Dia Internacional da Luta contra a Aids: melhor remédio é a prevenção

Com a evolução do tratamento, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a Aids, por isso há diferença entre os termos

Wôlmer Ezequiel


Magali Siqueira é gerente do Centro de Controle de Doenças Infectoparasitárias de Ipatinga

Nesse dia primeiro de dezembro é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), que tem como objetivo conscientizar a população acerca da importância da prevenção da doença. Essa data especial foi instituída no dia 27 de outubro de 1988, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unida (ONU) e pela Organização Mundial de Saúde.

Com a evolução do tratamento, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a Aids, por isso há diferença entre os termos. HIV é a sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana, uma vez que o vírus ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Já a Aids, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é o estágio avançado da doença causada pelo vírus HIV. Mais vulnerável, o organismo fica sujeito a diversos agravos - as chamadas infecções oportunistas - que vão de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer.

Já a transmissão do HIV ocorre, principalmente, por via sexual - seja ela anal, vaginal ou oral. Outras formas de transmissão também por ocorrer por meio da transfusão de sangue contaminado e seus derivados.

“Melhor remédio”
Em entrevista ao Diário do Aço, a gerente do Centro de Controle de Doenças Infectoparasitárias de Ipatinga (CCDIP), Magali Siqueira, destacou a importância de debater acerca da prevenção. “Nós sempre conscientizamos que o melhor remédio é a prevenção. Só a partir disso que será possível mudar o comportamento da população, porque a Aids não é brincadeira. Por isso que é importante ter sempre em mente que essa data deveria ser lembrada todos os dias, e não apenas no dia 1º de dezembro”, afirmou.

Novos casos
Conforme o balanço do CCDIP, ao longo de 2019 foram registrados, até o mês de novembro, 55 novos casos de HIV envolvendo residentes de Ipatinga. Enquanto em 2017 e 2018, o município teve, respectivamente, 104 e 107 novos casos. Na avaliação da gerente do CCDIP, mesmo com essa redução, ela percebe que muitas pessoas perderam o medo da Aids, diferente do que ocorria antigamente, quando era bastante temida.

“Quando conversamos com as pessoas infectadas pelo vírus HIV, percebemos que elas não pensaram na hora que isso poderia acontecer ou se preocuparam. Elas nunca pensam que vão ser a próxima vítima. No entanto, transar sem preservativo é como jogar roleta-russa, uma hora acerta. E depois que a pessoa pega HIV, precisa tomar a medicação para o resto da sua vida, já que não existe cura”, alertou Magali.

Resistência
A gerente do CCDIP também relatou que, em muitos casos, a pessoa infectada pelo HIV costuma ter dificuldade para aceitar a nova realidade e procura fingir que está tudo bem. “Muitos tentar esconder da família ou evita contar para seu parceiro sexual, sendo que o certo seria avisá-lo. Então muitos tentam esconder esse problema de início, já que também ainda existe uma discriminação contra quem tem HIV na sociedade”, afirmou.

Abandono
Devido à dificuldade de aceitar e lidar com a situação de ter HIV, muitos desistem do tratamento. Em outubro, houve 45 casos de abandono no CCDIP, conforme Magali Siqueira. “Alguns começam o tratamento e depois acham que está tudo bem. Com isso, a pessoa para de tomar os remédios, até que um dia a doença aparece com tudo. Portanto, ficamos preocupados, porque ainda continua aparecendo novos casos. O ideal mesmo era encerrar o ano sem novos casos. Para isso, vamos intensificar ainda mais os nossos trabalhos no CCDIP para diminuir os casos de abandono ao tratamento”, afirmou.

Campanhas
Para Magali, as campanhas realizadas na sociedade são fundamentais para conscientizar a população e reduzir os casos de Aids. “Estamos com um projeto para o próximo ano, começar a trabalhar em escolas na cidade. O intuito é alcançar o maior número possível de alunos, da faixa etária estratégica, que é entre 17 e 22 anos. Esse é um público que está prestes a sair de casa, ir para faculdade, ter uma vida mais festiva e com mais relações sexuais. Nesses últimos anos, tivemos um aumento considerável na faixa etária de 20 a 30 anos, com HIV. Portanto, eu espero que nessa data todo mundo possa lembrar que a Aids não tem cura, por isso é preciso ter sempre cuidado com a nossa saúde”, concluiu.

O CCDIP oferece, em Ipatinga, testes rápidos para a detecção da sífilis, HIV, hepatites B e C. Os testes são oferecidos toda segunda e quarta-feira, a partir das 10h, por ordem de chegada. Já às sextas-feiras, são atendidos 20 usuários, a partir das 13h. Para realização do teste, basta a apresentação de documento original com foto. O CCDIP funciona na avenida Kyoshi Tsunawaki, nº 50, no bairro Cariru.
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