, que jogam e recebem salários milionários em alguns dos principais clubes do futebol mundial, não interessa se o rio está correndo para baixo ou para cima.

• É só passe para os lados, ou então aquela famosa corridinha básica para enganar os ‘trouxas’. A atual seleção é uma das mais frias e desalmadas que já vi, sem perspectiva de mudança no comportamento, caso Tite continue no comando. E não vejo disposição dos jogadores, muito menos do treinador, para botar pressão na saída de bola dos adversários, tentar uma tabela mais perto da área inimiga, como jogam hoje os principais times no mundo. Enfim, a Seleção do Tite e da CBF mostrou pós-título da Copa América um esquema engessado, com jogadores mais engessados ainda. E não há qualquer indício de que as coisas poderão melhorar.

• Até o fechamento desta coluna, o Atlético havia anunciado quatro “reforços” para a formação do time que será comandado pelo venezuelano Rafael Dudamel: o lateral Maílson, 22 anos; o colombiano Borrero, 17 anos; o meia-atacante Hyoran, 26 anos, e o principal deles, o volante Allan, que pertencia ao Liverpool, da Inglaterra, e defendeu o Fluminense na última temporada. Se conseguir um centroavante-artilheiro e um lateral esquerdo, ambos de qualidade, o Galo poderá, sim, vir a brigar por títulos e almejar conquistas importantes.

• Depois de uma semana agitada nos bastidores, com demissões de funcionários e membros importantes da comissão técnica, além da saída de vários jogadores, a crise no Cruzeiro se agravou com o desligamento do empresário Pedro Lourenço, dono da rede de Supermercados BH, que ainda levou consigo o provisório e voluntário diretor de futebol, Alexandre Matos. Colegas da imprensa dizem que um dos motivos para o empresário decidir deixar o conselho gestor teria sido a demissão de Benecy Queiroz, seu amigo e um dos funcionários mais antigos do clube.

• Pedro Lourenço, dono da rede de Supermercados BH, é credor de uma dívida milionária do Cruzeiro, cujo montante só ele sabe ao certo. Há pelo menos uma década se diz que ele “ajuda” o clube celeste emprestando dinheiro para contratações ou para pagar dividas com jogadores. Suas empresas patrocinam não só a Raposa, mas também o rival Atlético e o América, entre outros no estado.

• Lourenço também investe pesado em publicidade nos principais órgãos de imprensa da capital, o que fez abrir um guarda-chuva protetor sobre os atuais integrantes do chamado “Núcleo Dirigente Transitório” celeste, cujos membros são todos chamados de “notáveis” ou guindados à condição de “arautos” da moralidade, acima do bem e do mal. Com a sua saída de cena, a tendência é que este guarda-chuva se feche e apareçam muitos questionamentos em relação às decisões desse grupo, o que obviamente tende a tornar ainda pior a situação do clube, que já é caótica em todos os sentidos. (Fecha o pano!)
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