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Fernando Rocha

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Fernando Rocha
A rivalidade sadia faz parte da cultura no futebol e deve ser preservada. Aqui nos nossos grotões ela vem desde muitas décadas passadas, quando os certames estaduais tinham grande relevância, sem a concorrência dos torneios e competições nacionais ou intercontinentais.

A rivalidade, que teve início no século passado, entre torcedores de Atlético e América, tomou outro rumo após a inauguração do Mineirão, na década de 1960, com o crescimento do Cruzeiro, antigo Palestra, que passou a dominar o cenário com o time que tinha Tostão, Dirceu Lopes e Natal, entre outros, e deixou para trás - com sobras - o América, tornando-se o maior rival do Galo.

O Campeonato Mineiro, já sem o mesmo ‘glamour’ de décadas passadas, começa no próximo dia 21, e ganhar o título tornou-se uma obrigação para os dois ‘grandes’ do estado, Atlético e Cruzeiro. E o tamanho dos estragos causados ao perdedor só poderá ser avaliado com o passar do tempo.

Torcida única
Por conta dos incidentes registrados no último clássico disputado no Mineirão pelo Campeonato Brasileiro 2019, as autoridades de segurança definiram que os próximos confrontos entre os dois maiores rivais no estado serão realizados com torcida única, ou seja, sem a presença da torcida visitante.

Uma vez que o Galo será o mandante no clássico programado para a 8ª rodada do Campeonato Mineiro, no dia 7 de março (sábado), às 16h30, no Independência, os cruzeirenses serão privados de assistir ao vivo as eventuais viradas heroicas, dribles, chutes incríveis, defesas milagrosas, situações que fazem parte da história e do imaginário do nosso maior clássico de futebol.

E tudo isso por causa da ignorância e falta de civilidade de uma minoria que vai ao estádio não para torcer, mas para brigar, agredir e até matar, ciente da impunidade que acoberta os seus atos infames.
Ao invés da rivalidade sadia, que, como eu disse lá no começo, deve ser preservada, o futebol tem sido tomado por vândalos e imbecis, como se viu no último clássico citado, no qual, além de brigas e confusões entre as duas torcidas, dois irmãos foram flagrados cometendo ato de racismo contra um segurança do estádio.

FIM DE PAPO
• A rivalidade no futebol, na acepção da palavra é um tanto quanto vaga. É uma mistura de ciúme, competição e vontade de chamar a atenção, neste caso do torcedor mais próximo, mas nada que justifique atos de violência como os que estão sendo disseminados não só por aqui, mas nos quatro cantos do mundo.

• A chegada do Estatuto do Torcedor, em 2003, foi sem dúvida um grande avanço, mas já se faz necessária uma revisão em seus artigos, sobretudo na parte dedicada às punições, cujas penas para os delitos praticados pelos pseudo-torcedores são muito brandas e deveriam ser aumentadas. Não se pode confundir rivalidade com fanatismo, inimizade, guerra, carnificina, o que infelizmente tomou conta do futebol e vêm afastando dos estádios as famílias, os verdadeiros torcedores, causando prejuízos incalculáveis.

• Não vi com surpresa a saída espontânea do empresário Vittorio Medioli do cargo de CEO do Cruzeiro, anunciada por ele mesmo em artigo publicado no jornal de sua propriedade. Medioli é o atual prefeito de Betim, uma das cidades mais importantes do estado. É difícil acreditar que ele arranjaria tempo para poder conciliar a sua função política com as obrigações de administrar um clube gigante como o Cruzeiro, ainda mais diante da enorme crise que atravessa. Quanto às críticas feitas por ele ao estatuto, além de outros questionamentos e sugestões, qualquer um que estivesse no seu lugar faria o mesmo.

• Com a chegada ao Galo do técnico Rafael Dudamel, o torcedor alvinegro vive agora a expectativa pela contratação de reforços. Vários jogadores saíram e até agora a diretoria só anunciou um lateral, mesmo assim jovem e desconhecido. De nada vai adiantar trazer um treinador competente, de futuro promissor, se não lhe deram minimamente as peças necessárias para formar um bom time. A política “pés no chão” da atual diretoria é louvável, mas já passou da hora de acertar nas apostas que tem feito ao contratar jogadores, que na maioria das vezes deram errado. (Fecha o pano!)
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