Movimento Integralista é propagado por grupo em Ipatinga

O símbolo do integralismo é a letra grega Sigma (Σ), simbolizando a máxima do movimento que buscava a integração da sociedade brasileira

Wôlmer Ezequiel


Matheus Batista destaca que o integralismo surgiu para atender as principais demandas da sociedade

O Núcleo da Frente Integralista Brasileira no Vale do Aço tem ganhado força em Ipatinga, conforme explica o organizador e fundador do grupo na cidade, Matheus Batista. O jovem pontua que o movimento tem uma história antiga por aqui, inclusive, com nomes de bairros e escolas em homenagem a personalidades integralistas.

“Amaro Lanari era um dos líderes em Minas Gerais e tem seu nome lembrado em diversos locais. Em 1964 Plínio Salgado, que é nosso chefe nacional, visitou Ipatinga, a Usiminas e a bancada do partido integralista da Câmara, na época. Não se sabe ao certo como surgiu a ideia de trazer o Integralismo pra cá. Eu o conheci na escola, onde havia um dossiê que dizia que era nazista, fascista, contra os negros e judeus. Isso me fez pensar, será possível que tinha espaço para isso no Brasil? Existiam pessoas com essa mentalidade no país? Comecei a ler a respeito e vi que não tinha nada daquilo que tinham me dito na escola”, recorda.

Matheus avalia que é natural procurar pessoas na cidade que possam ajudar a resgatar a memória desses ideais. Com esse intuito, criou uma página nas mídias sociais e deu início a uma rede, que conta cada vez com mais contatos.
“Fundamos um núcleo integralista de Ipatinga, com muitas pessoas. Temos reuniões, cursos, palestras. O que queremos é atuar localmente para levar esse pensamento para o maior número de pessoas possível. O integralismo é uma doutrina, um movimento, que preconiza uma concepção do mundo, do homem, que resulta numa plataforma nacionalista e cristã, que é defendida de maneira política e social. Mas não é só isso. Vem de uma base filosófica que é a ideia de que o homem não existe só para a terra, mas para o céu e Deus, o fator que move o mundo, em suas múltiplas correlações. Nada existe de maneira isolada”, detalha.

Fascismo
Sobre a ligação com o fascismo, outro movimento político e social, considerado por muitos como autoritário, Matheus Batista pondera que esse é um assunto extenso e retoma o ano de 1932, quando surgiu a ação integralista brasileira. “Ela tinha como foco criar um pensamento autenticamente nacional, para a política nacional, porque até então vivíamos reproduzindo ideais de fora, como os da França, posteriormente, dos Estados Unidos e da Inglaterra. E, até hoje, há quem diga (equivocadamente) que somos fascistas, que estamos copiando o modelo de Mussolini (líder do fascismo italiano), ou defende o conservadorismo inglês ou o comunismo, alemão, russo e inglês”, contextualiza.

Para ele, o integralismo foi uma maneira de pensamento autenticamente brasileiro, mas salienta certas semelhanças com o fascismo, mas também com o comunismo e o capitalismo.

Em 1937, frisa o jovem, quando Getúlio Vargas aplica o golpe para o Estado Novo, a ação integralista brasileira era o maior movimento de massa da história do Brasil, com 1,5 milhão de pessoas. Alguns anos depois veio a Segunda Guerra Mundial, o fascista virou o inimigo público brasileiro e ninguém queria fazer parte disso.

“Houve a associação do estado do integralismo ao fascismo, de maneira que muitos foram perseguidos, torturados e mortos. Teve gente que Getúlio Vargas colocou vidro na alimentação para que morresse. Na década de 1930, alguns diziam que integralistas simpatizavam com os fascistas. Mas fascista o integralismo nunca foi, ele tem pretensões nacionais e não quer copiar qualquer modelo, de quem quer que seja”, assegura Matheus Batista.

O símbolo do integralismo é a letra grega Sigma (Σ), simbolizando a máxima do movimento que buscava a integração da sociedade brasileira. A saudação de mãos dos integrantes é parecida com a saudação nazista, o que simbolicamente leva a uma associação desse movimento ao modelo alemão. O grito que entoam os integralistas, até hoje, é “Anauê”, que em tupi-guarani significa “você é meu irmão”.

Entre lideranças
O organizador da Frente em Ipatinga classifica o integralismo como uma eterna mística política. “Você vê em toda a história, desde 1937, que todos os programas políticos tinham sucesso maior ou menor, de acordo com sua proximidade com o integralismo. Ele foi uma maneira de reconhecer e canalizar as aspirações do brasileiro comum. Tanto é que Bolsonaro usa nosso lema e Lula usa nossa retórica. Quando Lula foi preso, ele pronunciou uma frase muito famosa de Plínio Salgado, segundo a qual “o chefe não é uma pessoa, é uma ideia”. A mística integralista é uma canalização das aspirações brasileiras e é absolutamente urgente que ela seja aplicada. Temos vivido tempos de completa bagunça, não há ordem, não temos um referencial concreto em que se inspirar”, opina o jovem.
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Comentários

Fúlvio Campos 06 de Dezembro, 2019 | 10:13
Democracia pressupõe pensamentos diferentes, mas não deixa de ser lamentável o ressurgimento de doutrinas como essa que, na prática, não integra nada. Antes, se mostra como pensamentos excludentes, na minha opinião.
Gildázio Garcia Vitor 04 de Dezembro, 2019 | 12:56
Em um artigo de opinião, publicado em 3/12/2019 na FSP, Alvaro Costa e Silva, afirma o seguinte: "... Cadáveres do passado, que o país pensava terem sido enterrados, voltam como zumbis para se juntar a novas assombrações. O integralismo de extrema-direita da década de 1930 ressurgiu com o lema 'Deus, Pátria e Família, defendido pelo novo partido do Bolsonaro, Aliança pelo Brasil ...".
José Raimundo 02 de Dezembro, 2019 | 19:24
Algumas coisas merecem ficar no passado e o Movimento Integralista é uma delas. Sem sombra de dúvida Plínio Salgado tinha alguma admiração pela Itália fascista de Mussolini tanto que o movimento integralista adotou muito da simbologia desse movimento e do movimento nazista.
Raul 02 de Dezembro, 2019 | 11:22
Mais uma confusão na cabeça do povo. Desperdicio da juventude.
Devia estudar sério talvez crie caminho melhor que esta coisa que não
deu certo e complicou muitas vidas no passado.
Joaquim Tiago 02 de Dezembro, 2019 | 08:31
Não existe nacionalismo no Brazil desde a sua conquista e exploração. O único nacionalismo que predomina no momento é esse do cidadão de bem com a moral católica ou evangélica o restante esta tudo sendo vendido pelo neo-liberalismo. Até o emprego do seu pai foi vendido.
Marcos Souza 02 de Dezembro, 2019 | 07:32
O nazismo começou bem desse jeito aí, saudações símbolos e depois deu no que deu.
Maria 01 de Dezembro, 2019 | 21:59
Parabéns! Por mais jovens assim que pensa no futuro político do país.
Kleber Barbosa Júnior 01 de Dezembro, 2019 | 21:34
Integralismo é sim um filhote do fascismo italiano e do nazismo alemão. Defende ideias autoritárias e caiu no ostracismo no Brasil com a derrota do Eixo Alemanha-Itália-Japão na Segunda Guerra Mundial. É uma negação da democracia e não deve ter espaço na civilização humana como o racismo, a homofobia, o desprezo ao meio ambiente e à ciência.
Crisaries3 01 de Dezembro, 2019 | 19:09
Eta de onde esse menino tirou que Getúlio Vargas dava caco de vidro para as pessoas comentem, que coisa, tava indo tão bem.
Paulo 01 de Dezembro, 2019 | 17:22
O Brasil precisa de gente criativa que pensa adiante. O desenvolvimento de uma nação passa por uma educação que consiga fazer o indivíduo pensar, sair da caixinha. Precisamos abandonarmos os "ismos", e caminhamos pra frente. Ninguém gosta de cheiro de mofo.
Miguel 01 de Dezembro, 2019 | 15:32
Hope? anauê irmãos, queria saber se vcs tem núcleos no RJ?
Pedrin Perito 01 de Dezembro, 2019 | 15:20
Caçar um sirvicin Meu Jovem....vai fazer filantropia por exemplo..
Oliveira 01 de Dezembro, 2019 | 11:03
Falta de assunto?
Pedro 01 de Dezembro, 2019 | 08:15
Muito bom!
Patrick 30 de Novembro, 2019 | 18:57
Fico feliz de ver que ainda existe esperança no meio desse mar de lama.
Bruno 30 de Novembro, 2019 | 17:11
Realmente, é do Integralismo que o Brasil precisa.

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