Wôlmer Ezequiel
Sergio Leite destacou a importância da reforma tributária, que será elaborada e discutida no congresso
Após a aprovação da reforma da Previdência, o Congresso Nacional e o Governo Federal têm como foco a reforma tributária. Atualmente, uma das principais reclamações dos empresários no país está relacionada à alta carga tributária e complexidade desse sistema, considerados obstáculos para os investidores.
Na avaliação do presente da Usiminas, Sergio Leite, a reforma tributária será fundamental para o desenvolvimento da indústria no Brasil, que enfrenta dificuldades no cenário econômico hoje. “Atualmente, o setor que mais paga tributos é a indústria, que vem perdendo protagonismo no Brasil, já que nos últimos anos ela não tem sido prioritária para o governo. Mas nós temos um compromisso com o governo Bolsonaro, no sentido de priorizar a indústria, porque ela é extremamente importante, sendo responsável por gerar empregos de alta qualidade e ser a maior pagadora de impostos, em função do Produto Interno Bruto (PIB) que é gerado. Portanto, precisamos simplificar essa complexidade tributária que nós temos”, salientou.
Conforme o presidente da Usiminas, a “guerra fiscal” que existe entre os estados brasileiros também prejudica a competividade das empresas e indústrias. “Ela cria dificuldades nesse meio dos negócios. E nós precisamos de simplificar a vida das empresas e das pessoas, promovendo uma melhor distribuição de tributos. Então eu estou confiante com a reforma tributária. Eu acredito que no próximo ano será aprovada. No momento, é elaborada pelo governo, câmara e o senado, por meio do diálogo e negociação. Na minha visão, ocorrerá uma discussão ampla no congresso, envolvendo os três pensamentos, no sentido de construir melhores estruturas e condições para a própria economia”, avaliou.
Alto-forno 3 e investimentos Com a expectativa da aprovação da reforma tributária, além de outras reformas, a tendência é que as indústrias mantêm investimentos para os próximos anos. Na Usiminas não será diferente. Em maio desse ano, foi anunciado que será realizada uma reforma do alto-forno 3 da siderúrgica, em 2021, quando atingirá mais de 21 anos de operação. A parada para a reforma deve durar cerca de 110 dias e o projeto tem custo previsto em torno de R$ 1 bilhão.
Conforme o presidente da Usiminas, a reforma do alto-forno 3 está garantida. “O alto-forno é um equipamento muito importante. A operação dele está estável. E a sua reforma está totalmente garantida. Nesse ano, tivemos que fazer uma redução dos investimentos. Nós prevíamos investir em R$ 1 bilhão, mas anunciamos que vamos investir cerca de R$ 800 milhões esse ano, devido ao atraso de alguns projetos”, informou.
Sergio Leite ressaltou que essa redução de R$ 200 milhões, aproximadamente, nos investimentos, está relacionada a um projeto da Mineração Usiminas, que é um projeto de filtragem e pilhamento a seco de rejeitos. “Só esse projeto são R$ 160 milhões. Nós esperávamos ter obtido a licença para implementar esse projeto em dezembro do ano passado, mas ficou para janeiro, quando houve a tragédia em Brumadinho e atrasou mais ainda. Portanto, esse investimento que iríamos desembolsar a partir de 2019 está até agora atrasado em um ano, porém, saindo a licença, nós vamos realizar o investimento”, pontuou. (Repórter - Tiago Araújo)