Só milagre

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Fernando Rocha
Os sinais de uma profunda crise já estavam sendo sentidos antes mesmo das denúncias feitas pelo “Fantástico”, da Rede Globo, que apenas abreviaram os acontecimentos que levaram o Cruzeiro à atual situação.

Ao invés de adotar uma política austera, diante das dívidas herdadas das administrações anteriores, a atual diretoria optou não só pela manutenção da mesma linha surreal de condução das finanças do clube, mas também ampliou os gastos até se perder totalmente em meio à interminável crise política interna.

O resultado disso tudo aí está, após mais uma atuação pífia da equipe e a vergonhosa derrota em casa para o CSA, com direito a pênalti perdido por Thiago Neves, que colocou o time definitivamente no caminho do primeiro rebaixamento em sua história quase centenária.

Diz um ditado popular aqui nos nossos grotões que “em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Daí então, nenhuma novidade no fato do time ter virado uma bagunça, necessitando agora de um verdadeiro “milagre” para escapar da degola.

Outro vexame
Não fosse o aproveitamento de quase 50% no 1º turno, sob o comando de Rodrigo Santana, o Galo estaria na mesma situação ou quem sabe até pior do que o seu maior rival vive.

Sob o comando do técnico Vagner Mancini, o aproveitamento é de clube rebaixado - apenas 36,6% -, acumulando péssimas atuações e resultados negativos dentro ou fora de casa, contra adversários muito inferiores em todos os sentidos.

Pessoalmente, nada contra o técnico Vagner Mancini, que tem até um jeitão de ser “gente boa”, mas é fato que sua carreira é marcada pelos inúmeros rebaixamentos (seis no total) das equipes por onde passou.

Seu último trabalho no São Paulo foi como coordenador técnico, e não como treinador, daí ser difícil entender a lógica que motivou sua contratação para dirigir o Atlético, sobretudo pelo atual momento delicado que o clube atravessa.
Se o futebol é mesmo uma “caixinha de surpresas”, como dizia o folclórico Gentil Cardoso, há coisas nele que qualquer observador menos atento é capaz de perceber, como, por exemplo, que há uma total incompatibilidade entre o Galo e o treinador Mancini.

FIM DE PAPO
• O presidente Sette Câmara está perto de entrar no último ano de mandato e passar à história do clube como um dos seus piores mandatários, sem ganhar um título de expressão, sequer até o nosso desvalorizado estadual. Faltam três jogos para encerrar o Brasileirão e, além de ainda sofrer com uma pequena ameaça de rebaixamento, o time dificilmente conseguirá uma vaga apara a Copa Sul-Americana, em 2020.

• Em seu blog no “UOL Esporte”, o jornalista Rodrigo Matos traz números impressionantes do sucesso financeiro do Flamengo, atual campeão Brasileiro e da Libertadores. O rubro-negro está prevendo arrecadar, em 2020, nada menos do que R$900 milhões, receita recorde de um clube brasileiro na história. Até setembro de 2019, o clube tinha acumulado R$ 652 milhões de receita bruta. Quase metade deste montante tem origem na venda de jogadores, que chegou a R$ 295 milhões.

No último trimestre, informa Matos, o clube acumula, só com as premiações do Brasileiro e da Libertadores, algo em torno de R$ 83 milhões. Fora isso, houve a bilheteria da semifinal da Libertadores contra o Grêmio (R$ 8 milhões), entre outras partidas de boa arrecadação no Brasileiro. Há ainda pagamentos de TV relacionados ao Brasileiro e a cota mínima pelo menos pela participação no Mundial, que aproximaria a arrecadação em R$ 1 bilhão, mesmo que o rubro-negro carioca não ganhe o Mundial de Clubes.

• Mas se a receita está nas alturas, as despesas também são altíssimas por causa dos altos salários, luvas e premiações pagas aos jogadores, dívidas vencidas etc. Na semana passada, o Flamengo anunciou ter fechado um acordo na justiça trabalhista com o ex-técnico Dorival Junior, que vai receber R$13 milhões de indenização, referentes à sua primeira passagem pelo clube. O rubro-negro ainda não concluiu outro acordo milionário com as famílias de vários garotos vítimas do incêndio no Ninho do Urubu.

• É impressionante a dança dos técnicos nos últimos dias, envolvendo clubes que lutam contra o rebaixamento. Adílson Batista foi demitido pelo Ceará na quarta-feira, após a goleada de 4 x 1 sofrida para o Flamengo, mas na sexta-feira desembarcou em Belo Horizonte para tentar salvar o Cruzeiro da iminente queda à Série B.

Argel Fucks nem retornou a Maceió, após a vitória do CSA sobre o Cruzeiro, quinta à noite, no Mineirão. Voou direto para Fortaleza, onde assumiu o comando do Ceará no lugar de Adílson Batista. O que é tratado como “cultura” do nosso futebol, na verdade, não passa da inexistência de planejamento, ética, profissionalismo, dos clubes e também dos treinadores. (Fecha o pano!)
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