Movimento Integralista é propagado por grupo em Ipatinga

O símbolo do integralismo é a letra grega Sigma (Σ), simbolizando a máxima do movimento que buscava a integração da sociedade brasileira

01/12/2019 às 10:01
Wôlmer Ezequiel
Matheus Batista destaca que o integralismo surgiu para atender as principais demandas da sociedade

O Núcleo da Frente Integralista Brasileira no Vale do Aço tem ganhado força em Ipatinga, conforme explica o organizador e fundador do grupo na cidade, Matheus Batista. O jovem pontua que o movimento tem uma história antiga por aqui, inclusive, com nomes de bairros e escolas em homenagem a personalidades integralistas.

“Amaro Lanari era um dos líderes em Minas Gerais e tem seu nome lembrado em diversos locais. Em 1964 Plínio Salgado, que é nosso chefe nacional, visitou Ipatinga, a Usiminas e a bancada do partido integralista da Câmara, na época. Não se sabe ao certo como surgiu a ideia de trazer o Integralismo pra cá. Eu o conheci na escola, onde havia um dossiê que dizia que era nazista, fascista, contra os negros e judeus. Isso me fez pensar, será possível que tinha espaço para isso no Brasil? Existiam pessoas com essa mentalidade no país? Comecei a ler a respeito e vi que não tinha nada daquilo que tinham me dito na escola”, recorda.

Matheus avalia que é natural procurar pessoas na cidade que possam ajudar a resgatar a memória desses ideais. Com esse intuito, criou uma página nas mídias sociais e deu início a uma rede, que conta cada vez com mais contatos.
“Fundamos um núcleo integralista de Ipatinga, com muitas pessoas. Temos reuniões, cursos, palestras. O que queremos é atuar localmente para levar esse pensamento para o maior número de pessoas possível. O integralismo é uma doutrina, um movimento, que preconiza uma concepção do mundo, do homem, que resulta numa plataforma nacionalista e cristã, que é defendida de maneira política e social. Mas não é só isso. Vem de uma base filosófica que é a ideia de que o homem não existe só para a terra, mas para o céu e Deus, o fator que move o mundo, em suas múltiplas correlações. Nada existe de maneira isolada”, detalha.

Fascismo
Sobre a ligação com o fascismo, outro movimento político e social, considerado por muitos como autoritário, Matheus Batista pondera que esse é um assunto extenso e retoma o ano de 1932, quando surgiu a ação integralista brasileira. “Ela tinha como foco criar um pensamento autenticamente nacional, para a política nacional, porque até então vivíamos reproduzindo ideais de fora, como os da França, posteriormente, dos Estados Unidos e da Inglaterra. E, até hoje, há quem diga (equivocadamente) que somos fascistas, que estamos copiando o modelo de Mussolini (líder do fascismo italiano), ou defende o conservadorismo inglês ou o comunismo, alemão, russo e inglês”, contextualiza.

Para ele, o integralismo foi uma maneira de pensamento autenticamente brasileiro, mas salienta certas semelhanças com o fascismo, mas também com o comunismo e o capitalismo.

Em 1937, frisa o jovem, quando Getúlio Vargas aplica o golpe para o Estado Novo, a ação integralista brasileira era o maior movimento de massa da história do Brasil, com 1,5 milhão de pessoas. Alguns anos depois veio a Segunda Guerra Mundial, o fascista virou o inimigo público brasileiro e ninguém queria fazer parte disso.

“Houve a associação do estado do integralismo ao fascismo, de maneira que muitos foram perseguidos, torturados e mortos. Teve gente que Getúlio Vargas colocou vidro na alimentação para que morresse. Na década de 1930, alguns diziam que integralistas simpatizavam com os fascistas. Mas fascista o integralismo nunca foi, ele tem pretensões nacionais e não quer copiar qualquer modelo, de quem quer que seja”, assegura Matheus Batista.

O símbolo do integralismo é a letra grega Sigma (Σ), simbolizando a máxima do movimento que buscava a integração da sociedade brasileira. A saudação de mãos dos integrantes é parecida com a saudação nazista, o que simbolicamente leva a uma associação desse movimento ao modelo alemão. O grito que entoam os integralistas, até hoje, é “Anauê”, que em tupi-guarani significa “você é meu irmão”.

Entre lideranças
O organizador da Frente em Ipatinga classifica o integralismo como uma eterna mística política. “Você vê em toda a história, desde 1937, que todos os programas políticos tinham sucesso maior ou menor, de acordo com sua proximidade com o integralismo. Ele foi uma maneira de reconhecer e canalizar as aspirações do brasileiro comum. Tanto é que Bolsonaro usa nosso lema e Lula usa nossa retórica. Quando Lula foi preso, ele pronunciou uma frase muito famosa de Plínio Salgado, segundo a qual “o chefe não é uma pessoa, é uma ideia”. A mística integralista é uma canalização das aspirações brasileiras e é absolutamente urgente que ela seja aplicada. Temos vivido tempos de completa bagunça, não há ordem, não temos um referencial concreto em que se inspirar”, opina o jovem.
Últimas notícias
Big Image
{{ modalData.legenda }}