Perícia da PC encontra dietilenoglicol em cerveja; substância pode estar relacionada com doença misteriosa

Em investigação de infecção misteriosa, polícia vai à sede de cervejaria em Belo Horizonte

Amostras da cerveja Belorizontina, produzida pela cervejaria Backer, encaminhadas pela vigilância sanitária de Belo Horizonte continham dietilenoglicol, segundo exames preliminares. A informação está em documento da Polícia Civil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) informou que dietilenoglicol, ou DEG, é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive matar quando ingerido.

Ele é miscível com água, podendo contaminar água, esgoto e rios. Produz metabólitos que causam acidose e danos aos rins.

O memorando assinado pelo perito criminal Rogerio Araujo Lordeiro e enviado na tarde de hoje diz o seguinte:

"Informo que nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do Município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca ” Belorizontina” lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares.

Ressalto que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal n. 0024413 e 0021769, respectivamente”.


Hoje mais cedo, a polícia recolheu material para perícia na cervejaria Backer, na região oeste de Belo Horizonte.

Desde 30 de dezembro, autoridades de saúde em Minas recebem notificações de uma doença misteriosa que já atingiu ao menos oito pessoas. Na terça-feira, um homem morreu.

Em nota, a Backer disse colaborar com a apuração, ter total confiança nos processos de produção dos produtos e que outros produtos, que não são da empresa, também são analisados pelos órgãos de saúde.

Desde que foi notificada, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte acompanha e monitora os casos e investiga os aspectos clínicos, epidemiológicos e sanitários que envolvem a ocorrência. Essa investigação abrange, inclusive, ação dos fiscais sanitários na coleta de alimentos e demais produtos, para análise laboratorial, além de vistorias nos locais de aquisição desses produtos.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que trabalha no levantamento de informações para verificar se o fato tem indícios de crime. Bebidas foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística e são examinadas. A corporação disse que somente será instaurado inquérito policial se houver indicativos de ação criminosa.

Íntegra da nota da Backer:

A Cervejaria Backer informa que está colaborando com os órgãos públicos de saúde que estão realizando perícias em todo o seu processo de produção.

No dia 07, terça-feira, a fábrica recebeu em suas instalações, agentes do Ministério da Agricultura que realizaram uma inspeção completa na mesma.

Autoridades de saúde investigam, igualmente, outros produtos consumidos e que possam ter provocado a hospitalização de 8 pessoas, todas com os mesmos sintomas.

Reafirmamos nossa total confiança em todas as etapas de produção dos nossos produtos. Manteremos nossos consumidores, distribuidores e a sociedade em geral informada, tão logo tenhamos acesso aos laudos periciais, ora em curso.


BH, 9 de janeiro de 2020.

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