Alex Ferreira/Arquivo DA
Preço da carne dispara e deixa o churrasco mais caro no fim de ano
Depois de encarecer o fim de ano dos brasileiros, o aumento do preço da carne observado nos últimos meses promete se estender também por 2020 — pelo menos nos primeiros meses do ano, na visão de especialistas em comércio exterior e inflação ouvidos pela BBC News Brasil.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%. Por isso, foram repassados aos consumidores. Em termos práticos, um quilo de contrafilé, que antes custava R$ 24 hoje custa, em média, R$ 37.
A carne de segunda (acém, por exemplo), que era vendida a R$ 14 custa hoje, em média, R$ 19. Como alternativa há a carne de frango (R$ 9 filé de peito) ou carne suína (R$ 14 pernil).
Isso porque os graves problemas que atingiram a monumental produção de porcos na China, que tem comprado mais carne do Brasil e desabastecido o mercado brasileiro, ainda estão longe do fim.
E, em tempos de dólar alto, vender para o exterior é bem mais atrativo que as vendas nacionais. Em outubro, as vendas de carne bovina para os asiáticos subiram 62% sobre setembro, em um total de mais de 65 mil toneladas. Nesse embalo, o preço do boi gordo no Brasil bateu recordes em novembro, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
A razão para o aumento envolve, além do fator China, um momento de oferta restrita de bois no Brasil, um tradicional aumento da procura doméstica por carnes no fim do ano e o dólar cotado acima dos R$ 4, que aumenta ainda mais o ganho dos exportadores na hora de converter o dinheiro das vendas para real.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%. Por isso, o aumento foi repassado aos consumidores.
A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse, nesse fim de semana, que os preços mais altos vieram para ficar. "Neste momento, o mercado está sinalizando que os preços da carne bovina, que estavam deprimidos, mudaram de patamar", afirmou, em nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Questionada se continua a consumir carne vermelha, respondeu em tom de brincadeira: "Estou comendo frango. Agora, é só frango". (Ligia Guimarães - Da BBC News Brasil)
Entenda o fator China Desde o mês de setembro, a China enfrenta problemas com sua produção de porcos, atingida pelo vírus da peste suína africana. O país teve que dizimar sua gigantesca produção de proteína suína e passou a comprar carne bovina de quem pudsse fornecer. Um dos mercados visados pelos chineses foi o brasileiro, o que deixou o setor desabastecido.
A doença é grave, altamente contagiosa e os animais atingidos não podem ser consumidos por humanos. Sem a produção local, a saída foi comprar de fora.
Ocorre que nenhum produtor mundial teria capacidade para alimentar os mais de 1 bilhão de chineses com carne suína, e a alternativa para eles foi a carne de boi. Nesse ramo, os maiores produtores são Estados Unidos, Brasil e Austrália.
A demanda chegou justamente no momento em que o dólar está em alta. Nesse fim de semana fechou cotado a R$ 4,22. Com isso, o mercado interno foi desabastecido de carne bovina e, os dois fatores associados gerou a disparada nos preços. Veja, abaixo, valores das carnes, bovina e suína cobrados em um supermercado, em Ipatinga, em 30 de novembro.
Alex Ferreira
Preço da carne bovina em 30/11/2019
Alex Ferreira
Preço da carne suína, em 30/11/2019